quarta-feira, 9 de agosto de 2017

uma palinha de cinema: frears, burton, uziel


Um apelo de criatividade para um roteiro desinteressante, ou "como mudar a ordem de seu filme para deixá-lo tediosamente bagunçado". Incrível é como uma hora e vinte aqui parecem três (e não, eu não tô exagerando). "Shimmer Lake" roda em círculos, tentando encontrar respostas para a sua própria mesmice. A tentativa de acoplar humor negro a suspense, num intuito óbvio à la "Fargo", desastrosamente forçado, piora toda a situação. Compra-se a ideia de reverter toda uma lógica (e que até torna o filme bastante curioso num sentido mais narrativo), e que é posteriormente estragada por uma tendência suspense/comédia que acaba fugindo do controle da maneira mais irresponsável possível.

Shimmer Lake
dir. Oren Uziel
★★


Burton fazendo o que sabe de melhor. No geral não há coisa nova, mas sempre tem algo que deixa cada filme seu mais fascinante que o outro, é o olhar dele nesse contraste entre o inocente e o estranho, que apenas ele sabe conferir e manusear (e talvez não exista outro diretor nos dias de hoje mais qualificado para fazer isso do que ele), delicadíssimo e sombrio ao mesmo tempo. Efeitos visuais podem não enganar, mas o filme encontra seu charme justamente nisso (o que eu particularmente acho incrível).

O Lar das Crianças Peculiares (Miss Peregrine's Home for Peculiar Children)
dir. Tim Burton
★★



Frears já fez filmes melhores. Uma cobrança meio desnecessária de quebra de expectativas (principalmente na personagem da Rebecca Hall) compromete a narrativa, com reforços que soam excessivos demais para um grupo de personagens tão limitado. Os que acabam prejudicados com esse tratamento são os secundários, que parecem estar presentes ali apenas para reavivar e dar continuidade ao plano dos principais sem nenhum compromisso diegético, uma relevância frouxa (com personagens pra lá de irregulares) num filme que não sabe muito bem o que quer. Na primeira metade, parece progredir nesse quesito, porém desanda justamente no momento em que acredita estar no controle de tudo, desmascarando a aparente estabilidade.

O Dobro ou Nada (Lay the Favorite)
dir. Stephen Frears
★★

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