segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

GLOBO DE OURO 2019


Foi a edição mais estranha do Globo de Ouro em muito tempo — o que é bastante inusual, porque esse prêmio costuma ser uma das festas mais e badaladas lá em Hollywood, e nem sempre pode-se dizer que decepciona, seja na qualidade do evento ou na entrega dos prêmios. Dessa vez foi diferente. A decisão de mudar o padrão dos apresentadores, que até então eram quase sempre comediantes, e colocar Sandra Oh e Andy Samberg, resultou numa noite de muitos esforços dos dois para tirar risos da plateia e tentar fazer piadas e comentários sem entrar no mérito político — outro ponto muito curioso, visto que a apresentação desse evento tem sempre algum deboche político e muitos comentários, e ontem as coisas foram bem mais contidas nesse aspecto, justamente no contrário do que muitos apresentadores costumavam fazer (e eles já tinham avisado que foram "proibidos" de comentar sobre política). Apesar de tudo, um momento e outro se salvava, e nós tivemos uma dupla no mínimo interessante, que soube se esforçar bem pra manter o ritmo da cerimônia. 

Não foi só nesse ponto que tivemos um Globo de Ouro esquisito. A entrega dos prêmios também foi pra lá de estranha. Pelo menos pra mim, que não esperava que eles iriam dar para Bohemian Rhapsody os prêmios principais pelos quais eu achei que havia sido indicado só pra encher a categoria. A surpresa de Rami Malek sair na frente de Bradley Cooper só não foi maior que a surpresa do filme passar na frente de grandes produções e conquistar Melhor Filme, prêmio que era esperado para Nasce uma Estrela ou Pantera Negra, e ainda tinha os filmes Infiltrado na Klan e Se a Rua Beale Falasse como concorrentes fortes. Bem, vai saber o que foi que resultou nisso.

Em comédia, os prêmios foram mais equilibrados, e talvez previsíveis também. Green Book, filme de Peter Farrelly, foi o grande vencedor de Melhor Filme, e também levou pra casa os prêmios de Ator Coadjuvante (Mahershala Ali, esnobado em 2017 por Moonlight) e Roteiro. Não era de se estranhar, pois o filme realmente cresceu bastante e está até mais cotado para o Oscar como uma aposta mais forte para o prêmio principal. 

Olivia Colman levou sua segunda estatueta pra casa por A Favorita, e fez um discurso tão empolgado que dá até mais vontade de conferir o longa, que foi reconhecido só nessa categoria. O mesmo se diz de Vice, o mais indicado da noite, que teve Christian Bale ganhando Melhor Ator por interpretar Dick Cheney. 

Regina King fez o discurso mais empoderado da noite, falando que qualquer trabalho em que ela estivesse envolvida teria 50% de sua equipe composta por mulheres, e convidou pessoas de todas as indústrias, não só a cinematográfica ou televisiva, a se desafiarem a fazer o mesmo. 

A categoria de Melhor Atriz, uma das mais imprevisíveis, decidiu fazer justiça, e abraçou a vitória da tão prestigiada Glenn Close, agora mais perto do seu primeiro Oscar, pelo drama A Esposa. Close estava muito surpresa em receber o prêmio, e foi aplaudida de pé em diversos momentos do seu discurso, inclusive quando falou que as mulheres deveriam seguir os seus sonhos e buscar suas realizações pessoais. Alfonso Cuarón subiu ao palco duas vezes para receber os prêmios de Roma, que manteve o favoritismo mesmo esnobado na categoria principal (e que bom né?).

Nos prêmios de televisão, muitos trabalhos foram reconhecidos, e as escolhas foram bastante diversas, dando reconhecimento para projetos diferentes e outros nem tão reconhecidos ou famosos assim. Pelas críticas que eu li no Twitter durante a apresentação (e para quem já tinha acompanhado os vencedores) muitos resultados desapontaram, mas nós tivemos a série de Ryan Murphy vitoriosa de novo como em outros anos, a apresentadora Sandra Oh ganhou um segundo Globo de Ouro e agradeceu aos pais, que estavam presentes na cerimônia.

Rachel Brosnahan ganhou mais um prêmio na mesma categoria pelo 2º ano consecutivo, a minissérie inglesa A Very English Scandal (que eu já comecei a baixar ontem à noite) teve Ben Whishaw vitorioso em ator coadjuvante, e Hugh Grant esnobado. A lista de vencedores também teve Michael Douglas e Patricia Arquette, enquanto uma das vitórias mais celebradas por mim foi a de Patricia Clarkson, uma atriz que parece sempre estar sendo subestimada nos trabalhos que faz, ganhando seu primeiro prêmio pela minissérie Sharp Objects (e apenas a segunda indicação). Merecido!

Entre os homenageados da noite, estavam o ator Jeff Bridges, lembrado pelo conjunto da obra como um dos mais prolíficos e respeitados intérpretes do cinema norte-americano, e com uma carreira recheada de filmes memoráveis e parcerias com os maiores dos cineastas. E, do outro lado, tivemos o prêmio honorário inaugural para figuras da televisão, entregue para a lenda da TV americana Carol Burnett e batizado com o nome da atriz. Foram dois momentos bastante agradáveis da cerimônia, com uma demonstração de respeito para duas estrelas queridíssimas em Hollywood. 

Enfim... filmes como Infiltrado na Klan, Pantera NegraPodres de Ricos e O Retorno de Mary Poppins não levaram sequer um prêmio pra casa. Foi uma cerimônia esquisita, mas não por isso esquecível. Teve seus momentos de prestígio e outros nem tão dignos assim, mas faz parte do prêmio. Alguns concorrentes saem mais fortalecidos para disputar outros prêmios? Provável que sim, mas esperamos que outros possam ser reconhecidos também. Nesse ano, até a estatueta do prêmio foi transformada: agora é toda dourada, e também mudou de tamanho, pela primeira vez em anos. Apesar de ter perdido um pouco do brilho do outro troféu, o design é bonito e há algum charme também, e felizmente o prêmio ficou maiorzinho. Com tantas vitórias disparadas, vamos ver como alguns candidatos vão chegar lá no Oscar...


CINEMA

MELHOR FILME — DRAMA
Bohemian Rhapsody

MELHOR FILME — COMÉDIA OU MUSICAL
Green Book

MELHOR DIRETOR
Alfonso Cuarón — Roma

MELHOR ATOR — DRAMA
Rami Malek — Bohemian Rhapsody

MELHOR ATRIZ — DRAMA
Glenn Close — A Esposa

MELHOR ATOR — COMÉDIA OU MUSICAL
Christian Bale — Vice

MELHOR ATRIZ  COMÉDIA OU MUSICAL
Olivia Colman A Favorita

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali — Green Book

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King — Se a Rua Beale Falasse

MELHOR ROTEIRO
Green Book

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Roma (México) — Alfonso Cuarón

MELHOR ANIMAÇÃO
Homem-Aranha no Aranhaverso

MELHOR TRILHA SONORA
O Primeiro Homem — Justin Hurwitz

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Shallow", do filme Nasce uma Estrela

TELEVISÃO

MELHOR SÉRIE — Drama
The Americans

MELHOR SÉRIE — Comédia ou Musical
O Método Kominsky

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
 The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE — Drama
Sandra Oh — Killing Eve

MELHOR ATOR EM SÉRIE — Drama
Richard Madden — Segurança em Jogo

MELHOR ATRIZ EM SÉRIE — Comédia ou Musical
Rachel Brosnahan — Maravilhosa Sra. Maisel

MELHOR ATOR EM SÉRIE — Comédia ou Musical
Michael Douglas — O Método Kominsky

MELHOR ATRIZ — Minissérie ou Telefilme
Patricia Arquette — Escape at Dannemora

MELHOR ATOR — Minissérie ou Telefilme
Darren Criss — The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM TELEVISÃO
Patricia Clarkson — Sharp Objects

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM TELEVISÃO
Ben Whishaw — A Very English Scandal


Nenhum comentário:

Postar um comentário