sábado, 7 de setembro de 2019

ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD (2019)


A sessão do novo filme do Tarantino é uma das mais especiais em um bom tempo. Provavelmente a melhor sessão que eu tive a chance de ir nesse ano, até agora. Assistir ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD é alucinante. É um daqueles filmes que, quando visto numa sala de cinema, assim que a gente sai fica num estado de torpor, meio intoxicado, querendo guardar aquela sessão numa caixinha. Por isso o que eu vou escrever está mais relacionado em registrar isso do que qualquer outra coisa.

Retornando a Los Angeles em 1969, o diretor pega carona na rotina de alguns personagens que transitam pela cidade que respira cinema, personagens fictícios ou também pessoas reais, sem mostrar exatamente grandes acontecimentos até que as vidas desses personagens se entralaçam. Uma jovem atriz em ascenção, um ator de televisão temendo a decadência e seu dublê/valet, hippies que fazem parte de uma sinistra gangue que mora numa cidade cinematográfica abandonada... a surpresa é justamente a escolha de Tarantino em contornar o dia-a-dia de cada um desses personagens, para construir sua viagem a 1969, uma viagem que só o cinema poderia proporcionar tão latente e desnorteante assim.

Me peguei pensando em outros filmes desse homem e no prazer que esses filmes me proporcionaram, pensando em revê-los. O revisionismo, uma marca registrada do cinema tarantinesco, encontra-se forte, e novamente traz consigo todos aqueles sentimentos, não apenas em canções, imagens, caracterizações, mas também com a intenção de canalizar o cinema para resgatar o passado, e todas as suas particularidades. Isso não é novidade quando o assunto é Tarantino, mas a reinvenção, com nuances que até sinalizam certa maturidade, está na forma, que é explorada com muita paixão e proximidade, e o tratamento com os personagens desse mundo.

As obsessões de Tarantino estão de volta, só que agora num filme que direciona todas elas para registrar, também, o amor pelo cinema. E o fascínio pelo gesto de revisitar. É irmão de BASTARDOS INGLÓRIOS porque enxerga nos filmes, também, o poder de reconstrução. E porque é tão incrível quanto ele, e outros também, À PROVA DE MORTE, JACKIE BROWN, os dois KILL BILL. Amei ERA UMA VEZ EM... HOLLYWOOD porque me fez sentir que é cinema de verdade a sessão todinha, coisa que não me acontecia numa sala de cinema há um bom tempo. Me vez viajar pra 69, encantado com um regresso totalmente feito da relação entre cinema e memória. Os atores estão excelentes, não digo apenas o estelar trio principal, mas também todos os outros destaques que deixam o filme ainda mais inesquecível e especial.

Tenso, surpreendente e deslumbrante... é mais uma carta de amor saudosista de Tarantino ao cinema, desta vez um pouco mais sentimental, mas na dose certa. Filme feito para celebrar a tradição, e todos os sentimentos que podem caber dentro de uma sala de cinema. Já quero rever.

Era Uma Vez Em... Hollywood 
Once Upon a Time in... Hollywood
dir. Quentin Tarantino
★★★

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