domingo, 8 de outubro de 2017

DOENTES DE AMOR (2017)


Na saúde, e na doença...

Preparem seus lencinhos, vem aí mais uma comédia romântica pra te emocionar. Kumail Nanjiani é honesto e direto (a autoria do roteiro é dele e de sua esposa, que vivenciaram a história descrita no filme), não disfarça o tom e aborda frontalmente cada pedacinho dessa narrativa, tal qual é a história de amor vivida pelos personagens principais. Não há esquematização ou coisa do tipo, é sobre o que é, o amor "impossível" entre duas pessoas dividas por culturas diferentes. Poderia ser um filme "pós-Trump"? Poderia. E tinha tudo pra ser, é verdade. Mas acima disso, qualquer pretensão dessa vertente não ganha espaço onde o amor é relatado com a mais sentimental veracidade. A gente torce, com energia, para a união. Aqui o escape acaba servindo também como uma confrontação clínica dos dramas instalados em relações humanas face à tensão, em ameaças de desunião e separação, sejam elas amorosa, étnica ou familiar. Tudo que subexiste nesse ínterim é reservado para uma confrontação fina, o humor é firme, porém é ainda mais relevante saber quando inserir um pause na piada para dar lugar ao drama, e esse respeito, um mutualismo genuíno de cinema, é uma das coisas mais lindas desse filme. A cena final expressa, em toda a sua maravilha, uma reconexão de todos os elementos que estavam ali suspensos pelo romance do casal, é a catalisação definitiva desse sentimento de aproximação que até ali estava em águas turvas, e acaba encontrando na simplicidade de um curto diálogo a sua afirmação final, o seu réquiem "feel-good". O prazer ingênuo que esse filme evoca talvez nem possa ser expressado em palavras. O elenco está gracioso, em plenitude que há muito não se via no cinema norte-americano, com performances digníssimas de Holly, Zoe, Kumail, Romano, e até mesmo o elenco secundário é destaque. Eu daria um Oscar pra cada um deles.

Isso aqui é romântico pra caramba, não resisti. Lindo de verdade.

Doentes de Amor (The Big Sick)
dir. Michael Showalter
★★★★

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