sábado, 25 de julho de 2015

Crítica: "MANGLEHORN" (2014) - ★


À parte da presença de Al Pacino, Manglehorn, longa exibido em competição no Festival de Veneza do ano passado, onde o ator recebeu, a boa parte delas, críticas positivas por sua interpretação, trata-se de uma bomba fatal. Fortíssimo concorrente à pior filme do ano, o longa, que erra tanto quanto O Último Ato, com Pacino, visto em abril, é um decepcionante fracasso que se deixa levar pelo falso moralismo e também não respeita em nenhum ângulo as necessidades do conflito da trama. É bem parado, inútil e sem nenhum valor. Holly Hunter não faz absolutamente porra nenhuma, assim como o resto do elenco. Manglehorn vale mesmo pela atuação de Al Pacino que, apesar de não ser lá uma grande, ótima performance, como a crítica fez questão de exagerar lá em Veneza, ajuda a esconder o gosto amargo deste horrível lixo.

Olha que eu estou sendo muito otimista elogiando aqui a atuação de Al, por que eu, sinceramente, não gostei nem um pingo de Manglehorn. Sequer por um segundo. Começa bem leve, engana o público, mas aí se perde no vão que separa sua comédia de seu drama, e por aí a confusão já se instala, desnorteando o filme e o fazendo cada vez mais pesaroso de se ver. Tem uma hora em que você só quer que ele acabe. Só isso. Sua duração pequena de noventa minutos prolonga-se numa tortura cansável. Manglehorn, que já no início aparentava ser bem monótono, só vai intensificando essa característica, até transformá-la no mal mais irritante do longa. Odeio falar disso, mas Manglehorn segue a linha padrão dos dramas convencionais e práticos, que apenas querem aproveitar da confiança do público mais comunal para ganhar atenção, principalmente naquelas cenas melodramáticas. É mais uma daquelas histórias de superação embaralhadas que, no final, não resolvem metade do que propuseram, e se auto-descartam quando mantém a trama embaralhada, ocultando alguns detalhes que bem seriam propícios ao conhecimento do espectador.

Chega a ser engraçado, por que parece de propósito. Parece que o diretor quis fazer um filme de merda e transformá-lo em algo sem nenhum significado. Gastar elenco, gastar personagens que, numa armação diferente, poderiam ter dado certo. Mas, infelizmente, Manglehorn não passa de uma bomba. Conta a história de um solitário senhor que não possui uma relação muito boa com o filho rico, que mora distante, é desprezado por alguns outros, e é obcecado com um passado que, até o fim do filme, continua sem fazer o mínimo sentido, justo por que o roteiro não abre ao todo seu leque, limitando informações e fazendo uma completa confusão destas. Quem é mais inocente, e se deixa levar pelo bondoso carisma do protagonista, logo se apaixonará pelo longa. Caso contrário (no meu caso), Manglehorn é chato, meloso pra caramba e maçante. 

E, nessas horas, minha tristeza chega a ocupar um espaço bem maior do que a raiva, por que, é a segunda vez este ano, e a milésima, de uns tempos pra cá, que eu vejo Al Pacino estrelando uma porcaria. Talvez, a melhor performance do ator até o momento estava no recente Não Olhe para Trás, um filme muito bonito e sensato, uma "revanche" de Al. Quanto à Manglehorn, que, durante a sua temporada em Veneza até me tinha deixado com esperança, entra para a lista dos grandes fracassos feitos por Pacino ultimamente. Mas, até que faz lógica odiar tanto assim Manglehorn. A boa parte dos diálogos de Al são entre seu personagem e a cadelinha dele, que, numa parte do filme, fica doente e é operada, sendo afastada de Angelo. Pô, assim não dá. Até entendo que o ato de conversar com os cachorros simbolize certa meiguice e espírito, só que - é preciso ver para entender - em Manglehorn isso ultrapassa os limites. Manglehorn, o chaveiro, vive se desculpando com a cadelinha. Certa noite, fez o maior barraco em casa depois de ter bebido "umas", e na manhã seguinte começou um baita confessionário com a cachorrinha. Sei que isso é comum, só que a sensação que isso deu em Manglehorn foi de que era algo muito bizarro. Enfim, acho que é melhor terminar por aqui. Prefiro deixar que vocês vejam a tragédia que esse filme é. Muito ruim.

Manglehorn
dir. David Gordon Green - 

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