domingo, 26 de julho de 2015

Crítica: "INIMIGOS PÚBLICOS" (2009) - ★★★★


O mais triste deste domingo é que começa a última semana de minhas férias. Na verdade, os últimos dias dela, já que quinta-feira retornarei à ativa. E, mesmo que eu tenha visto uma porrada de filmes nesse intervalo, não acredito que o recesso foi tão bom assim. Fiquei gripado logo no meio dele, e em seguida, veio a bronquite. Fiquei em casa o tempo todo, e não saí para quase nenhum lugar, à exceção do cinema, ainda tendo visto pouquíssimos filmes que entraram em cartaz ultimamente. Bem, em comparação com as férias de junho/julho do ano passado, esta vence, já que na época, em virtude da Copa, as férias não duraram nem ao menos um mês. Mas eu queria ter saído mais. No fim de tudo, passou tão rápido. Enfim, foi o que teve pra hoje. Espero que o próximo recesso de dezembro/janeiro, que é bem mais longevo, me renda o mesmo que as últimas férias de dezembro/janeiro renderam, já que foram ótimas. Elas sempre são. 

E chegamos ao segundo semestre de 2015. Tomara que ele passe bem rapidinho. Mas, mesmo nesse melancolia toda, até que fico feliz por voltar ao meu cotidiano. Mesmo que as férias sejam tão ótimas, se afastar do dia-a-dia não é a minha pretensão, e talvez nem será. Fechando as minhas férias, que ainda não se encerraram ao todo, vejo este belo drama estrelado por Johnny Depp, e dirigido pelo grande Michael Mann, cheio de atrativos e uma natural competência, mas que não escapa das imperfeições. Inimigos Públicos, filme que há muito tempo andava em meus pensamentos, de todo não é um filme ruim. Até que é legalzinho. As sequências de ação são lindíssimas, as performances, manejadas e feitas por um elenco afiadíssimo, são graciosamente espetaculares, e a reprodução técnica da época em que o filme ambienta-se não pode, ao todo, ser resumida num único adjetivo senão relatada meticulosamente, o que eu farei em breve.

A história real do assaltante de bancos John Dillinger é recontada com maestria em Inimigos Públicos. Desde a planejada-com-esperteza fuga da prisão de John até os momentos finais de sua carreira como assaltante, Inimigos Públicos faz uma detalhada e sensível revisão. O que se ausentou aqui em Inimigos Públicos, especialmente na hora da narração, foi o clímax. Quando ele surge, surge do nada e às vezes causa transtornos para o espectador, criando confusão e, em seguida, caos. Os movimentos ágeis e repentinos da câmera também contribuem para esse clímax invertido, algo que, se por um lado contribui, dando ao filme um aspecto mais realista, por conta da dimensão fotográfica, até "futurista", nesse outro nem tanto. 

Embora não seja superficial, Inimigos Públicos deixa uma impressão de que é. E isso incomoda um pouco, por que no fundo não é um filme ruim, mas parece que ele mesmo se esforça ao máximo para ser, e não consegue, o que é bem estranho, convenhamos. Tiro, porrada e bomba mata a sede do público por ação e adrenalina, mas não cala o desejo de ver uma trama de qualidade na tela. Não que Inimigos Públicos não tenha uma boa trama. Mas eu sinto que falta só um pouco de força nela - a timidez da narrativa, que aparenta estar apenas destinada a tomar conta dos fragmentos estéticos do longa, complica -. 

Bem, pra quem desconhece o paradeiro de Dillinger, como eu, que até ver o filme igualmente não sabia nada sobre o caso, o desfecho da história e o final, centralmente, poderão ser bem intensos e surpreendentes. Johnny Depp tem uma baita participação nisso. O ator, em uma performance desoladora e realmente corajosa, vence mais uma vez os obstáculos existentes em fazer personagens históricos (clichês, falta de retrato e conexão com a realidade, superficialidade) e nos convence, como sempre, da autenticidade de seu talento e sua unicidade artística. E, como descontração para a extrema violência do trabalho de John e seus audaciosos e perigosos planos, temos a lindíssima Marion Cotillard contracenando com ele, fazendo seu par romântico perfeito, que oferece à criminosa história um quê amoroso, que conforta e, por sua vez, simboliza a única paz de John.

A trilha sonora do vencedor do Oscar Elliot Goldenthal, sem medo, traça um clima de fúria e tensão a todo instante no longa. Isso contribui para a profundidade épica do filme, que toma espaço nos arredores de Chicago da década de 30, durante a Grande Depressão. A fotografia de Dante Spinotti, que, como eu já descrevi, tem uma baita importância aqui em Inimigos Públicos, e coloca o público à frente da situação, como se nós estivéssemos presenciando cada segundo, cada movimento, cada tiroteio, gravado pela película. E isso é o melhor dessa fotografia empenhada e fabulosa. Os figurinos, os cenários, o som... Tudo é controlado com cautela e talento pelas mãos excepcionais de Michael Mann, que já apresentou trabalhos maravilhosos como Fogo Contra Fogo, Miami Vice, Falcão Negro em Perigo O Informante, traz na tela mais um trabalho prazeroso que, se não corresponde totalmente às expectativas quanto à ele, pelo menos é um retrato bem feito de um crime e o homem por trás dele, Dillinger.

Inimigos Públicos (Public Enemies)
dir. Michael Mann - 

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