domingo, 22 de abril de 2018

YOU WERE NEVER REALLY HERE (2017)


Joaquin Phoenix (vencedor do prestigiado prêmio de atuação masculina no último Festival de Cannes) pode ter perdido a chance de ganhar um Oscar, mas o que importa é que a atuação dele é um tesouro, com ou sem um. Um Taxi Driver moderado, com doses bem definidas de tensão e equilíbrio dramático. Ramsay acerta os momentos que filma, e a essência desse trabalho é toda calcada em uma condução que assume riscos sem ter medo de enfrentar os perigos que surgem com eles (e esse é, ao meu ver, o melhor filme dela).

A câmera de Ramsay está inspiradíssima: não há um momento sequer em que é perceptível que ela não esteja segura do resultado que obterá com esse ou aquele plano, e isso é suficiente para criar momentos desnorteantes em que não é precisa muita manipulação para se atingir um determinado estado, ou um sentimento de vibração, que ajuda a construir e elaborar toda uma atmosfera dramática. 

É na capacidade da diretora de se infiltrar delicadamente nesses personagens para enxergar e explorar o que há de mais obscuro e dilacerante neles, que vemos quanta humanidade está concentrada, seja nas cicatrizes deixadas pelo tempo, nas tentativas de se superar através da superação do outro, na identificação com os traumas alheios. É um filme essencialmente doloroso na maneira como finca esse retrato, esperando que sua crueldade, de alguma maneira, se encaixe no desfecho dinâmico e poderoso, ali naqueles personagens, finalmente unidos pelo destino, pelas suas dores, pelas imagens cravadas em suas cabeças, pelo que nem mesmo o tempo poderá apagar. Amor? Ódio? Amor e ódio? 

You Were Never Really Here
dir. Lynne Ramsay
★★★½

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