domingo, 17 de março de 2019

Lumière de Ouro 2018 — Melhores do Ano


Aqui está o meu "Oscar pessoal" em sua quinta edição, com os meus votos para os melhores do ano no cinema em todos os aspectos. Decidi listar ambos os indicados e os vencedores no mesmo post. Aqui estão eles:

Regras de elegibilidade: filmes lançados comercialmente ou streaming durante o ano de 2018.
Mudanças: categorias de direção e elenco passam a ter um indicado a mais (sendo assim, seis indicados) e a categoria de melhor filme passa a ter 10 indicados. A categoria com mais indicados é melhor cena, com 12 selecionados.


FILME

Me Chame pelo seu Nome
Deixe a Luz do Sol Entrar
O Dia Depois
Feliz como Lázaro
Infiltrado na Klan
Mudbound
Ponto Cego
Projeto Flórida 
Roma
Trama Fantasma

DIREÇÃO

Alfonso Cuarón, Roma
Alice Rohrwacher, Feliz como Lázaro
Claire Denis, Deixe a Luz do Sol Entrar
Luca Guadagnino, Me Chame pelo seu Nome
Paul Thomas Anderson, Trama Fantasma
Spike Lee, Infiltrado na Klan

ATOR

Adriano Tardiolo, Feliz como Lázaro
Bradley Cooper, Nasce uma Estrela
Daniel Day-Lewis, Trama Fantasma
Daveed Diggs, Ponto Cego
Timothée Chalamet, Me Chame pelo seu Nome
Tracy Letts, Os Amantes

ATRIZ

Charlize Theron, Tully
Karine Teles, Benzinho
Juliette Binoche, Deixe a Luz do Sol Entrar
Saoirse Ronan, Lady Bird
Vicky Krieps, Trama Fantasma
Viola Davis, As Viúvas

ATOR COADJUVANTE

Rafael Casal, Ponto Cego
Jesse Plemons, A Noite do Jogo
Jonah Hill, A Pé Ele Não Vai Longe
Laurence Fishburne, A Melhor Escolha
Michael Shannon, A Forma da Água
Willem Dafoe, Projeto Flórida

ATRIZ COADJUVANTE

Alba Rohrwacher, Feliz como Lázaro
Carey Mulligan, Mudbound
Laurie Metcalf, Lady Bird
Leslie Manville, Trama Fantasma
Kim Min-Hee, O Dia Depois
Millicent Simmonds, Sem Fôlego

CENA

A festa/revelação e beijo — Trama Fantasma
Mãe e filha no carro — Lady Bird
Sinal vermelho — Ponto Cego
Encontro no hospital — Três Anúncios para um Crime
Sequência final — A Forma da Água
O nascimento de uma nação — Infiltrado na Klan
A praia — Roma
A primeira noite — Me Chame pelo seu Nome
At Last — Deixe a Luz do Sol Entrar
Juntas na sinagoga — Desobediência
Lázaro reencontra a irmã — Feliz como Lázaro
O regresso do filho — Mudbound
Dança ao pôr-do-sol — Em Chamas

ELENCO

Feliz como Lázaro
Infiltrado na Klan
Lady Bird
Mudbound
Trama Fantasma
Três Anúncios para um Crime

ROTEIRO ORIGINAL

A Câmera de Claire, Hong Sang-Soo
O Dia Depois, Hong Sang-Soo
Lady Bird, Greta Gerwig
Ponto Cego, Daveed Diggs & Rafael Casal
Trama Fantasma, Paul Thomas Anderson

ROTEIRO ADAPTADO

Me Chame pelo seu Nome, James Ivory
Desobediência, Sebastián Lelio e Rebecca Lenkiewicz
Infiltrado na Klan, Charlie Wachtel, David Rabinowitz, Kevin Willmott e Spike Lee
Mudbound, Dee Rees e Virgil Williams
Pantera Negra, Ryan Coogler e Joe Robert Cole

TRILHA

A Câmera de Claire — Dalpalan
A Forma da Água — Alexandre Desplat
Infiltrado na Klan — Terrence Blanchard
Sem Fôlego — Carter Burwell
Trama Fantasma — Jonny Greenwood

CANÇÃO
(EMPATE)

"Mighty River" — Mudbound
"Mystery of Love" — Me Chame Pelo Seu Nome
"I'll Never Love Again" — Nasce uma Estrela
"Shallow" — Nasce uma Estrela
"Visions of Gideon" — Me Chame Pelo Seu Nome

ANIMAÇÃO

Ilha dos Cachorros (Wes Anderson)
Neste Canto do Mundo (Sunao Katabuchi)
Paddington 2 (Paul King)
Viva: A Vida é uma Festa (Lee Unkrich)

DOCUMENTÁRIO

Dawson City: Frozen Time (Bill Morrison)
O Outro Lado do Vento (Orson Welles)
O Processo (Maria Augusta Ramos)
Visages Villages (Agnès Varda & JR)
Whitney (Kevin Macdonald)

FOTOGRAFIA
(EMPATE)


Trama Fantasma
Me Chame Pelo Seu Nome
Sem Fôlego
Deixe a Luz do Sol Entrar
Nasce uma Estrela

MONTAGEM

Em Chamas
Infiltrado na Klan
Roma
O Passageiro
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

DIREÇÃO DE ARTE

Trama Fantasma
The Post
A Forma da Água
Sem Fôlego
Roma

FIGURINO

Pantera Negra
A Forma da Água
Trama Fantasma
Roma
Sem Fôlego

SOM

Pantera Negra
O Primeiro Homem
Nasce uma Estrela
Roma
Você Nunca Esteve Realmente Aqui

EFEITOS VISUAIS

Pantera Negra
O Primeiro Homem
A Forma da Água
Ilha dos Cachorros
Paddington 2

MAQUIAGEM

A Forma da Água
O Destino de uma Nação
Pantera Negra
A Morte de Stalin
Sem Fôlego

DIRETOR ESTREANTE

Aneesh Chaganty — Buscando
Bradley Cooper — Nasce uma Estrela
Carlos López-Estrada — Ponto Cego
John Krasinski — Um Lugar Silencioso
Xavier Legrand — Custódia

TOTAL DE PRÊMIOS:

6 — Trama Fantasma
3 — Infiltrado na Klan
2 — Mudbound, Nasce uma EstrelaPonto Cego
1 — A Forma da Água, Sem Fôlego, Pantera Negra, Lady Bird, Projeto Flórida, Visages VillagesDeixe a Luz do Sol Entrar, Ilha dos Cachorros

terça-feira, 5 de março de 2019

OSCAR 2020: APOSTAS ANTECIPADAS


FILME

The Irishman
Little Women
It's a Beautiful Day in the Neighborhood
Once Upon a Time in Hollywood
Ad Astra
Us
Toy Story 4
The Report
Star Wars: Episode IX
The Woman in the Window


possíveis

Lion King
Harriet
The Laundromat
The Last Thing He Wanted
Where'd You Go, Bernadette?
The Last Black Man in San Francisco
The Goldfinch
Dumbo
1917
Rocketman
High Life
Gemini Man
Clemency
The Souvenir
Midsommar
Dolor y Gloria
Yesterday
Ford v. Ferrari

DIREÇÃO

Martin Scorsese, The Irishman
Greta Gerwig, Little Women
Marielle Heller, It's a Beautiful Day in the Neighborhood
Jordan Peele, Us
James Gray, Ad Astra


possíveis:

Steven Soderbergh, The Laundromat
Quentin Tarantino, Once Upon a Time in Hollywood
Joe Wright, The Woman in the Window
Scott Z. Burns, The Report
Dee Rees, The Last Thing He Wanted

ATOR

Tom Hanks, It's a Beautiful Day in the Neighborhood
Adam Driver, The Report
Robert De Niro, The Irishman
Leonardo DiCaprio, Once Upon a Time in Hollywood
Taron Egerton, Rocketman

possíveis

Gary Oldman, The Laundromat
Christian Bale, Ford v. Ferrari
Ansel Elgort, The Goldfinch
Joaquin Phoenix, Joker
Brad Pitt, Ad Astra

ATRIZ

Cynthia Erivo, Harriet
Saoirse Ronan, Little Women
Amy Adams, The Woman in the Window
Cate Blanchett, Where'd You Go, Bernadette?
Natalie Portman, Lucy in the Sky

possíveis

Julianne Moore, Gloria Bell
Lupita Nyong'o, Us
Jessica Chastain, Seducing Ingrid Bergman
Anne Hathaway, The Last Thing He Wanted
Emma Thompson, Late Night

ATOR COADJUVANTE

Al Pacino, The Irishman
Joe Pesci, The Irishman
Timothée Chalamet, Little Women
Jon Hamm, The Report
Gary Oldman, The Woman in the Window

possíveis

Bob Odenkirk, Little Women
Willem Dafoe, The Last Thing He Wanted
Brad Pitt, Once Upon a Time in Hollywood
Matthew Rhys, It's a Beautiful Day in the Neighborhood
Tommy Lee Jones, Ad Astra

ATRIZ COADJUVANTE

Annette Bening, The Report
Meryl Streep, Little Women (ou The Laundromat)
Margot Robbie, Once Upon a Time in Hollywood
Julianne Moore, The Woman in the Window
Ruth Negga, Ad Astra

possíveis

Charlize Theron, Fair and Balanced
Rosie Perez, The Last Thing He Wanted
Nicole Kidman, The Goldfinch
Anna Paquin, The Irishman
Bryce Dallas Howard, Rocketman


Apostas iniciais para a corrida do ano que vem. Devemos ver na corrida os novos filmes de Scorsese, Tarantino, Soderbergh, Wright, Mendes (já veteranos no Oscar), Peele, Gerwig, Heller, Rees (que estiveram em corridas recentes) e quem sabe James Gray e Tim Burton, dois cineastas subestimados nos prêmios, que tem seus filmes novos programados para estrear em 2019. Vamos ver quais desses filmes continuarão prediletos ao Oscar daqui a um tempo.

Apostas dos anos anteriores:

Oscar 2016
Oscar 2017
Oscar 2019

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

A FAVORITA (2018)


O nome do grego Yorgos Lanthimos ascendeu quando seu filme Dente Canino fez um sucesso em Cannes (ganhou o prêmio Um Certo Olhar) e depois figurou entre os cinco finalistas a Melhor Filme Estrangeiro no Oscar 2011. Dono de um cinema bem particular, ganhou mais destaque com o recente O Lagosta (seu primeiro filme falado em inglês) e agora com o seu mais elogiado trabalho, A Favorita, drama épico centrado na relação de amor, discórdia, inimizade e loucura, repleta de intrigas, entre a rainha Anne da Inglaterra (Olivia Colman) e as mulheres mais próximas a ela: a duquesa de Marlborough (Rachel Weisz) e uma empregada recém-chegada ao palácio e prima desta última, Abigail (Emma Stone).

Os filmes de Yorgos transitam pelo que há de bizarro na nossa condição, explorando com sarcasmo e deboche (às vezes em quantidades exacerbadas) o horror e o humor que surgem das situações humanas. A ironia, ácida ou desmedida, vem para reforçar os sentimentos de chacota e desprezo que o cineasta evoca com personagens excêntricos que inspiram desde antipatia até vulgaridade. A Favorita segue esse padrão de deturpar personagens tão detestáveis do mundinho de Lanthimos, mas o resultado é surpreendentemente bom quando vemos que o estilo dele, quase misantrópico, casa perfeitamente com o subgênero dos filmes épicos de reis e rainhas, proporcionando um frescor que há tempos não víamos nesse tipo de história.

O equilíbrio é fundamental, o cuidado pela forma é tamanho que torna esse o mais bem realizado filme do grego (figurinos, fotografia e cenários impecáveis), e o trio de performances incrivelmente poderosas de Olivia Colman (agora vencedora de um Oscar, sendo ela a melhor daqui do elenco, com uma atuação arriscada e muito bem arquitetada, cheia de momentos tensos), Rachel Weisz e Emma Stone (igualmente admiráveis), com suas personagens enlouquecidas, esdrúxulas, às vezes irritantes, deslocadas, mas que parecem conter mais humanidade do que Yorgos permitiria a seus personagens, dão ao filme o seu aval de importância e maestria, que, alados ao autorismo de Lanthimos, fazem dele um trabalho tão incomum quanto original.

Insano, divertido e pra lá de esquisito, como todo filme de Yorgos, A Favorita pode não ser sua obra-prima, mas é certamente seu trabalho mais bem-feito. Furiosamente sarcástico e sem limites, traz um olhar drástico e rude sobre as mordomias, peripécias, segredos e podres da realeza, com a devida parcela de esquisitices e vilezas que um olhar afiado exige, sem nunca sair da pose, com seus planos muito rígidos, quase coreografados de tão simétricos, e precisamente vertiginosos, para nos sentirmos na pele daquelas mulheres tão perturbadas. E muitas cenas ficam grudadas no nosso pensamento.

A Favorita
The Favourite
dir. Yorgos Lanthimos
★★★★

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

OSCAR 2019 (91st Academy Awards)


Por incrível que pareça, esse não foi um Oscar ruim não. De controversa, ficam escolhas para prêmios principais bem chocantes, algumas injustas, mas nada muito longe do que o Oscar já fez em edições anteriores. Ficam os reconhecimentos a trabalhos importantes e outros mais polêmicos, e também justiças que acabaram salvando o prêmio, que apesar de tudo fica bem longe de ser um fiasco. Eu acompanho o Oscar desde 2013, e a tradição de assistir a cerimônia veio em 2014 (a primeira que eu assisti por inteiro, no sofá de casa). Até então, nunca vi uma cerimônia terminar após pouco mais de três horas de duração, o que se dá pela falta de um host (Kevin Hart, cotado ano passado, foi rebaixado por conta de comentários homofóbicos) e também por uma condução mais ágil da cerimônia, sem muitas daquelas enrolações que estamos acostumados a ver (e até os comerciais parecem ter sido mais curtos). 

Começo falando sobre a primeira vitória de Spike Lee (um dos mais importantes cineastas americanos ever, nem preciso falar) que só veio ser reconhecido nessa edição, ganhando por escrever o roteiro de Infiltrado na Klan, esnobado em direção e filme.  Ovacionado de pé, Spike foi celebrado no mais justo momento da noite, lembrando que o filme dele era o melhor concorrente dessa edição. E o seu discurso foi mais que poderoso. Poucos minutos antes, o roteiro de Green Book, um dos mais populares e criticados dos indicados desse ano, levou como roteiro original, e mais tarde se consagraria como Melhor Filme, esnobando outros dois títulos bem mais merecedores (Infiltrado na Klan e Pantera Negra) que não só são filmes mais qualificados como também tratam melhor das questões raciais que Green Book almejou tocar, de uma forma mais prática, não exatamente precisa.

Enfim, bem estranho uma das cerimônias mais diversificadas em muito tempo (algo visto em seu grupo de apresentadores) e com tantos filmes premiados sobre o empoderamento negro e tratando de questões raciais e étnicas bem relevantes dar o maior prêmio da noite para a equipe de produtores e diretor brancos do Green Book, que fala sobre racismo de uma forma bem superficial. Mas, de qualquer maneira, era um vencedor previsível, a surpresa foi a esnobação de outros grandes concorrentes bem mais potentes.

Roma é um deles. E se o filmão de Alfonso Cuarón não saiu vitorioso na categoria em que era favorito quase implacável, pelo menos levou três estatuetas pra casa (todas para Cuarón) incluindo fotografia, filme estrangeiro (a primeira pro México) e direção (fazendo dele o primeiro cineasta a receber o prêmio por um filme completamente estrangeiro, e falado em língua estrangeira, em 91 anos de Oscar). Com o mesmo número de prêmios, Pantera Negra foi ovacionado de pé em todas as suas conquistas, inclusive pela premiação das primeiras mulheres negras a vencerem em categorias técnicas como figurino (Ruth E. Carter, em sua terceira indicação) e design de produção (Hannah Beachler), dando uma noção do quanto foi uma obra impactante pros padrões de Hollywood.

No começo da cerimônia, tivemos uma apresentação massa da banda Queen, em parceria com Adam Lambert. A plateia ficou eufórica. Logo em seguida, subiram ao palco Tina Fey, Amy Poehler e Maya Rudolph, e já foram avisando que não estavam ali para apresentar a cerimônia como muitos estavam imaginando, mas para apresentar uma categoria. Elas acabaram meio que sendo uma versão de hosts, afinal, as três são ótimas comediantes, e fizeram uma curta apresentação mais decente que tantas outras que o Oscar já teve.

Falemos das estrelas. O primeiro prêmio da noite foi para Regina King, dona de uma elogiada performance em Se a Rua Beale Falasse. Ela, que estava há quase 10 anos sem atuar no cinema, ficou emocionada e deu um dos discursos mais tocantes da noite. Em seguida, a interpretação de Mahershala Ali foi premiada (o segundo Oscar do homem). Rami Malek, já favorito a melhor ator, lembrou suas origens de imigrante e fez um discurso com aceno à diversidade. Não foi lá merecido porque a maioria dos atores da categoria estavam beeeem melhores, como o Bradley Cooper, e lembremos que a atuação do Malek é pra lá de irregular. E, por fim, a maior surpresa da cerimônia, que até me fez tremer, foi o Oscar de Olivia Colman, de A Favorita, que ficou extremamente emocionada ao receber o prêmio, fazendo um discurso tenro e bastante comovido. Foi inesperadamente merecido porque a atuação dela é a melhor das cinco. Em sua sétima indicação ao prêmio, Glenn Close (a então favorita) foi esnobada de novo, e até a própria Olivia mencionou isso quando foi receber o Oscar. Por melhor que Olivia esteja, a vitória de Close já era aguardada e faria justiça ao legado de quem já entregou algumas das maiores atuações de todas, e que continua subestimada no Oscar. De partir o coração. Mas, enfim, pelo menos esnobaram certo.

Por fora dos prêmios principais, o Oscar estava fazendo escolhas mais esperáveis e até mais acertadas do que de outros anos. Aranhaverso ganhou como animação e Free Solo como documentário (embora nesta última meu favorito fosse o lindo Minding the Gap). Terminou que todos os oito indicados a filme saíram pelo menos com 1 prêmio, e Bohemian Rhapsody foi o recordista da noite com 4 vitórias (de 5 indicações). Levando em consideração que é o mais mediano dos concorrentes a filme, foram escolhas estranhas.

Entre os momentos bonitos da noite, figura a apresentação de Bradley Cooper e Lady Gaga cantando em conjunto a belíssima "Shallow", que ganhou (merecidamente) o prêmio de canção. Os dois estavam tão bonitos cantando, que a gente até lembra do quanto o filme é tocante quando fala do amor entre os dois. O provável momento mais lindo da noite, aliás. E a melhor das apresentações musicais, que no geral estavam bem normais. As outras canções não estavam tão empolgantes, mas também não desinteressantes: mornas.

Enfim, esse foi o Oscar 2019. Não muito longe do que já se fez antes, mas com resultados que desapontaram quem esperava um pouco mais de justiça, mudança, ares novos, e por outro lado alegre se formos ver que essa deve ter sido a premiação mais diversificada em anos em termos de participação. A Academia ainda precisa melhorar no aspecto dos resultados, e também o próprio show precisa de uma organização mais à altura. Fica claro que o prestígio por obras de um teor mais político e que tenham mensagens voltadas para esse ponto ganharam a cerimônia, mas outra questão a ser relevada é a transformação política dentro da própria Academia, e o que eles querem para o show. A edição que abriu as portas para a Marvel e a Netflix, mas acabou dando atenção para o mais tradicional dos indicados. Enfim, curioso e polêmico. Uma tendência a inovar e, ao mesmo tempo, premiar fórmulas? De todo o mais, foi uma edição interessante, e que fica no nosso pensamento, inclusive se formos levar em consideração as justiças que foram feitas.


MELHOR FILME
Green Book

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón — Roma

MELHOR ATOR
Rami Malek — Bohemian Rhapsody

MELHOR ATRIZ
Olivia Colman — A Favorita

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali — Green Book

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King — Se a Rua Beale Falasse

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Green Book (Peter Farrelly, Nick Vallelonga & Brian Currie)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Infiltrado na Klan (Spike Lee, Kevin Willmott, David Rabinowitz & Charlie Wachtel)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Roma — México (dir. Alfonso Cuarón)

MELHOR ANIMAÇÃO
Homem-Aranha: no Aranhaverso (Bob Persichetti, Peter Ramsey, Rodney Rothman, Phil Lord & Christopher Miller) 

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Free Solo (Elizabeth Chai Vasarhelyi, Jimmy Chin, Evan Hayes & Shannon Dill)

MELHOR TRILHA SONORA
Pantera Negra (Ludwig Göransson)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Shallow", de Nasce uma Estrela
(Lady Gaga, Mark Ronson, Anthony Rossomando & Andrew Wyatt)

MELHOR FOTOGRAFIA
Roma (Alfonso Cuarón)

MELHOR MONTAGEM
Bohemian Rhapsody (John Ottman)

MELHOR FIGURINO
Pantera Negra (Ruth E. Carter)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Pantera Negra (Hannah Beachler & Jay Hart)

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Vice (Greg Cannom, Kate Biscoe & Patricia Dehaney)

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Bohemian Rhapsody (John Warhurst & Nina Hartstone)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Bohemian Rhapsody (Paul Massey, Tim Cavagin & John Casali)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Primeiro Homem (Paul Lambert, Ian Hunter, Tristan Myles & J. D. Schwalm)

MELHOR CURTA — DOCUMENTÁRIO
Period. End of Sentence. (Rayka Zehtabchi & Melissa Berton)

MELHOR CURTA — LIVE-ACTION
Skin (Guy Nattiv & Jaime Ray Newman)

MELHOR CURTA — ANIMAÇÃO
Bao (Domee Shi & Becky Neiman-Cobb)

sábado, 23 de fevereiro de 2019

FILM INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2019


MELHOR FILME
Se a Rua Beale Falasse

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins — Se a Rua Beale Falasse

MELHOR ATOR
Ethan Hawke — First Reformed

MELHOR ATRIZ
Glenn Close — A Esposa

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Richard E. Grant — Poderia Me Perdoar?

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Regina King Se a Rua Beale Falasse

MELHOR ROTEIRO
Poderia Me Perdoar? (Nicole Holofcener & Jeff Whitty)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Roma, México — dir. Alfonso Cuarón

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Won't You Be My Neighbor? — dir. Morgan Neville

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
Oitava Série (Bo Burnham)

MELHOR FOTOGRAFIA
Suspiria (Sayombhu Mukdeeprom)

MELHOR EDIÇÃO
Você Nunca Esteve Realmente Aqui (Joe Bini)

MELHOR FILME DE ESTREIA
Sorry to Bother You (dir. Boots Riley)

prêmios especiais

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
(produções com um orçamento inferior a 500,000 dólares)
En El Séptimo Dia (dir. Jim McKay)A

PRÊMIO ROBERT ALTMAN
(entregue à equipe conjunta de um filme)
diretor e elenco de Suspiria

PRÊMIO SOMEONE TO WATCH
(entregue a diretores promissores)
Alex Moratto (Sócrates)

PRÊMIO BONNIE
(entregue a cineastas mulheres de destaque)
Debra Granik

PRÊMIO TRUER THAN FICTION
(entregue a documentários de destaque)
Minding the Gap (dir. Bing Liu)

Ainda digo que esse prêmio é a versão justa do Oscar. Por isso, pra quem quiser ficar contente com algumas lembranças bem-vindas dos esnobados, esse prêmio sempre acerta uma categoria ou outra. Com três prêmios, Se a Rua Beale Falasse (de Barry Jenkins) foi o grande vencedor da noite, levando inclusive Melhor Filme. Concorre ao Oscar em três categorias e tem boas chances em pelo menos duas delas. 

GREEN BOOK: O GUIA (2018)


Green Book esteve mergulhado em várias polêmicas durante sua passagem pelos principais prêmios de cinema da temporada e o Oscar, e isso veio enfraquecendo suas oportunidades de ser um concorrente forte, ainda que ele permaneça comentadíssimo e favorito a Melhor Filme no Oscar 2019, que acontece amanhã. Não foram apenas as polêmicas exteriores que prejudicaram o longa. Também se falou muito que estaria se tentando entrar no radar dos prêmios com um filme apelativo sobre temáticas raciais, e que o filme é demais básico e inaprofundado quando toca em questões que deveriam ser levadas mais a sério.

Deméritos à parte, é inegável que, apesar de suas falhas, Green Book funciona mais como uma comédia leve, que é a especialidade do seu diretor, um cara que por toda a carreira trabalhou fazendo comédias escrachadas e sucessos comerciais, fracassos críticos. Na maior parte do tempo, o filme tenta falar dos seus problemas com um olhar de conciliação, o que com certeza foi interpretado de maneira mais séria do que ele próprio se enxerga, e realmente, não consegue ser tão expressivo quanto quer, embora produza resultados curiosos para um filme que está mais focado em êxitos mais redondos. Sendo assim, funciona melhor na sua despretensão (os irmãos Farrelly sempre tocaram nas questões das diferenças em suas comédias com um olhar sutil, não irrelevante). 

Falha quando tenta dar conta desse contexto racial com uma certa "seriedade", mas se localiza quando se lança em partes mais dramáticas. Além disso, consegue estabelecer uma conexão no mínimo interessante entre seus dois protagonistas e o clima político/social dos EUA diante das tensões segregacionistas dos anos 60 (Mortensen, como um motorista branco que trabalha para um músico negro fazendo uma turnê pelo Sul do país, interpretado pro Ali, que deve ganhar seu segundo Oscar, ambos estão excelentes, inspirados nas cenas em que contracenam).

Lançando cenas que são mais incisivas do que aparentam, o filme faz um comentário pertinente, mas está mais interessado em romantizar a amizade entre os dois personagens principais, em explorar a ternura dessa relação e seu filtro conciliativo, e que casa perfeitamente com a mensagem que ele quer passar: de que a mesma conciliação que era necessária nos tempos da segregação ainda permanece essencial nos dias de hoje. 

Green Book pode estar longe de ser o filme perfeito, mas consegue ser muito mais humano na sua premissa descompromissada, seguro em sua leveza, inesperadamente simpático apesar das falhas. E, por justamente não adquirir essa ambição de ser o filme completo, ele explora bem o que tem à sua volta, e extrai uma dinâmica deliciosa das suas simplicidades. Concorre ao Oscar em filme, ator principal e coadjuvante, roteiro original e edição. 

Green Book: O Guia
Green Book
dir. Peter Farrelly
★★★

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

NASCE UMA ESTRELA (2018)


Quem diria que esse Nasce uma Estrela se transformaria numa das melhores (se não for a melhor) versão de um clássico do cinema americano que já havia sido adaptado para as telas outras três vezes, sendo a de 2018 a quarta (em 34, de William A. Wellman, em 54, de George Cukor, e em 76, por Frank Pierson). Agora foi a vez de Bradley Cooper assumir as rédeas (como diretor, roteirista, produtor e ator desse novo remake) ao lado da nova estrela, Lady Gaga (no mesmo lugar que outrora foi ocupado por Janet Gaynor, Judy Garland e Barbra Streisand), na trágica história de amor imortalizada em todas essas versões e que voltou a ganhar o público nessa encarnação repleta de frescor. 

Os caminhos de uma garçonete aspirante a estrela da música e um famoso cantor que, embora brilhante nos palcos, leva uma vida problemática, repleta de vícios por fora, se cruzam na noite em que ela canta "La Vie en Rose" num bar gay, quando o homem, quase que incidentalmente, invade o lugar motivado pelo álcool, para se deparar com o talento e a beleza da mulher por quem se apaixonará e, mais tarde, tornará famosa e conhecida, enquanto ele é devorado cada vez mais pelos seus vícios. 

O que torna Nasce uma Estrela tão bonito? O quanto ele é redentor. Cooper, que se revela na direção, esbanja competência quando se arrisca a monumentalizar pequenos gestos e, enquanto ator, se entrega completamente ao seu personagem, um homem corroído, que aparenta estar cansado da própria condição. Cooper o faz com um domínio que só poderia vir de um artista completo, que parece compreender exatamente onde quer chegar e as dimensões desse trabalho. Gaga, como atriz, é misteriosa, dá conta do recado, e traça sua personagem com tamanha originalidade que já justifica os elogios, o equilíbrio entre o musical e o dramático, o controle e a energia que ela cativa. Sem falar nas cenas em que está cantando, com um vozeirão lindo.

A fotografia encontra enquadramentos inspirados, quando tenta fazer jus às presenças e expressões dos dois protagonistas, combinando compaixão e melodrama simultaneamente. Há liberdade tanto para reinventar quanto para reverberar clichês, o que Cooper faz com maestria e dignidade. Seus personagens são tão sentidos, parece que a visão impressa aqui finalmente se encaixa com a história que esse filme carrega. Enfim, Nasce uma Estrela é um filme que promete mexer com a gente, e nos deixa pensando nele mesmo após os créditos, seja com suas canções (a belíssima SHALLOW) e seus vários momentos inesquecíveis, as atuações impecáveis de um elenco pra lá de talentoso, e o coração que fica partido e, ao mesmo tempo, aquecido com tanto amor envolvido numa narrativa humana, intensa e emocionante sobre amor, os momentos em que caímos, os aplausos que recebemos, e a redenção entre um e outro, saber encontrá-la para acentuar a vida.

Nasce uma Estrela
A Star Is Born
dir. Bradley Cooper
★★★★½

Oscar 2019 — APOSTAS FINAIS


FILME



quem vai ganhar: Roma
quem pode ganhar: Green Book
quem pode surpreender: Pantera Negra

meu voto: Infiltrado na Klan

DIREÇÃO



quem vai ganhar: Alfonso Cuarón — Roma
quem pode ganhar: Spike Lee — Infiltrado na Klan
quem pode surpreender: Yorgos Lanthimos — A Favorita

meu voto: Spike Lee — Infiltrado na Klan

ATOR



quem vai ganhar: Rami Malek — Bohemian Rhapsody
quem pode ganhar: Christian Bale — Vice
quem pode surpreender: Bradley Cooper — Nasce uma Estrela

meu voto: Bradley Cooper — Nasce uma Estrela

ATRIZ



quem vai ganhar: Glenn Close — A Esposa
quem pode ganhar: Olivia Colman — A Favorita
quem pode surpreender: Lady Gaga — Nasce uma Estrela

meu voto: Olivia Colman — A Favorita

ATOR COADJUVANTE



quem vai ganhar: Mahershala Ali — Green Book
quem pode ganhar: Richard E. Grant — Poderia Me Perdoar?
quem pode surpreender: Sam Elliott — Nasce uma Estrela

meu voto: Richard E. Grant — Poderia Me Perdoar?

ATRIZ COADJUVANTE



quem vai ganhar: Regina King — Se a Rua Beale Falasse
quem pode ganhar: Rachel Weisz — A Favorita
quem pode surpreender: Amy Adams — Vice

meu voto: Regina King — Se a Rua Beale Falasse

ROTEIRO ORIGINAL



quem vai ganhar: A Favorita
quem pode ganhar: Green Book
quem pode surpreender: Vice

meu voto: First Reformed

ROTEIRO ADAPTADO



quem vai ganhar: Infiltrado na Klan
quem pode ganhar: Se a Rua Beale Falasse
quem pode surpreender: Poderia Me Perdoar?

meu voto: Infiltrado na Klan

FILME ESTRANGEIRO



quem vai ganhar: Roma (México)
quem pode ganhar: Guerra Fria (Polônia)
quem pode surpreender: Cafarnaum (Líbano)

meu voto: Assunto de Família (Japão)

DOCUMENTÁRIO



quem vai ganhar: Free Solo
quem pode ganhar: RBG
quem pode surpreender: Minding the Gap

meu voto: Minding the Gap

ANIMAÇÃO




quem vai ganhar: Homem-Aranha: no Aranhaverso
quem pode ganhar: Ilha dos Cachorros
quem pode surpreender: Incríveis 2

meu votoIlha dos Cachorros

TRILHA SONORA

quem vai ganhar: Se a Rua Beale Falasse
quem pode ganhar: O Retorno de Mary Poppins
quem pode surpreender: Infiltrado na Klan

meu voto: Se a Rua Beale Falasse

CANÇÃO ORIGINAL

quem vai ganhar: "Shallow" de Nasce uma Estrela
quem pode ganhar: "All the Stars", de Pantera Negra
quem pode surpreender: "I'll Fight", de RBG

meu voto: "Shallow", de Nasce uma Estrela

FOTOGRAFIA

quem vai ganhar: Roma
quem pode ganhar: A Favorita
quem pode surpreender: Guerra Fria

meu voto: Roma

MONTAGEM

quem vai ganhar: Vice
quem pode ganhar: Bohemian Rhapsody
quem pode surpreender: A Favorita

meu voto: Infiltrado na Klan

FIGURINO

quem vai ganhar: Pantera Negra
quem pode ganhar: A Favorita
quem pode surpreender: O Retorno de Mary Poppins

meu voto: Pantera Negra

DESIGN DE PRODUÇÃO

quem vai ganhar: A Favorita
quem pode ganhar: Pantera Negra
quem pode surpreender: Roma

meu voto: Roma

MAQUIAGEM E PENTEADOS

quem vai ganhar: Vice
quem pode ganhar: Duas Rainhas
quem pode surpreender: Border

meu voto: Vice

EDIÇÃO DE SOM

quem vai ganhar: Pantera Negra
quem pode ganhar: Bohemian Rhapsody
quem pode surpreenderUm Lugar Silencioso

meu voto: Um Lugar Silencioso

MIXAGEM DE SOM

quem vai ganharBohemian Rhapsody
quem pode ganhar: Roma
quem pode surpreender: Primeiro Homem

meu voto: Roma

EFEITOS VISUAIS

quem vai ganhar: Primeiro Homem
quem pode ganhar: Vingadores: Guerra Infinita
quem pode surpreender: Jogador Nº 1

meu voto: Primeiro Homem


Bom, essas são as minhas apostas ao prêmio mais querido do cinema, que será apresentado neste domingo, dia 24. Estarei comentando aqui no blog a respeito do Oscar 2019, e também pelo meu twitter, que vocês podem encontrar na barra ao lado. 

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

Três indicados ao Oscar 2019


ILHA DE CACHORROS (Isle of Dogs, dir. Wes Anderson, 2018) ★★★★½


O retorno de Wes Anderson às telas depois do sucesso de O Grande Hotel Budapeste veio com um também regresso ao território da animação, onde o americano já havia estado com seu O Fantástico Sr. Raposo. Ilha de Cachorros, por mais estável ou esperável que possa ser, é um filme que deixa uma sensação de que precisa ser revisto, e carrega méritos que já estão praticamente selados no estilo de Anderson. A meticulosidade dos planos, a exatidão dos enquadramentos, a precisão das sequências, e a beleza que surge do namoro entre fotografia e montagem tão bem executados é o que se encontra. Apesar das polêmicas, esse novo trabalho trouxe o frescor de um cineasta que, se não fez um filme para se superar, compôs um belo conto sobre amizade, companhia, união e, novamente, família, com a sensibilidade e humanidade esperada do cara por trás de Moonrise Kingdom e Os Excêntricos Tenenbaums. Foi indicado ao Oscar em melhor filme de animação e trilha sonora. 

HOMEM-ARANHA NO ARANHAVERSO ★★★½
(Spider-Man: Into the Spider-verse, dir. Bob Persichetti, Peter Ramsey & Rodney Rothman, 2018)


É um filme que não deve passar despercebido quando se falar em melhores filmes de super-herói do ano passado. Pantera Negra e o mais recente dos Vingadores provavelmente são os primeiros que vem à cabeça, mas essa nova animação do Homem-Aranha, que caiu no gosto dos críticos, é um destaque não apenas dentro do seu próprio gênero dos desenhos animados mas também como um filme de super-herói em si. Gratificante que a história lide com tantas inovações e permita que uma história mais complexa, ainda que dentro de temáticas mais "jovens", seja dirigida para um público adolescente/infantil. Sem dúvida é o filme mais potente na corrida de Melhor Animação. 

BOHEMIAN RHAPSODY (dir. Bryan Singer, 2018) ★★½


Com exceção da sequência final que, para a surpresa de quem já tinha visto o bastante, consegue ser decente até demais para um filme que faz escolhas pra lá de esquisitas, Bohemian Rhapsody talvez trabalhasse melhor fora desse formato de biopic, que aqui dá a impressão de que há bem pouco (ou nenhum) frescor na narrativa, e as tentativas não conseguem ir muito longe. Embora não tenha sido uma experiência irritante, é um filme com deslizes incômodos, torto, com uma configuração muito prática, batida. Uma comentada e "excêntrica" atuação do Malek, que tenta se equilibrar entre exagero e seriedade, mas que só consegue "funcionar" plenamente quando seu personagem está no palco, soa caricato, sem sal. Não dá pra negar que é estranho ver ele no Oscar, mesmo que dê pra entender um pouco o porque dessa recepção, por mais bizarra que ela seja.

Por mais que todos esses erros possam ser recebidos com aversão, pra quem tem uma certa familiaridade com o trabalho do Queen, o filme, pelo menos, acerta na disposição da trilha musical da banda, incluindo várias canções pra lá de celebradas, além da que deu o nome ao filme, e que podem satisfazer os admiradores, incluídas aqui. Não precisa nem ser fã ou coisa do tipo. E, de certa forma, alguns momentos bem vívidos, não exatamente repletos de paixão, porque é tudo muito mecânico, desencontrado nas suas tentativas. 

Um dos mais falados indicados ao Oscar desse ano, Bohemian Rhapsody figurou até em Melhor Filme (para a surpresa de muitos) e totalizou cinco indicações, podendo (e devendo) ganhar alguns prêmios. O mais provável é que Rami leve o prêmio de Ator, enquanto o filme não deve sair de mãos abanando das categorias técnicas (concorre em montagem, edição e mixagem de som). E, também se trata do mais estranho e inusitado dos concorrentes da safra desse Oscar. 

terça-feira, 19 de fevereiro de 2019

PANTERA NEGRA (2018)


Um dos títulos mais indicados ao Oscar da edição desse ano, Pantera Negra certamente é, também, uma das maiores produções da Marvel, como muitos andam dizendo, até por ser também o filme mais importante que a produtora já entregou ao falarmos de representatividade, alcance e recepção. Para o deleite do público, a Marvel vem se superando a cada filme, e esse até chegou a ser incluído nas categorias principais do Oscar, se tornando o 1º filme de super-herói ever a concorrer em Melhor Filme, lembrando que ano passado Logan disputou a estatueta em roteiro e até estava cotado para Filme por um tempo. Mas o buzz em torno de Pantera Negra já tinha crescido até mesmo durante a temporada do Oscar do ano passado, quando o filme foi lançado (e chegou até a aparecer em um clipe na cerimônia), e ali mesmo já era um favorito pro prêmio (e agora, tem um total de 6 indicações). O sucesso nas bilheterias foi imenso e nunca tinha se visto antes um filme mainstream de super-heróis com um elenco tão repleto de grandes intérpretes negros: Forest Whitaker, Angela Bassett, Isaach de Bankolé, Lupita Nyong'o, Michael B. Jordan, Sterling K. Brown e, algumas revelações, Daniel Kaluuya, Laetitia Wright e (no papel principal) Chadwick Boseman.

Em uma terra escondida na África, um povo vive em uma sociedade à parte onde celebram sua cultura e podem viver em paz sem a exploração de poderosos graças às fontes de um minério chamado vibranium. Isolados do mundo, eles realizam diversos avanços tecnológicos graças a esse material, até que a descoberta desse precioso bem por mãos erradas coloca em risco não apenas a nação de Wakanda, à qual esse povo pertence, mas também a sociedade, os avanços e a cultura deles.

Ryan Coogler conduz um filme estampado com deleites visuais e técnicos, cheio de momentos marcantes e inesquecíveis, muitos deles coroados pela presença do elenco mais enérgico do ano. E, é claro, a celebração do cinema e da cultura das histórias (sejam elas as contadas através dos filmes ou dos quadrinhos) através de um conto que fala tão bem sobre a cultura de um povo colocada em xeque pela ganância e pela exploração dos poderosos. Talvez seja mais lembrado por ser quase um marco nas produções de Hollywood e da produtora Marvel, pela sua equipe fenomenal, pela quantidade de cenas belas, envolventes e cheias de vida, e pelo seu conteúdo ressoante, vibrante e cheio de paixão pela cultura e pelas tradições africanas, uma ode às origens e a celebração dos costumes. Seria justo ver esse filme levando o Oscar de Melhor Filme num ano em que o prêmio está tão bagunçado, não apenas por ele ser o que mais alcançou e tocou, mas porque também é tão honesto quando abraça seu gênero e sua mensagem, como poucos filmes fizeram e com tamanha beleza nesse ano.

Pantera Negra
Black Panther
dir. Ryan Coogler
★★★★ 

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

ANOS 90 (2018)


Eu estou num momento que quando eu vejo um filme muito bom, eu fico um ou dois dias sem assistir qualquer outra coisa só por estar pensando nele. E, às vezes, quando o filme me pega assim, eu nem ouso escrever um texto enorme sobre ele, mas deixo uma impressão mais sobre a experiência de ter visto, e de como ele mexeu comigo. 

O que mais me surpreende é como esse filme tem um olhar tão sutil e cheio de admiração, até particular, sobre a adolescência, esse período repleto de altos e baixos, tantas descobertas e inquietações, e que, no final das contas, revela tantas belezas no meio das bagunças. Anos 90 celebra a juventude, como se abraçasse o que essa idade representa na nossa vida, por mais problemática que ela possa ser, como vemos ao acompanhar o Stevie, menino que, mesmo tão novo, tem experiências quase traumáticas dentro de casa com o irmão, que o trata de forma agressivamente abusiva, e da mãe, que mantém relações com parceiros diferentes. O garotinho encontra um jeito de escapar dos problemas em casa na amizade com um grupo de garotos skatistas que ele venera, e que se tornam uma "segunda família" pra ele. Jonah Hill se revela como um diretor talentoso, e Anos 90 está bem acima da média para um filme de estreia. Eu admiro muito essa capacidade do filme de ser tão sensível, seja tratando dos problemas dos seus personagens, ou encontrando a beleza apesar de tudo aquilo, numa ode cheia de energia à adolescência e, principalmente, ao valor da amizade e, de certa forma, do amor também. Não esperava que esse filme fosse me tocar dessa forma. Lembra um pouco o Gus Van Sant, mas com uma vibe que é muito própria do filme. Do gênero coming-of-age que está nos trazendo tantos filmes bons, Anos 90 é uma bela surpresa. 

Anos 90
Mid90s
dir. Jonah Hill
★★★★½

domingo, 10 de fevereiro de 2019

INFILTRADO NA KLAN (2018)


Três décadas depois de Faça a Coisa Certa, Spike Lee, dono de uma das carreiras mais importantes do cinema americano, mas que até então não tinha lançado um filme que conseguira bater o sucesso do longa-metragem que tornou seu nome conhecido, retorna em 2018 com Infiltrado na Klan, que não apenas se tornaria, talvez, o seu mais aclamado, mas também o primeiro trabalho de Spike a ser indicado ao Oscar de melhor filme, e a indicar o próprio Lee como melhor diretor. Devemos lembrar também que o longa fez um grande sucesso em Cannes, onde se tornou um candidato potente a integrar a lista dos filmes inesquecíveis do ano, onde ele certamente figura. 

E nada mais atual nesses tempos confusos e transtornados do que lançar um filme sobre o que é ser um homem negro na América dos brancos, através da insana história (real) de um policial chamado Ron Stallworth que, lá na década da 70, conseguiu se infiltrar na Ku Klux Klan (!) com a ajuda de um colega, um policial judeu, que fingia ser ele nos encontros com os membros do terrível grupo racista. Através desse esquema de investigação, eles conseguem rastrear os ataques que a quadrilha maldita planeja fazer, bem como os principais membros dela.  

Misturando elementos da comédia e do drama, Infiltrado na Klan traça os paralelos entre o preconceito latente e desumano da KKK e o crescente ativismo e empoderamento negro que já vinha ganhando força desde a década de 60, marcada pelos terrores da segregação nos EUA. Por incrível que pareça, o filme se mostra mais contemporâneo do que podemos imaginar, como o seu próprio desfecho aponta, que os conflitos raciais e étnicos nos EUA ainda condizem com o que acontece na "América branca". Aliás, o filme traz uma crítica ácida ao governo de Trump enfatizando os indignantes ataques de violência racial no país, que recebem uma "aceitação" bem despreocupada de seu presidente.

Muito bom ver que o cinema de poder do Spike continua mais forte do que nunca com Infiltrado na Klan, aquele que é, ao meu ver, não apenas o melhor, porém também o mais necessário dos filmes da safra do Oscar desse ano. Por muito tempo subestimado, Lee tá recebendo o reconhecimento que tanto merecia, por todos seus outros grandes filmes que foram desvalorizados ao longo de anos, e por um cinema marcante, que mistura o revolucionário e o original, marcas que estão impressas neste novo filmão, um grito de revolta e de empoderamento, do jeito que o Spike sabe fazer de melhor.

Infiltrado na Klan
BlacKkKlansman
dir. Spike Lee
★★★★★

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

OITAVA SÉRIE (2018)


A passagem do ensino fundamental para o médio pode ser conturbado pra muita gente. Eu me senti deslocado, deslumbrado e, de certa forma, renovado nessa transição tão curiosa e agitada que acabou me marcando pelo seu inusitado frescor. Conhecer novas pessoas, estar em situações diferentes, estranhamentos e encantamentos, são algumas das coisas que surgem nessa turbulenta fase da adolescência, e a protagonista de Oitava Série, Kayla, experiencia alguns dos mágicos e terríveis desenlaces desse momento, digamos, selado pela infância e pelo amadurecimento tentando compartilhar e integrar o mesmo lugar. A jovem Kayla deseja fazer amizades, mas encontra dificuldades para ser aceita do jeito que é, como ela própria diz no começo do filme, quando fala sobre o quanto é difícil ser você mesmo e ter que ser verdadeiro, sem máscaras. Isso resume um pouco do que o filme abordará: esse sentimento de deslocamento, não pertencimento, quando se vive em sociedade, no meio de tantas convenções e interações, o quanto se torna difícil ser apenas quem você é quando se convive com outras pessoas. Mais tarde veremos como a Kayla reage de forma tão apaixonada e positiva quando começa a ter novos amigos e fica surpresa por isso, como se fosse algo impossível ou complicado demais. E logo vemos o quanto as amizades são inevitavelmente importantes na adolescência, e o quanto elas acabam nos impactando, seja na presença ou na ausência delas. 

Oitava Série, como poucos filmes, consegue driblar com originalidade aqueles clichês coming-of-age para chegar ao cerne do estudo de personagem, que se dedica tanto a entender e desconstruir a sua protagonista, em seus anseios, descobertas e sentimentos, e de uma maneira tão enérgica e deliberadamente honesta, que fica difícil não se sentir como aquela personagem, tentando engatar nas suas relações com as pessoas, e contornar também certas limitações pessoais. Engraçado que, num filme que fala tanto sobre nossos relacionamentos com as pessoas ao nosso redor, digo socialmente, é justamente na família que ele irá se abrir mais, quando vemos a relação de Kayla com o pai convergir num misto de intimidade e restauração, se tornando um dos pontos mais bonitos do filme. Aliás, família também é o lugar onde podemos ter relações tanto tensas e frágeis quanto de proximidade inquebrável, algo que se aplica também às amizades. 

Acompanhar a jornada de autodescoberta dessa personagem acaba trazendo à tona diversos sentimentos, muitos deles em respeito a esse momento da juventude, em que aprendemos, aos poucos, sobre o que é ser parte de uma sociedade e ter que lidar com as nossas relações com os outros, e nem sempre isso se dá de forma fácil ou simples. Kayla também acaba ensinando a sermos mais nós mesmos, deixar um pouco de lado as nossas "versões" e abraçar quem realmente somos e os nossos lados positivos, a não nos importarmos tanto com as opiniões dos outros e, ao mesmo tempo, tentarmos consertar relações que estão se quebrando, a não nos escondermos atrás de nada, sermos mais afeitos a quem se importa realmente com a gente. Por mais difícil que uma fase possa ser, o importante é saber se respeitar e respeitar o espaço dos outros.

Oitava Série figura entre os principais títulos do cinema indie norte-americano em 2018. É a estreia de Bo Burnham na direção, foi esnobado no Oscar, mas merece atenção especial, pois é um dos filmes mais precisos já feitos sobre a adolescência. Tem uma das melhores personagens femininas do ano, pela grande revelação que é a Elsie Fisher (indicada ao Globo de Ouro), e Josh Hamilton, no papel do pai, também é um destaque gigante. É um filme mais delicado e humano do que se pode imaginar, cheio de nuances e acertos que enriquecem tanto a nossa experiência.

Oitava Série
Eighth Grade
dir. Bo Burnham
★★★★

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

SAG 2019


Cinema

MELHOR ELENCO
Pantera Negra

MELHOR ATOR
Rami Malek — Bohemian Rhapsody

MELHOR ATRIZ
Glenn Close — A Esposa

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali — Green Book

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Emily Blunt — Um Lugar Silencioso

Televisão

MELHOR ELENCO — DRAMA
This Is Us

MELHOR ELENCO — COMÉDIA
The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATOR — DRAMA
Jason Bateman — Ozark

MELHOR ATOR — COMÉDIA
Tony Shalhoub — The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATRIZ — DRAMA
Sandra Oh — Killing Eve

MELHOR ATRIZ COMÉDIA
Rachel Brosnahan — The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATOR — MINISSÉRIE/TELEFILME
Darren Criss — The Assassination of Gianni Versaci

MELHOR ATRIZ — MINISSÉRIE/TELEFILME
Patricia Arquette — Escape at Dannemora

Comentários

Pantera Negra, numa vitória já esperada, se consagra em Melhor Elenco, acentuando uma noite de muita representatividade. 

Emily Blunt levando atriz coadjuvante foi o prêmio mais surpreendente da noite. Lembrando que ela foi esnobada no Oscar, as coisas ficam um pouquinho mais complicadas lá, embora a Regina King continue fortemente favorita (e ela não foi indicada por aqui).

Rami Malek, que havia descido um degrau depois que o Bale ganhou o Critics' Choice, volta a subir com uma vitória que ainda é bastante contestada, na frente de favoritos como Bradley Cooper, para levar o Oscar. 

Mesmo com seu filme envolvido em uma série de polêmicas, Mahershala Ali (Green Book) se saiu vitorioso novamente, tornando-se portanto um grande favorito para o Oscar. 

The Marvelous Mrs. Maisel, a série que eu preciso assistir urgentemente, venceu todos os prêmios de comédia nas categorias de TV, enquanto Sandra Oh e Jason Bateman ganharam os prêmios de drama. Arquette e Criss reprisaram suas vitórias do Globo de Ouro. 

domingo, 27 de janeiro de 2019

APOSTAS — SAG 2019


MELHOR ATOR


vai ganhar: Christian Bale — Vice
pode levar: Rami Malek — Bohemian Rhapsody
surpresa: Bradley Cooper — Nasce uma Estrela
faltou: Ethan Hawke — First Reformed

A categoria de Melhor Ator esteve realmente confusa nesse ano, em todos os prêmios. O SAG preferiu uma seleção mais previsível, quatro dos indicados aqui foram pro Oscar, e apenas John David Washington foi esnobado, embora tenha sido um candidato bastante forte. Christian Bale está à frente, com vitórias tanto no Globo de Ouro quanto no Critics' Choice. Logo atrás, Malek e Cooper estão disputando. Bale é uma escolha coerente, mas não estranhemos se Malek ou Cooper levar o prêmio. 

minha torcida: Bradley Cooper

MELHOR ATRIZ


vai ganhar: Glenn Close — A Esposa
pode levar: Lady Gaga — Nasce uma Estrela
surpresa: Olivia Colman — A Favorita
faltou: Toni Collette — Hereditário

Glenn Close e Lady Gaga, as vencedoras do Critics' Choice (empatadas) são ambas favoritas para levar o prêmio, porém podem ser passadas por uma Olivia Colman também forte, que poderia consolidar seu favoritismo ao Oscar com o SAG, embora seja menos possível do que, por exemplo, o BAFTA. Melissa McCarthy e Emily Blunt são ambas pouco cotadas, embora McCarthy tenha aparecido em todos os prêmios importantes. 

minha torcida: Melissa McCarthy (se fosse a favorita) e Glenn Close (que precisa ganhar seu primeiro Oscar urgente)

MELHOR ATOR COADJUVANTE


vai ganhar: Mahershala Ali — Green Book
pode levar: Richard E. Grant — Poderia Me Perdoar?
surpresa: Adam Driver — Infiltrado na Klan
faltou: Michael B. Jordan — Pantera Negra

Mahershala Ali é o grande favorito da categoria até o momento. Richard E. Grant, que recebeu prestígio dos críticos, pode surpreender, mas Ali está bem mais forte do que estava quando esteve em Moonlight. Nem a polêmica envolvendo Green Book foi capaz de afetar a corrida para Ali. Driver, lembrado em muitos prêmios, é improvável, mas bem que poderia.

minha torcida: Adam Driver e Sam Elliott

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE


vai ganhar: Amy Adams — Vice
pode levar: Emma Stone — A Favorita
surpresa: Rachel Weisz — A Favorita
faltou: Regina King — Se a Rua Beale Falasse

A categoria ficou completamente nua sem a indicação de Regina King — que, mesmo sem indicações ao SAG e ao BAFTA, continua favorita ao Oscar — e isso pode apontar uma escolha surpreendente que pode se arrastar para próximos prêmios. Adams é a primeira que vem à cabeça, mas a dupla de A Favorita ameaça na vitória. Amy Adams é quem deve levar, até por nunca ter ganhado o SAG nessa categoria antes. 

minha torcida: Amy Adams

MELHOR ELENCO


vai ganhar: Nasce uma Estrela
pode levar: Pantera Negra
surpresa: Infiltrado na Klan
faltou: A Favorita

Outra categoria complicada de apostar, essa que é a equivalente do SAG a melhor filme. O complicado é justamente que os grandes favoritos (Roma, Green Book, Vice) foram todos esnobados, enquanto sobrou para Nasce uma Estrela, Pantera Negra e Infiltrado na Klan disputar o prêmio. O primeiro é facilmente favorito, ameaçado pelos dois seguintes, que tem chances iguais de conquistar o prêmio. 

minha torcida: Pantera Negra, mas também na torcida pra Infiltrado na Klan e o provável ganhador Nasce uma Estrela. E, numa surpresa bem agradável, Podres de Ricos levaria (pois merece).

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

SEM RASTROS (2018)


Muito mais do que um filme sobre pai, filha e o mundo diante deles. Sem Rastros explora os paralelos de como uma mudança afeta um veterano da guerra que não quer ser aprisionado, que não quer abrir mão da liberdade que encontrou e que o acolheu, e a sua filha, a menina que está crescendo, amadurecendo e desenvolvendo sua visão própria do mundo, independência e que, ao contrário do pai, quer criar raízes, é dessa forma que ela se sente livre, é assim que ela quer encontrar seu lugar no mundo. O valor que ambos compartilham é o da simplicidade, a condição, o isolamento, e é essa também a chave do drama que eles atravessam. O drama de quem se isola para para não ter a sua liberdade roubada, pois a vida em sociedade requer imposições e aprisionamentos. Por outro lado, a convivência, a conexão entre pai e filha que ultrapassa quaisquer fronteiras ou limites. "Pelo menos eles não podem mudar nossas opiniões, não é?". Debra Granik fez um dos filmes mais belos dos últimos anos, uma crítica social com um coração enorme que olha com honestidade e compaixão para seus dois protagonistas lutando para simplesmente não serem cerceados, impedidos, limitados, e viverem a vida do jeito que querem. Aquele final é de partir o coração, mas coroa a sensibilidade de uma obra que fala tão bem sobre o que é ser livre.

Com grandes performances de Ben Foster e Thomasin Harcourt McKenzie, Sem Rastros é o melhor trabalho de Granik até hoje, uma pequena pérola do cinema americano que merece ser vista. Uma pena não ter chegado aos cinemas brasileiros, ficando reservado ao lançamento nas telinhas. 

Sem Rastros
Leave No Trace
dir. Debra Granik
★★★★★