quarta-feira, 16 de maio de 2018

Cannes 2018 — Dia 7



BlacKkKlansman (Spike Lee)

Após mais de 20 anos sem exibir um filme no festival, Spike Lee retornou à competição de Cannes com o favorito absoluto (até agora) para a Palma de Ouro. BlacKkKlansman arrancou aplausos emocionadíssimos da plateia e conquistou a imprensa, com direito a uma das conferências mais relevantes desse edição, na qual se expressou sobre a importância do seu projeto e o governo de Trump, que desviou o olhar da chacina racista em Charlottesville, no ano passado. BlacKkKlansman chega aos cinemas no aniversário de 1 ano da tragédia, em agosto, e segue como uma das principais revelações do festival desse ano, com muitos apontando que se trata do melhor trabalho de Lee em décadas. O filme fala sobre um policial negro que se infiltra no grupo racista Ku Klux Klan com a ajuda de um colega de trabalho branco. 


Asako I & II (Ryusuke Hamaguchi)

Drama romântico, o filme é do diretor de Happy Hour, e um dos representantes do cinema japonês no festival. Trata de uma mulher que fica obcecada com a beleza de um homem, e apaixona-se pelo duplo dele. Alguns críticos elogiam decisões construtivas e inovadoras na narrativa, enquanto outros parecem não estar no mesmo ritmo, dizendo que o romance é um desastre. 


The House That Jack Built (Lars von Trier)

O polêmico Lars Von Trier voltou — 7 anos após os eventos da conferência de Melancolia, na qual uma declaração supostamente nazista de Von Trier, depois "justificada" como piada, levou a organização do festival a expulsá-lo do evento (mais tarde, o filme ganhou Melhor Atriz, para Kirsten Dunst). Eventualmente, as desculpas foram aceitas, porém Von Trier pulou seu projeto anterior, Ninfomaníaca, para os festivais de Berlim e Veneza. Só agora, em 2018, que veio a surpresa do seu comeback à Croisette, desta vez fora da lineup competitiva, com o filme que mais dividiu opiniões na seleção até agora: The House That Jack Built. Os adjetivos vão de grotesco, nojento, horrível até primoroso, inteligente, magistral. Críticos garantem que fãs de Von Trier vão gostar, e também garantem que esse tem tudo para ser o filme mais detestado do ano. Aliás, apenas o fato de pelo menos uma centena de pessoas ter deixado a sala de projeção durante a exibição — e com as opiniões mais raivosas — gera uma noção desse retorno. 

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