terça-feira, 26 de setembro de 2017

O RAPAZ QUE PARTIA CORAÇÕES (1972)


A desconstrução amarga do sonho americano, exposta ao ridículo e cruel, o abandono das heranças culturais pelo ideal burguês de status. Elaine May trabalha seu filme de maneira tão direta, corrosiva e ainda sim reserva o melhor para os pequenos detalhes da sua comédia de desconfortos e humilhações. O que era leve logo se torna denso, à medida em que o casamento de Lila (a mulher, imperfeita, sensível e comum) e Lenny começa a ruir com a chegada de Kelly (a mulher, esbelta, bela, de cabelos loiros, o padrão) que causa no homem uma atração homérica e um desejo impulsivo de se livrar da esposa, ou, como ele se refere, "um erro". É simplesmente incrível como May consegue gerar tanto desconforto a partir dessa instância humana de que as nossas determinações, em algum ponto, refletem nas próprias fraquezas que carregamos. E pode-se dizer o mesmo de um ponto de vista social. Existem cenas hilárias, outras duras, cruas, mas o limite entre a comédia e o insano está presente em cada uma delas, à mesma ilustração, com o mesmo efeito tenso e estupefato. Performances excepcionais de Jeannie Berlin e Charles Grodin. 

O Rapaz que Partia Corações (The Heartbreak Kid)
dir. Elaine May
★★★★

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