segunda-feira, 13 de novembro de 2017

SEM AMOR (2017)


Minha lembrança de Leviatã (indicado ao Oscar em 2015) é muito boa. Era o primeiro filme que eu tinha visto do cineasta russo Andrey Zvyagintsev, e eu lembro ter gostado bastante. Não sei se posso dizer o mesmo do mais novo trabalho do diretor, Loveless, que em Cannes já saiu ganhando prêmios e agora já é aposta, novamente, ao Oscar, e todos os elogios da crítica que parecem celebrá-lo com um dos melhores do ano. Seria até compreensível, todo esse astral. Mas pra mim não fica tão claro. 

Andrey começa seu filme muito bem, uma fotografia inspirada (e uma frieza que parece já prever os decorrentes sombrios acontecimentos que permeiam a cinzenta tramoia do drama) e uma promessa de grande filme. Logo, todo esse universo meio nublado, gélido, penumbroso do filme cai numa artificialidade indigerível. As performances, de um elenco muito excelente, não conseguem reavivar a trama do filme quando esta já se encontra petrificada, congelada. As cenas de sexo são filmadas esculturalmente, os movimentos da câmera tão elaborados e bem coordenados, toda aquela mistura de técnica e cuidados mínimos com a manipulação da imagem congelam-se na frieza que o próprio filme personifica. 

Temos, em cena, um casal em divórcio (inclusive já com outros parceiros, e decididos a seguirem suas vidas separados) cujo único laço é um filho adolescente que eles tiveram, um jovem que vive a chorar sozinho em seu quarto enquanto brigas tempestuosas do casal ocorrem do outro lado da porta, ambos a mãe e o pai se cegam ao sofrimento do filho ao ver o relacionamento ruir. Do nada, o garoto desaparece. O pai acha que é apenas uma simples escapada, que o garoto estará de volta em 10 dias. Logo, o casal se vê preso a esse sumiço repentino e inexplicável do filho. Tudo vai culminar numa crise de culpa, angústia e perdição, em um casamento consumido pelas ruínas da individualidade. 

O filme tem uma premissa magnífica, assim por se dizer, mas em duas horas faz é pouco do que poderia ter feito em uma e meia e com doses bem menores do impacto que parece querer tanto nos causar, e quando ele chega (ou pelo menos é que o vemos) é tarde demais para as coisas enfim darem um passo à frente, como acontece no próprio casamento do casal protagonista. Chegou muito perto, mas infelizmente é um filme que perde a essência do seu próprio conflito à medida em que aspira causar um efeito que não está ali, confiando todas suas forças nesse efeito que não surte, logo menospreza toda uma camada de elementos que seriam muito caros à narrativa e ao desfecho dos personagens. O tratamento dramático tem momentos altos, mas o resultado fica um pouco abaixo do esperado. Não há como dizer se é um filme bom ou ruim, pelo menos pra mim é um filme que está exatamente no limite entre um e outro, sem ser completamente nenhum dos dois. 

Sem Amor (Nelyubov)
dir. Andrey Zvyagintsev
½

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