sábado, 27 de janeiro de 2018

VISAGES VILLAGES (2017)


Acho que nem dá pra fazer uma crítica de algo tão especial assim porque na verdade não há nada o que criticar, o filme consegue ser tão perfeito na sua premissa modesta e acomodada que a gente não consegue encontrar motivos para não se deliciar ou não admirar tamanha obra, que pode (e deve) ser considerada até um presente da mãe da nouvelle vague Agnès Varda, acompanhado de um artista chamado JR que serve de guia para suas novas aventuras pela França. E este trabalho trata-se, basicamente, de rostos e lugares, como seu título sugere – e, particularmente, as histórias que cada rosto e cada lugar tem pra contar, e o fascínio que daí surge e serve de material para essa obra cinematográfica que se esforça em eternizar o efêmero, em não criar limites para uma arte que está impressa nos rostos e nos lugares que conhecemos, que encontramos e que enfim contemplamos.

Há algo de extremamente belo na inventividade da dupla de diretores – ela, uma veterana do cinema, ele, um artista pouco conhecido – em canalizar uma sensibilidade tão apurada e conferir olhar tão precioso na simplicidade do seu longa, nos objetivos modestos que acabam se metamorfoseando em observações tenazes sobre a vida humana através do tempo e também nas funções da imagem, na sensibilidade da imagem, essa dimensão tão bem estudada pelos dois mesmo que num estudo tão informal, entre lugares e rostos. A arte é tão natural quanto um olhar, quanto uma imagem. 

Varda prova que ainda tem disposição. JR é uma espécie de assistente, não um substituto ou sucessor ou coisa do gênero, mas ele também possui crédito dessa criação. Ambos, são apaixonados pela imagem. Renomados pela arte. Buscam o sublime. E fazem uma jornada pela França para fotografar rostos e colá-los em dimensões maiores em lugares, paredes, prédios, objetos, casas, muros, espalhando um pouco dessa arte meio "espontânea" – natural – pelo interior francês. É a arte daquilo que ultrapassa a imagem, do poder que as coisas possuem de ultrapassar as barreiras, as superfícies, e aprofundar, reinserir, ressignificar, inteirar, preencher, contar. 

É um filme que maravilhou de tal maneira, na forma como ele segue seus objetivos de maneira simplista e ainda sim com uma dedicação totalmente absorta, em respeito ao que essa arte materializa (e não materializa) que eu só consigo assistir totalmente deliciado pela proposta e seguindo essa jornada encantadora, de imagens honestas e poderosas, e os rostos que estão ali para contar as suas histórias, para deixar uma marca no tempo, para eternizar os lugares onde passaram, e espalhar o que há de mais sagrado e humano pelo mundo. Se isso não é filme de verdade, eu não sei mais o que é então.

Visages Villages
dir. Agnès Varda & JR
★★★★½

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

OSCAR 2018 – IMPRESSÕES


A Forma da Água lidera indicações com treze, no total. Dunkirk vem logo em seguida com oito e Três Anúncios para um Crime (até então favorito supremo dessa temporada) com sete, mas ausente em direção, o que torna as coisas mais difíceis pra ele na corrida de melhor filme, categoria que parece abraçar, aos poucos, A Forma da Água

– Em direção, três gentis surpresas: Greta Gerwig e Jordan Peele indicados merecidamente por seus trabalhos em Lady Bird e Corra!, duas produções independentes aclamadíssimas – e, mais surpreendente ainda, Paul Thomas Anderson lembrado por Trama Fantasma, filme que arrebatou 6 indicações incluindo nas categorias de filme e atriz coadjuvante (para a querida Lesley Manville, sua primeira indicação). Presenças importantes e que catalisam um enorme significado dentro dessa awards season, em especial a tão aguardada e fomentada indicação de Gerwig, que inclusive foi lembrada em roteiro, por um dos filmes mais queridos da temporada. E, por incrível que pareça, Gerwig é apenas a 5ª mulher a ser indicada. Em quase 1 século de premiação. 

Me Chame pelo seu Nome e suas 4 indicações. Merecido!!! 

The Post ausente em praticamente todas as categorias previstas exceto melhor filme e atriz. Pelo menos conseguiu se manter de pé apesar dos esquecimentos em outros prêmios importantes. 

– Visages Villages, da nossa mestre Varda, marca presença em documentário. Lembrando que ela acabou de ganhar um Oscar honorário, há uns dois meses. Ex Libris, de Wiseman, infelizmente ficou de fora da lista. 

– Rachel Morrison torna-se a primeira mulher na história do prêmio a ser indicada em melhor fotografia por Mudbound. Levou 90 anos pra isso acontecer. 

– Nas categorias de atuação, Denzel Washington (Roman J. Israel, Esq.), Lesley Manville e Christopher Plummer (Todo o Dinheiro do Mundo) surpreendem. James Franco, Hong Chau e Michael Stuhlbarg esnobados.

Em Pedaços, favoritíssimo, esnobado em filme estrangeiro. Corpo e Alma e The Square, respectivos ganhadores do Urso e da Palma de Ouro, lembrados. Categoria mais incerta até agora. Uma Mulher Fantástica, cuja protagonista Daniela Vega foi esnobada, permanece como o mais provável vencedor. 

Doentes de Amor, Logan, Mudbound, O Artista do Desastre e A Grande Jogada com força nas categorias de roteiro.

– Tem brasileiro na corrida desse ano! Carlos Saldanha conquistou sua 2ª indicação pela animação O Touro Ferdinando, lembrando uma conquista semelhante de duas edições atrás quando Alê Abreu foi indicado por O Menino e o Mundo.

O Destino de uma Nação é o representante do cinema britânico na corrida desse ano. Filme conquistou surpreendentes 6 indicações com direito a uma em Melhor Filme também. Mudbound e Projeto Flórida, entretanto, foram esquecidos na categoria. 

– Cinco indicações para Blade Runner 2049, maior número para um filme sem a indicação em melhor filme nessa edição. Fotografia era indispensável. 

considerações finais

Aparentemente, trata-se de uma das melhores edições do prêmio em muitos anos. Vamos ver se farão justiça ou irão no flow das outras premiações que estão apontando os mesmos vencedores nas mesmas categorias. A onda do empoderamento feminino em Hollywood pode ajudar algumas candidatas nas categorias, como Gerwig ou Morrison, mas parece que os preferidos já estão marcados. Aliás, há ausências muito estranhas nessa edição de filmes aclamados como Mulher Maravilha e Detroit em Rebelião, que nesse momento até fariam mais sentido como indicados.

A ausência de filmes estrangeiros nas categorias principais que não sejam produções faladas em inglês é esmagadora, absoluta, o que mostra que, mesmo com a tal da diversidade que tem sido reverberada na seleção dos membros da Academia, filmes estrangeiros ainda estão ficando restritos exclusivamente à categoria que recebe esse nome. É um pouco decepcionante, mas faz sentido se a gente pensar esse prêmio como um reconhecimento do cinema americano, mas pra quem paga de maior prêmio (mundial) da sétima arte e continua negando espaço pra outras produções mais "fora da casa", eu diria que ainda precisa de muita diversidade. Ou talvez o problema esteja no cinema internacional? Eu acho que não. 

Ao menos, nessa edição enxergam-se mais justiças do que injustiças (pensando na lógica da temporada). Podemos ver que o cinema independente conseguiu se estabelecer muito bem com força nas categorias principais, visível a presença de produções com orçamento mais baixo que conseguiram se erguer até aqui. E esse é um ótimo sinal, o prestígio que as realizações independentes estão recebendo, com muita força. 

Bem, agora basta esperar março para tirar nossas conclusões. Essa lista de indicados tá ótima, pros padrões do prêmio, mas o que conta mesmo é o que ele faz com seus resultados.

OSCAR 2018 – INDICADOS



MELHOR FILME

Me Chame pelo seu Nome
O Destino de uma Nação
Dunkirk
Corra!
Lady Bird
Trama Fantasma
The Post
A Forma da Água
Três Anúncios para um Crime

MELHOR DIREÇÃO

Christopher Nolan – Dunkirk
Jordan Peele – Corra!
Greta Gerwig – Lady Bird
Paul Thomas Anderson – Trama Fantasma
Guillermo del Toro – A Forma da Água

MELHOR ATRIZ

Sally Hawkins – A Forma da Água
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
Margot Robbie – Eu, Tonya
Saoirse Ronan – Lady Bird
Meryl Streep – The Post

MELHOR ATOR

Timothée Chalamet – Me Chame pelo seu Nome
Daniel Day-Lewis – Trama Fantasma
Daniel Kaluuya – Corra!
Gary Oldman – O Destino de uma Nação
Denzel Washington – Roman J. Israel, Esq.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Mary J. Blige – Mudbound
Allison Janney – Eu, Tonya
Lesley Manville – Trama Fantasma
Laurie Metcalf – Lady Bird
Octavia Spencer – A Forma da Água

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Willem Dafoe – Projeto Flórida
Woody Harrelson – Três Anúncios para um Crime
Richard Jenkins – A Forma da Água
Christopher Plummer – Todo o Dinheiro do Mundo
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Doentes de Amor (Kumail Nanjiani & Emily V. Gordon)
Corra! (Jordan Peele)
Lady Bird (Greta Gerwig)
A Forma da Água (Guillermo del Toro & Vanessa Taylor)
Três Anúncios para um Crime (Martin McDonagh)

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Me Chame pelo seu Nome (James Ivory)
O Artista do Desastre (Scott Neustadter & Michael H. Weber)
Logan (Scott Frank, James Mangold & Michael Green)
A Grande Jogada (Aaron Sorkin)
Mudbound (Dee Rees & Virgil Williams)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO

Uma Mulher Fantástica (Chile – dir. Sebastián Lelio)
O Insulto (Líbano – dir. Ziad Doueiri)
Loveless (Rússia – dir. Andrey Zvyagintsev)
Corpo e Alma (Hungria – dir. Ildikó Enyedi)
The Square (Suécia – dir. Ruben Östlund)

MELHOR ANIMAÇÃO

O Poderoso Chefinho
Viva!
The Breadwinner
O Touro Ferdinando
Com Amor, Van Gogh

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Visages Villages
Abacus
Icarus
Last Man in Aleppo
Strong Island

MELHOR TRILHA SONORA

Dunkirk – Hans Zimmer
Trama Fantasma – Jonny Greenwood
A Forma da Água – Guillermo del Toro
Star Wars: Os Últimos Jedi – John Williams
Três Anúncios para um Crime – Carter Burwell

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Mighty River" – Mudbound
"Remember Me" – Viva!
"Mystery of Love" – Me Chame pelo seu Nome
"This Is Me" – O Rei do Show
"Stand Up for Something" – Marshall

MELHOR FOTOGRAFIA

Blade Runner 2049 – Roger Deakins
Mudbound – Rachel Morrison
A Forma da Água – Dan Laustsen
Dunkirk – Hoyte van Hoytema
O Destino de uma Nação – Bruno Delbonnel

MELHOR EDIÇÃO

Em Ritmo de Fuga – Paul Machliss & Jonathan Amos
Três Anúncios para um Crime – Jon Gregory
Dunkirk – Lee Smith
A Forma da Água – Sidney Wolinsky
Eu, Tonya – Tatiana S. Riegel

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

O Destino de uma Nação
A Forma da Água
Blade Runner 2049
Dunkirk
A Bela e a Fera

MELHOR FIGURINO

Trama Fantasma – Mark Bridges
A Forma da Água – Luis Sequeira
A Bela e a Fera – Jacqueline Durran
Victoria & Abdul – Consolata Boyle
O Destino de uma Nação – Sarah Greenwood

MELHOR MAQUIAGEM/PENTEADOS

Extraordinário
Victoria & Abdul
O Destino de uma Nação

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

Dunkirk
A Forma da Água
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Último Jedi
Blade Runner 2049

MELHOR MIXAGEM DE SOM

Dunkirk
Blade Runner 2049
Em Ritmo de Fuga
Star Wars: Os Último Jedi
A Forma da Água

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Star Wars: Os Últimos Jedi
Blade Runner 2049
Planeta dos Macacos: A Guerra
Kong: A Ilha da Caveira
Guardiões da Galáxia, Vol. 2

MELHOR CURTA – LIVE ACTION

DeKalb Elementary
The Eleven O’Clock
My Nephew Emmett
The Silent Child
Watu Wote/All of Us

MELHOR CURTA – DOCUMENTÁRIO

Edith+Eddie
Heaven Is a Traffic Jam on the 405
Heroin(e)
Knife Skills
Traffic Stop

MELHOR CURTA – ANIMAÇÃO

Dear Basketball
Garden Party
Lou
Negative Space
Revolting Rhymes

segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

OSCAR 2018 – APOSTAS FINAIS


MELHOR FILME

1. Três Anúncios para um Crime
2. A Forma da Água
3. Corra!
4. Lady Bird
5. Me Chame pelo seu Nome
6. The Post
7. Dunkirk
8. Doentes de Amor
9. Mudbound
10. Projeto Flórida

próximos da fila
Eu, Tonya
Trama Fantasma
O Destino de uma Nação
Blade Runner 2049
Mulher Maravilha

MELHOR DIREÇÃO

1. Guillermo del Toro – A Forma da Água
2. Christopher Nolan – Dunkirk
3. Martin McDonagh – Três Anúncios para um Crime
4. Greta Gerwig – Lady Bird
5. Jordan Peele – Corra!

próximos da fila
Steven Spielberg – The Post
Paul Thomas Anderson – Trama Fantasma
Luca Guadagnino – Me Chame pelo seu Nome
Dee Rees – Mudbound
Sean Baker – Projeto Flórida

MELHOR ATRIZ

1. Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime
2. Sally Hawkins – A Forma da Água
3. Saoirse Ronan – Lady Bird
4. Meryl Streep – The Post
5. Margot Robbie – Eu, Tonya

próximas da fila
Daniela Vega – Uma Mulher Fantástica
Jessica Chastain – A Grande Jogada
Judi Dench – Victoria & Abdul
Annette Bening – Film Stars Don't Die in Liverpool
Diane Kruger – Em Pedaços

MELHOR ATOR

1. Gary Oldman – O Destino de uma Nação
2. Timothée Chalamet – Me Chame pelo seu Nome
3. Daniel Day-Lewis – Trama Fantasma
4. Daniel Kaluuya – Corra!
5. James Franco – O Artista do Desastre

próximos da fila
Denzel Washington – Roman J. Israel, Esq.
Tom Hanks – The Post
Jake Gyllenhaal – O Que Te Faz Mais Forte
Hugh Jackman – Logan
Kumail Jumanji – Doentes de Amor

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

1. Allison Janney – Eu, Tonya
2. Mary J. Blige – Mudbound
3. Laurie Metcalf – Lady Bird
4. Hong Chau – Pequena Grande Vida
5. Octavia Spencer – A Forma da Água

próximas da fila
Holly Hunter – Doentes de Amor
Leslie Manville – Trama Fantasma
Kristin Scott Thomas – O Destino de uma Nação
Lois Smith – Marjorie Prime
Tiffany Haddish – Viagem das Garotas 

MELHOR ATOR COADJUVANTE

1. Willem Dafoe – Projeto Flórida
2. Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime
3. Michael Stuhlbarg – Me Chame pelo seu Nome
4. Richard Jenkins – A Forma da Água
5. Christopher Plummer – Todo o Dinheiro do Mundo

próximos da fila
Woody Harrelson – Três Anúncios para um Crime
Armie Hammer – Me Chame pelo seu Nome
Steve Carell – A Guerra dos Sexos
Patrick Stewart – Logan
Kenneth Branagh – Dunkirk


MELHOR FILME ESTRANGEIRO

1. Em Pedaços (Alemanha)
2. Uma Mulher Fantástica (Chile)
3. Foxtrot (Israel)
4. Loveless (Rússia)
5. Félicité (Senegal)

próximos da fila
The Square (Suécia)
Corpo e Alma (Hungria)
Os Iniciados (África do Sul)
O Insulto (Líbano)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

1. Corra!
2. Três Anúncios para um Crime
3. Lady Bird
4. A Forma da Água
5. Doentes de Amor

próximos da fila
The Post
Trama Fantasma
Eu, Tonya
Projeto Flórida
Dunkirk

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

1. Mudbound
2. Me Chame pelo seu Nome
3. A Grande Jogada
4. O Artista do Desastre
5. Logan

próximos da fila
Primeiro Eles Mataram Meu Pai
Mulher Maravilha
Blade Runner 2049
Extraordinário
Star Wars: Os Últimos Jedi

MELHOR ANIMAÇÃO

1. Viva! – A Vida é uma Festa (Pixar, Disney)
2. The Breadwinner (Cartoon Saloon, Gkids)
3. Com Amor, Van Gogh (Good Deed Entertainment)
4. O Touro Ferdinando (Blue Sky, Fox)
5. Mary & the Witch's Flower (Studio Ponoc, Gkids)

próximos da fila
The Big Bad Fox & Other Tales
O Poderoso Chefinho
Carros 3
Meu Malvado Favorito 3
The Lego Batman Movie

MELHOR DOCUMENTÁRIO

1. Visages Villages – dir. Agnès Varda & JR
2. Ex Libris – dir. Frederick Wiseman
3. Jane – dir. Brett Morgen
4. LA 92 – Dan Lindsay & T.J. Martin
5. City of Ghosts – Matthew Heineman

próximos da fila
Strong Island
One of Us
Chasing Coral
Human Flow
Long Strange Trip

MELHOR TRILHA SONORA

1. A Forma da Água – Alexandre Desplat
2. Três Anúncios para um Crime – Carter Burwell
3. Trama Fantasma – Jonny Greenwood
4. Dunkirk – Hans Zimmer
5. O Destino de uma Nação – Dario Marianelli

próximos da fila
Viva! – Michael Giacchino
The Post – John Williams
Star Wars: Os Últimos Jedi – John Williams
Blade Runner 2049 – Hans Zimmer, Benjamin Wallfisch
Jane – Philip Glass

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

1. "Remember Me" – Viva!
2. "Mighty River" – Mudbound
3. "Mystery of Love" – Me Chame pelo seu Nome
4. "This Is Me" – O Rei do Show
5. "Stand Up for Something" – Marshall

próximos da fila
"It Ain't Fair" – Detroit em Rebelião
"Evermore" – A Bela e a Fera
"Home" – O Touro Ferdinando

MELHOR FOTOGRAFIA

1. Blade Runner 2049 – Roger Deakins
2. Mudbound – Rachel Morrison
3. A Forma da Água – Dan Laustsen
4. Dunkirk – Hoyte van Hoytema
5. O Destino de uma Nação – Bruno Delbonnel

próximos da fila
Me Chame pelo seu Nome – Sayombhu Mukdeeprom
The Post – Janusz Kaminski
Sem Fôlego – Ed Lachman
O Estranho que nós Amamos – Philippe Le Sourd
Trama Fantasma – Paul Thomas Anderson

MELHOR EDIÇÃO

1. Em Ritmo de Fuga – Paul Machliss & Jonathan Amos
2. Corra! – Gregory Plotkin
3. Dunkirk – Lee Smith
4. A Forma da Água – Sidney Wolinsky
5. Eu, Tonya – Tatiana S. Riegel

próximos da fila
The Post – Michael Kahn
Blade Runner 2049 – Joe Walker
Três Anúncios para um Crime – Jon Gregory
A Grande Jogada – Alan Baumgarten, Josh Schaeffer & Elliot Graham
Lady Bird – Nick Houy

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

1. O Destino de uma Nação
2. A Forma da Água
3. Blade Runner 2049
4. Dunkirk
5. A Bela e a Fera

próximos da fila
The Post
Pequena Grande Vida
Star Wars: Os Últimos Jedi
Assassinato no Expresso do Oriente
Mulher Maravilha

MELHOR FIGURINO

1. Trama Fantasma – Mark Bridges
2. A Forma da Água – Luis Sequeira
3. Dunkirk – Jeffrey Kurland
4. Assassinato no Expresso do Oriente – Alexandra Byrne
5. A Bela e a Fera – Jacqueline Durran

próximos da fila
The Post – Ann Roth
Mulher Maravilha – Lindy Hemming
Star Wars: Os Últimos Jedi – Michael Kaplan
O Rei do Show – Ellen Mirojnick
Blade Runner 2049 – Renée April

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS

1. O Destino de uma Nação
2. Extraordinário
3. Ghost in the Shell – A Vigilante do Amanhã

próximos da fila
Eu, Tonya
Guardiões da Galáxia, Vol. 2
Victoria & Abdul

MELHOR EDIÇÃO DE SOM

1. Dunkirk
2. A Forma da Água
3. Em Ritmo de Fuga
4. Mulher Maravilha
5. Star Wars: Os Último Jedi

próximos da fila
Planeta dos Macacos: A Guerra
O Destino de uma Nação
Blade Runner 2049
Logan
A Guerra dos Sexos

MELHOR MIXAGEM DE SOM

1. Dunkirk
2. Blade Runner 2049
3. Em Ritmo de Fuga
4. Star Wars: Os Último Jedi
5. A Forma da Água

próximos da fila
Mulher Maravilha
Planeta dos Macacos: A Guerra
Logan
The Post
O Destino de uma Nação

MELHORES EFEITOS VISUAIS

1. Star Wars: Os Últimos Jedi
2. Blade Runner 2049
3. Okja
4. Planeta dos Macacos: A Guerra
5. A Forma da Água

próximos da fila
Guardiões da Galáxia, Vol. 2
Dunkirk
Thor: Ragnarok

Novos filmes na BERLINALE 2018


Mais cinco filmes foram anunciados na competição do Festival de Berlim 2018. Aí estão eles:

7 Days in Entebbe
dir. José Padilha

Ága
dir. Milko Lazarov

Season of the Devil
dir. Lav Diaz

Museum
dir. Alonso Ruizpalacios

Unsane
dir. Steven Soderbergh

COMPETIÇÃO COMPLETA (E ATUALIZADA)

3 Days in Quiberon – dir. Emily Atef
7 Days in Entebbe – dir. José Padilha
Ága – dir. Milko Lazarov
Black 47 – dir. Lance Daly
Damsel – dir. David & Nathan Zellner
Don't Worry, He Won't Get Far on Foot – dir. Gus Van Sant
Dovlatov – dir. Alexey German Jr.
Eldorado – dir. Markus Imhoof 
Eva – dir. Benoît Jacquot
Daughter of Mine – dir. Laura Bispuri
In the Aisles – dir. Thomas Stuber
Isle of Dogs – dir. Wes Anderson
The Heiresses – dir. Marcelo Martinessi
Mein Bruder heißt Robert und ist ein Idiot – dir. Philip Gröning
Mug – dir. Małgorzata Szumowska
Museum – dir. Alonso Ruizpalacios
Pig – dir. Mani Haghighi
Season of the Devil – dir. Lav Diaz
The Prayer – dir. Cédric Kahn
The Real Estate – dir. Måns Månsson
Touch Me Not – dir. Adina Pintilie
Transit – dir. Christian Petzold
Unsane – dir. Steven Soderbergh

Ao todo, são 23 filmes na competição do festival desse ano.

SAG 2018 – vencedores


CINEMA

MELHOR ELENCO
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ATRIZ
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ATOR
Gary Oldman – O Destino de uma Nação

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney – Eu, Tonya

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS
Mulher Maravilha

TELEVISÃO

MELHOR ELENCO – SÉRIE DRAMÁTICA
This Is Us

MELHOR ELENCO – SÉRIE DE COMÉDIA
Veep

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMÁTICA
Claire Foy – The Crown

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMÁTICA
Sterling K. Brown – This Is Us

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DE COMÉDIA
Julia Louis-Dreyfus – Veep

MELHOR ATOR – SÉRIE DE COMÉDIA
William H. Macy – Shameless

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE/TELEFILME
Nicole Kidman – Big Little Lies

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE/TELEFILME
Alexander Skarsgard – Big Little Lies

MELHOR ELENCO DE DUBLÊS
Game of Thrones

Screen Actors Guild Life Achievement Award
Morgan Freeman

domingo, 21 de janeiro de 2018

Apostas finais ao SAG 2018


Minhas apostas de última hora para o SAG 2018. Vou dar apenas 3 apostas por categoria.

ELENCO

1. Três Anúncios para um Crime
2. Corra!
3. Mudbound – Lágrimas Sobre o Mississipi

MELHOR ATRIZ

1. Frances McDormand
2. Sally Hawkins
3. Saoirse Ronan

MELHOR ATOR

1. Gary Oldman
2. Timothée Chalamet
3. Daniel Kaluuya

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

1. Allison Janney
2. Laurie Metcalf
3. Mary J. Blige

MELHOR ATOR COADJUVANTE

1. Sam Rockwell
2. Willem Dafoe
3. Richard Jenkins

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

VIVA – A VIDA É UMA FESTA (2017)


Creio que não restam dúvidas de que a Pixar é a produtora de animações de maior renome dos últimos tempos (pelo menos mundialmente falando, eu acho) superando até mesmo a própria produtora da Walt Disney, ainda que as duas sejam detentoras de algumas das obras de animação mais famosas, aclamadas e vistas dessa década. Viva – A Vida é uma Festa é, primeiro de tudo, uma grata surpresa. Talvez porque represente que a Pixar ainda está em ótima forma, talvez porque é ele próprio um trabalho um pouco distinto do body of work da produtora ainda que respeite muito as tendências cinematográficas do pessoal, mas até na questão de uma certa ousadia em envolver temáticas mais adultas em um universo mais infantilizado, embora eu ache que o filme mesmo vá ter uma impressão maior nos adultos do que nas crianças.

Acho que existe pelo menos dois pontos do filme que merecem uma relevação: a construção narrativa (o que inclui a estruturação dos dois universos pelo qual o filme transita, literalmente falando, a conceitualização do mundo dos mortos e dos vivos, envolvendo questões como memória, afeto, representatividade, hierarquia familiar, divisão de classes, o papel e a influência da arte dentro de uma cultura e suas raízes étnicas – e todo o histórico que reside aí – entre outros aspectos que estão fabulosamente trabalhados nessa alegoria meio musicalizada e repleta de cores que encontra justamente na cultura mexicana uma fonte interminável de inspiração para o que essa história – por mais americana que a sua narrativa possa soar, até mesmo nas perceptíveis concepções quase estereotipadas de uma realidade cultural distinta, tão cabíveis quando gringo decide filmar uma historinha sobre outro gringo – retrata e captura. 

Digam o que quiser, mas eu fiquei muito emocionado. De verdade. Foi minha primeira sessão do ano e já é a mais marcante, por uma série de fatores, incluindo que o filme me emocionou de tal forma que eu estava parecendo uma criança, encantado com todo aquele arsenal de cores e os personagens, como se eu nunca tivesse visto aquilo antes. Então, sim, Viva mexeu profundamente comigo, e em certos momentos não pude conter as lágrimas (e olha que pra mim chorar no cinema, em público, é uma coisa muito rara de acontecer).

O meu veredito é: pra quem quiser (ou souber) embarcar na viagem, o filme será maravilhoso. E pra quem quiser se apegar aos "blá-blá-blás" da manipulação sentimental e dos clichês, o filme terá problemas bem evidentes. Mas não deixa de ser um ótimo exemplar dos filmes da Pixar, e que tem uma força afetiva enorme mesmo. É de chorar, inclusive. A canção "Remember Me", que deve ir para o Oscar, é encantadora e dá calafrios.

Trata-se do conto de um menino que sonha com a música e cuja família é, na verdade, totalmente aversa à isso (por conta de um membro da família que, no passado, largou uma antecessora para se dedicar à música e nunca mais voltou). Disposto a seguir seu sonho, ele parte em uma jornada de redescoberta familiar no mundo dos mortos. E a premissa, em sua concepção, é bem mais fabulosa do que pode soar à primeira vista. Pode me chamar de emotivo, mas eu achei isso aqui muito bonito. E ver no cinema é um deleite espetacular. Repleto de vários momentos bem musicais, no sentido mais rítmico da palavra, e uma mensagem linda. Te faz celebrar o cinema e a arte com a alegria mais infantil.

Viva – A Vida é uma Festa (Coco)
dir. Lee Unkrich & Adrian Molina (co-diretor)
★★★★

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

RODA GIGANTE (2017)


Se nos últimos anos Woody Allen tem ficado mais reservado à sua "zona de conforto", sempre revisitando velhas temáticas e fórmulas, mas gerando resultados até positivos e com suas parcelas de acertos, que se sucedem nessa linha de tramas e personagens que parecem pertencer a um mesmo universo. Se alguns enxergam esse retorno como uma mera preguiça, os exercícios de Allen em revisitar esse universo e tentar aprofundar ainda mais personagens que são tão conhecidas da sua obra, vez ou outra geram um resultado que acaba surpreendendo pelos pequenos toques de originalidade que surgem nas arestas, como pequenos milagres do cinema.

É aí que entra Roda Gigante, o mais novo filme do nova-iorquino (seu 47º longa), que é um exemplar muito bem-feito dessa nova fase "digital" da carreira de Woody que começou recentemente em 2016 com o belíssimo Café Society, que me deixou nas nuvens. A partir desse filme, Allen aderiu à fotografia digital com o auxílio do sempre magistral Vittorio Storaro, parceria frutífera que está rendendo à filmografia do Allen um toque até mais sofisticado e acentuado no quesito da fotografia, que, se já tinha se mostrado perfeitamente brilhante em Café Society (filme repleto de momentos memoráveis de construção fotográfica) pode-se dizer exatamente o mesmo de Roda Gigante, cuja fotografia é daquelas que fazem marejar os olhos e nos elevar dentro da sala de cinema, transformando a experiência num belo deleite para o espectador.

Apesar da doçura do seu antecessor, Roda Gigante é um trabalho pra lá de amargo, quando Woody adentra o melodrama com traços trágicos para contar a trajetória de Ginny, uma garçonete que sonha alto que busca nos velhos sonhos e memórias e numa relação extraconjugal com um salva-vidas que também é dramaturgo (Justin Timberlake) uma fuga dos problemas do presente e de sua realidade dura (casada com um homem violento e de temperamento atribulado, um operador de carrossel, que vive a maltratando). Tudo muda quando ela recebe a visita da jovem Carolina, filha de seu marido com uma ex-mulher, que por sua vez está fugindo de um gângster perigoso com quem se casou, e encontra abrigo na casa do pai, um lugar tempestuoso que fica dentro de um parque de diversões, com vista para uma roda gigante. 

Com a pompa, a amargura e a explosiva teatralidade dos textos melodramáticos de mestres da dramaturgia como Tennessee Williams e Eugene O'Neill, e um traço cinematográfico repleto de charme e elegância reforçado pelo lindo trabalho de Storaro e pelos cenários minimalistas e que casam tão bem com essa veia teatral da narrativa, Woody Allen traz à tona esses personagens envoltos em seus dramas pessoais que acabam se alinhando graças ao destino e veem suas vidas colidirem com esses transtornos que surgem no caminho: a traição de Ginny e a paixão entre Mickey, o salva-vidas, e Carolina, e uma série de eventos que partem disso, temperam o drama e estabelecem a tragédia que enegrece os rumos da história. Os mistérios do coração... 

A casa é um ambiente frequentemente dominado pela desencanto, pelos momentos de tensão e amargura, o palco dos ataques de Ginny e Humpty, enquanto também acaba sendo o cenário que gera alguns dos planos mais belos do filme, como aquele em que Ginny está experimentando figurinos com o filho. Já a praia é um lugar associado a uma ideia de graça, de um certo encanto que acaba unindo essas personagens e dando um novo tom às suas vidas melancólicas, é lá que Ginny (e Carolina também) encontra pela primeira vez Mickey, além das meigas cenas de amor que se passam nessa locação. Há um jogo bastante autêntico com as cores e como elas acabam dialogando com a narrativa e os cenários, chegando a um nível de quase fantasia, nesse aspecto. 

É mais uma crônica sobre as eventualidades e os acasos da convivência humana e os seus vertiginosos conflitos, com aquele olhar que só o Woody sabe conferir quando se trata do tratamento de seus personagens, os sonhadores, desiludidos, perdidos e desencontrados. Tudo vai conduzindo a um final necessariamente obscuro, que se não surpreende muito, pelo menos fica marcado pela condução deliciosamente prazerosa. 

O elenco está em um estado de pura graça. Kate Winslet, que há tanto não aparecia tão bem, dá vida a uma personagem com todas as suas crises nervosas, histerias, perdições e falas neuróticas. Nesse ponto (e em outros elementos dentro da narrativa) a comparação a Blue Jasmine é inevitável, ficando até mais evidente naquela cena da epifania de Ginny durante a visita de Mickey, perto do final. Jim Belushi e Juno Temple também estão formidáveis em cena. E até o Justin Timberlake encaixou excelente no papel dele. 

Dado isso, esse melodrama que parece homenagear a Hollywood dos anos 50 pós-guerra com um visual até meio aperfeiçoado e com seus magistrais toques de artificialidade que reforçam a impressão dramatúrgica da narrativa, prova que Woody Allen consegue fazer um belo trabalho partindo de histórias amarguradas e desencantadas, que parecem encontrar justamente no que a vida tem de mais triste e melancólico um lar para depositar seus impulsos embebidos de autenticidade e pura emoção. É, sobretudo, honesto, de certa forma um caos calmo no meio de toda aquela instabilidade e frenesi, e essa ideia dramática casa muito bem com o que o filme cria para as suas personagens. 

Esperar arroubos de originalidade de Woody Allen a essa altura do campeonato é um pouco ilusório, digamos, mas ainda é muito bom ver que ele pode emergir de premissas que parecem ser tão descompromissadas e se revelam mais profundas do que o esperado. Isso é muito bom. E infelizmente Roda Gigante não será reconhecido tão cedo dessa forma por conta das acusações que estão rolando no momento e que acabaram desfavorecendo o Woody. Se isso vai afetar o trabalho dele como diretor, não sabemos ainda, mas ele está com um projeto novo que deve sair ainda esse ano (como tradicionalmente ocorre). O cinema estava vazio (seria um sinal de que ele está perdendo a credibilidade?) mas levemos em consideração que o filme estreou no circuito há mais ou menos umas três semanas (no finalzinho de 2017). É uma grande oportunidade conferir um trabalho do mestre Woody no cinema, até gratificante, digamos, em especial este aqui, que é muito bonito. 

Roda Gigante (Wonder Wheel)
dir. Woody Allen
★★★★

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018


Festival de Berlim revelou hoje mais 10 filmes que estarão na competição da edição desse ano (as novas inclusões estão em negrito, os outros são os que já foram previamente anunciados no mês passado). 

FILME DE ABERTURA

Isle of Dogs – dir. Wes Anderson

COMPETIÇÃO

3 Days in Quiberon dir. Emily Atef
Black 47 – dir. Lance Daly
Damsel – dir. David & Nathan Zellner
Don't Worry, He Won't Get Far on Foot – dir. Gus Van Sant
Dovlatov – dir. Alexey German Jr.
Eldorado – dir. Markus Imhoof 
Eva – dir. Benoît Jacquot
Daughter of Mine – dir. Laura Bispuri
In the Aisles – dir. Thomas Stuber
Isle of Dogs – dir. Wes Anderson
The Heiresses – dir. Marcelo Martinessi
Mein Bruder heißt Robert und ist ein Idiot – dir. Philip Gröning
Mug – dir. Małgorzata Szumowska
Pig – dir. Mani Haghighi
The Prayer – dir. Cédric Kahn
The Real Estate – dir. Måns Månsson
Touch Me Not dir. Adina Pintilie
Transit – dir. Christian Petzold

Até agora, são 18 os filmes que seguem na competição do festival desse ano. 

domingo, 14 de janeiro de 2018

TOP OF THE LAKE


Agora é a minha vez de comentar um pouco sobre o mais novo trabalho da cultuada cineasta Jane Campion, que na verdade não é diretamente ligado ao cinema, mas que se trata de uma minissérie (na verdade duas minisséries distintas): Top of the Lake (2013) e sua continuação, Top of the Lake: China Girl (2017), criação dela em parceria com o roteirista Gerard Lee. 

Top of the Lake (2013)
diretores: Jane Campion & Garth Davis
★★★★


Começa com o retorno de uma detetive de Sydney, Robin Griffin (interpretada majestosamente por Elisabeth Moss, uma das maiores atrizes do momento) à sua cidade natal, um lugarzinho escondido no interior da Nova Zelândia, e prossegue com o desaparecimento de uma adolescente grávida de 12 anos e o desembaralhamento de uma trama que envolve diversos temas e histórias capturadas numa complexa rede de revelações que conectam os personagens uns aos outros, criando um laço fortíssimo entre cada um deles. 

É uma história de redenção, principalmente, mas que para chegar nesse ponto atravessa muitos perrengues. Até porque a destemida Robin Griffin, que assume o caso da jovem desaparecida, Tui, é uma mulher forte, resistente, indomável, que dá cara à tapa para poder afirmar seu lugar num mundo dominado pela figura masculina que sempre (ou quase sempre) é retratada com muito ódio, pintados como emissores do mal e da vilania (e as mulheres, que aqui são retratadas como seres machucados e à procura da liberdade, são as vítimas dessa vilania, e que, nesta trama, tem seus caminhos definidos pelas feridas provocadas pelos homens nas suas histórias particulares e os rumos delas). Inclusive um dos personagens, interpretado por Peter Mullan, pai da garota desaparecida, é um sujeito tão desagradável que a maior parte do tempo é visto com muita antipatia e um certo rancor e o seu comportamento brutal, quase animal, que se manifesta não só na forma como ele trata as mulheres mas também os homens, como é o caso dos seus filhos, que também são vitimados (e foram moldados) pelo comportamento irascível e odiável do pai. 

Se há um vilão na história, é ele. E se há uma heroína, bem, temos então Robin Griffin, a detetive cuja missão (inicial) é re-estabelecer a paz e a segurança na cidadezinha e resolver o misterioso caso de Tui (isso antes dela desaparecer, quando sua gravidez é descoberta e existe um grande risco dela ter sido vítima de estupro, embora a menina não se pronuncie a respeito disso, quase não diz uma só palavra, muito contida, reservada).

Outra personagem bastante interessante da trama (e enigmática, digamos) é a G.J., interpretada misticamente por Holly Hunter, uma mulher com espécie de poderes espirituais que se trata de uma espécie de guia para um grupo de mulheres que está acampando numa região chamada Paradise. As falas dela são incríveis e a atuação da Hunter valoriza bastante o poder que essa personagem tem. 

Campion, que já dirigiu filmes como O Piano, lida com o brutal e o amargo com um puro brilhantismo na sua condução repleta de energia e domínio. Sabemos que se trata de uma minissérie, mas é ótimo quando temos uma cineasta por trás do projeto, que recebe um tratamento mais cinematográfico, o que é bastante especial. E Campion, dos cineastas que estão "migrando" para a TV, é um dos principais destaques com este belo, sensível, cruel e duro conto sobre encontros entre passado, presente e futuro e as cicatrizes que carregamos nas nossas vidas, e a(s) história(s) por trás dessas cicatrizes. Comparações foram feitas entre Top of the Lake e Twin Peaks, o que de fato não deixa de ter sua parcela de verdade.

Top of the Lake estreou no Festival de Sundance e também foi exibido no prestigiado Festival de Berlim, em 2013.

Top of the Lake: China Girl (2017)
diretores: Jane Campion & Ariel Kleiman
★★★★★


Se em Top of the Lake as revelações da personagem Robin Griffin ganharam uma atenção diferenciada ali pros últimos episódios, em China Girl temos um foco ainda mais extenso dentro dessa personagem, que desde a primeira minissérie, quando passamos a saber mais os detalhes do seu trágico passado, já tinha uma abordagem mais diferenciada dos outros núcleos da trama, afinal é o núcleo dela que guia (e conecta) os outros, e aqui vemos uma continuação disso só que com um certo amadurecimento da construção dramática de Griffin.

Agora o cenário é outro. Saímos da cidadezinha do interior e entramos na metrópole oceânica Sydney, na Austrália, onde Griffin agora trabalha como detetive no mesmo departamento de abusos e crimes sexuais. Já se passaram quatro anos desde os eventos na Nova Zelândia, e muitas coisas se passaram desde então: Griffin, que ia se casar com Johnno, o deixou depois que descobriu, no dia de seu casamento, que ele a traia; com isso ela ruma a Sydney, ainda partida, talvez procurando uma forma de se redimir. É aí que entra a filha de 17 anos dela, Mary, que tem problemas com a sua mãe e que está prestes a se casar com um homem bastante problemático, um ex-professor chamado Alexander, que vive dentro de um bordel onde ensina prostitutas asiáticas "a falar inglês". O pensamento "revolucionário" dele acaba contaminando Mary, quem ele acaba incentivando a entrar na prostituição.

Robin começa a investigar um estranho assassinato em quem uma jovem asiática foi encontrada morta numa mala. E ao mesmo tempo, inicia uma nova relação com sua filha biológica, quem ela nunca tinha encontrado antes, e aos poucos vai se tornando uma presença forte na sua rotina. Outra pessoa que também vai marcar esse novo capítulo é Miranda, a policial que acompanha Robin em suas investigações, com quem ela inicialmente não compactua, apesar de desenvolverem uma amizade inusual e até um pouco cômica, às vezes.

Se aqui Campion vai mais fundo no que diz respeito à abordagem (dissecação) das temáticas que surgem nas tramas interligadas (prostituição, adoção ilegal, barriga de aluguel, etc.) pode-se dizer que o mesmo acontece na narrativa, que de certa forma se aprofunda, em especial com os personagens, e por um outro lado dramaticamente também. Pode-se dizer que este trabalho é superior ao anterior, mesmo que os dois tenham méritos que os qualifiquem quase que igualmente. Campion prova que a delicadeza também pode nascer da brutalidade e da crueldade da vida, tão desnorteantes são as suas histórias que, no final, se provam mais humanas do que poderíamos prever. Top of the Lake é, então, um trabalho sobre humanidade, sobre descobrirmos através das nossas próprias feridas e de como lidamos com elas, a capacidade de amar. E de como transformamos as pessoas com quem convivemos. Elenco gigante, China Girl é uma pequena grande obra-prima da TV.

Foi exibido fora de competição no Festival de Cannes 2017, como parte da seleção especial do aniversário de 70 anos. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

impressões do CRITICS CHOICE 2018


A Forma da Água se consolidando como queridinho da temporada, mas ainda tem um oponente forte em Três Anúncios para um Crime. O prêmio de melhor filme pode ser uma alternativa, mas ainda tem um longo caminho pela frente. Del Toro, favorito a diretor. 

– Maioria dos vencedores do Globo de Ouro se repetiram aqui, especialmente os de atuação. Pode ser um sinal de que as premiações estão rumando pro mesmo caminho, o que talvez torne tudo mais previsível (ou não). Será que o Oscar vai preferir escolhas óbvias ou surpresas? Pegue o exemplo das (pelo menos) três edições anteriores e compare com as respectivas edições dos demais prêmios. As surpresas pesam na balança. 

– Algumas pequenas surpresas e vitórias merecidas, Corra! e Me Chame pelo seu Nome foram em roteiro, Trama Fantasma foi lembrado em figurino e teve até empate em edição entre Dunkirk e Em Ritmo de Fuga (que são mesmo os dois favoritos supremos dessa categoria).

– Surpreendentemente, Em Pedaços ganhou mais um prêmio importante e parece rumar para o Oscar com esse mesmo favoritismo. Será que a Diane Kruger vai ser favorecida? Pouco provável, mas tudo pode acontecer (ou não).

Lady Bird saiu de mãos abanando. Para a lógica dos prêmios da crítica, nos quais o filme brilhou e não foi pouco, essa ausência é pra lá de estranha, bem duvidável. 

CRITICS CHOICE AWARDS 2018 – OS VENCEDORES


MELHOR FILME
A Forma da Água

MELHOR DIRETOR
Guillermo del Toro – A Forma da Água

MELHOR ATRIZ
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ATOR
Gary Oldman – O Destino de uma Nação

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney – Eu, Tonya

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ELENCO
Três Anúncios para um Crime

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Corra!

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Me Chame pelo seu Nome

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Em Pedaços (Alemanha, dir. Fatih Akin)

MELHOR ANIMAÇÃO
Viva!

MELHOR TRILHA SONORA
A Forma da Água

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Remember Me", Viva!

MELHOR FOTOGRAFIA
Blade Runner 2049

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Forma da Água

MELHOR EDIÇÃO (empate)
Em Ritmo de Fuga
Dunkirk

MELHOR FIGURINO
Trama Fantasma

MELHOR MAQUIAGEM/PENTEADOS
O Destino de uma Nação

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Planeta dos Macacos: A Guerra

MELHOR COMÉDIA
Doentes de Amor

MELHOR FILME, AÇÃO
Mulher Maravilha

MELHOR FILME, HORROR OU SCI-FI
Corra!

ATOR EM COMÉDIA
James Franco – O Artista do Desastre

ATRIZ EM COMÉDIA
Margot Robbie – Eu, Tonya

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Indicados ao DGA


Indicados ao sindicato dos diretores

MELHOR DIRETOR, LONGA-METRAGEM

GUILLERMO DEL TORO
A Forma da Água

GRETA GERWIG
Lady Bird

JORDAN PEELE
Corra!

MARTIN MCDONAGH
Três Anúncios para um Crime

CHRISTOPHER NOLAN
Dunkirk

MELHOR DIRETOR ESTREANTE

GEREMY JASPER
Patti Cake$

WILLIAM OLDROYD
Lady Macbeth

JORDAN PEELE
Corra!

TAYLOR SHERIDAN
Terra Selvagem

AARON SORKIN
A Grande Jogada

MELHOR DIRETOR, DOCUMENTÁRIO


KEN BURNS & LYNN NOVICK
The Vietnam War (PBS)

BRYAN FOGEL
Icarus (Netflix)

MATTHEW HEINEMAN
City of Ghosts (Amazon Studios)

STEVE JAMES
Abacus: Small Enough to Jail (PBS)

ERROL MORRIS
Wormwood (Netflix)

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018


Indicados ao prêmio do sindicato dos figurinistas

FILME CONTEMPORÂNEO
“Get Out” – Nadine Haders
“I, Tonya” – Jennifer Johnson
“Kingsman: The Golden Circle” – Arianne Phillips
“Lady Bird” – April Napier
“Three Billboards Outside Ebbing, Missouri” – Melissa Toth

FILME DE ÉPOCA
“Dunkirk” – Jeffrey Kurland
“Murder on the Orient Express” – Alexandra Byrne
“Phantom Thread” – Mark Bridges
“The Greatest Showman” – Ellen Mirojnick
“The Shape of Water” – Luis Sequeira

FILME DE FANTASIA/FICÇÃO CIENTÍFICA
“Beauty and the Beast” – Jacqueline Durran
“Blade Runner 2049” – Renée April
“Star Wars: The Last Jedi” – Michael Kaplan
“Thor: Ragnarok” – Mayes C. Rubeo
“Wonder Woman” – Lindy Hemming

terça-feira, 9 de janeiro de 2018


Indicados ao prêmio do sindicato dos diretores de fotografia

LANÇAMENTO DE CINEMA

Roger Deakins, ASC, BSC
Blade Runner 2049

Bruno Delbonnel, ASC, AFC
Darkest Hour

Hoyte van Hoytema, ASC, FSF, NSC
Dunkirk

Dan Laustsen, DFF
The Shape of Water

Rachel Morrison, ASC
Mudbound

PRÊMIO SPOTLIGHT
Máté Herbai, HSC
On Body and Soul

Mikhail Krichman, RGC
Loveless

Mart Taniel
November

BAFTA 2018 – OS INDICADOS


FILME

Call Me By Your Name
Darkest Hour
Dunkirk
The Shape Of Water
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

FILME BRITÂNICO

Darkest Hour
The Death of Stalin
God's Own Country
Lady Macbeth
Paddington 2
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

DIRETOR

Blade Runner 2049, Denis Villeneuve
Call Me By Your Name, Luca Guadagnino
Dunkirk, Christopher Nolan
The Shape Of Water, Guillermo Del Toro
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri, Martin McDonagh

ATRIZ

Annette Bening, Film Stars Don't Die In Liverpool
Frances McDormand, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Margot Robbie, I, Tonya
Sally Hawkins, The Shape Of Water
Saoirse Ronan, Lady Bird

ATOR

Daniel Day-Lewis, Phantom Thread
Daniel Kaluuya, Get Out
Gary Oldman, Darkest Hour
Jamie Bell, Film Stars Don't Die In Liverpool
Timothee Chalamet, Call Me By Your Name

ATRIZ COADJUVANTE

Allison Janney, I, Tonya
Kristin Scott Thomas, Darkest Hour
Laurie Metcalf, Lady Bird
Lesley Manville, Phantom Thread
Octavia Spencer, The Shape Of Water

ATOR COADJUVANTE

Christopher Plummer, All The Money In The World
Hugh Grant, Paddington 2
Sam Rockwell, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
Willem Dafoe, The Florida Project
Woody Harrelson, Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

EE Rising Star Award

Daniel Kaluuya
Florence Pugh
Josh O'Connor
Tessa Thompson
Timothee Chalamet

MELHOR(ES) ESTREANTE(S)

The Ghoul
I am Not A Witch
Jawbone
Kingdom Of Us
Lady Macbeth

FILME ESTRANGEIRO

Elle
First They Killed My Father
The Handmaiden
Loveless
The Salesman

DOCUMENTÁRIO

City Of Ghosts
I Am Not Your Negro
Icarus
An Inconvenient Sequel
Jane

ANIMAÇÃO

Coco
Loving Vincent
My Life As A Courgette

ROTEIRO ORIGINAL

Get Out
I, Tonya
Lady Bird
The Shape Of Water
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri

ROTEIRO ADAPTADO

Call Me By Your Name
The Death Of Stalin
Film Stars Don't Die In Liverpool
Molly's Game
Paddington 2

TRILHA SONORA

Blade Runner 2049 - Benjamin Wallfisch, Hans Zimmer
Darkest Hour - Dario Marianelli
Dunkirk - Hans Zimmer
Phantom Thread - Jonny Greenwood
The Shape Of Water - Alexandre Desplat

FOTOGRAFIA

Blade Runner 2049 - Roger Deakins
Darkest Hour - Bruno Delbonnel
Dunkirk - Hoyte van Hoytema
The Shape of Water - Dan Laustsen
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri - Ben Davis

EDIÇÃO

Baby Driver - Jonathan Amos, Paul Machliss
Blade Runner 2049 - Joe Walker
Dunkirk - Lee Smith
The Shape Of Water - Sidney Wolinsky
Three Billboards Outside Ebbing, Missouri - Jon Gregory

DESIGN DE PRODUÇÃO

Beauty And The Beast - Sarah Greenwood, Katie Spencer
Blade Runner 2049 - Dennis Gassner, Alessandra Querzola
Darkest Hour - Sarah Greenwood, Katie Spencer
Dunkirk - Nathan Crowley, Gary Fettis
The Shape Of Water - Paul Austerberry, Jeff Melvin, Shane Vieau

FOTOGRAFIA

Beauty And The Beast - Jacqueline Durran
Darkest Hour - Jacqueline Durran
I, Tonya - Jennifer Johnson
Phantom Thread - Mark Bridges
The Shape Of Water - Luis Sequeira

MAQUIAGEM/PENTEADOS

Blade Runner 2049 - Donald Mowat, Kerry Warn
Darkest Hour - David Malinowski, Ivana Primorac, Lucy Sibbick, Kazuhiro Tsuji
I, Tonya - Deborah La Mia Denaver, Adruitha Lee
Victoria & Abdul - Daniel Phillips
Wonder - Naomi Bakstad, Robert A Pandini, Arjen Tuiten

SOM

Baby Driver - Tim Cavagin, Mary H. Ellis, Julian Slater
Blade Runner 2049 - Ron Bartlett, Doug Hemphill, Mark Mangini, Mac Ruth
Dunkirk - Richard King, Gregg Landaker, Gary A. Rizzo, Mark Weingarten
The Shape Of Water - Christian Cooke, Glen Gauthier, Nathan Robitaille, Brad Zoern
Star Wars: The Last Jedi - Ren Klyce, David Parker, Michael Semanick, Stuart Wilson, Matthew Wood

EFEITOS VISUAIS

Blade Runner 2049 - Gerd Nefzer, John Nelson
Dunkirk - Scott Fisher, Andrew Jackson
The Shape Of Water - Dennis Berardi, Trey Harrell, Kevin Scott
Star Wars: The Last Jedi - Nominees TBC
War For The Planet Of The Apes - Nominees TBC

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

GLOBO DE OURO 2018 (75th Golden Globe Awards)


Ontem tivemos a 75ª edição do Globo de Ouro, que abriu muito bem a temporada de prêmios da TV nesse ano, e que será lembrada por muitos pelo teor altamente político dos discursos da noite e que também tiveram foco nas polêmicas de assédio sexual que tomaram conta de Hollywood em 2017 e cujos ecos ainda estão ressoando na voz que clama por igualdade e respeito ao trabalho das mulheres nas indústrias cinematográfica e televisiva, e essa noite finalmente encontraram essa voz nos discursos inspiradíssimos das vencedoras. 

Destaque foi a comovente homenagem a Oprah Winfrey, que conquistou o prêmio Cecil B. DeMille pelo conjunto da obra, e entregou o mais poderoso e ovacionado dos discursos da noite, que levou muita gente às lágrimas e arrancou aplausos emocionados da plateia. Quem vê o discurso dela pode até ter uma noção de que a indústria parece ter finalmente acordado para a urgência e a importância das questões levantadas ali e o empoderamento da mulher no meio artístico, mas a impressão é que ainda existe um longo caminho a ser percorrido. Importante é que 2018 promete ser uma nova fase para o devido reconhecimento feminino em Hollywood, que já tinha ganhando força no ano passado, enquanto também existem outras questões de extrema urgência tocadas por Oprah, como o preconceito racial. 

Foi a noite em que o tom político dos discursos deu o tom. E eu não vejo nada errado nisso. Até porque esse é sim um momento em que a indústria hollywoodiana está atravessando um período de transformações, que prenuncia a chegada de novos tempos. É urgente, e a indústria parece ter finalmente aberto os olhos para a sua própria política e está disposta a alterar os seus fatídicos rumos e tomar um outro caminho, de mudança. Todas as celebridades estavam de preto – na tendência da noite "Time's Up" (o tempo acabou) – em protesto. 


Se nos últimos três anos essa questão do empoderamento veio crescendo enormemente, e ali em 2015 foi justamente o momento em que isso se deu com uma maior intensidade, tivemos em 2017 (e posteriormente, agora, em 2018) a influência do poder masculino em Hollywood e como as mulheres foram afetadas ou vitimadas por isso ao longo dos anos. Exemplo disso é o caso de Harvey Weinstein (que até foi mencionado pelo apresentador Seth Meyers – que até conseguiu ter uma apresentação decente e bastante criativa mesmo visto que seu "repertório de piadas" poderia ficar mais limitado pelo tom político da cerimônia – numa piada em que ele fala que Harvey seria vaiado no futuro ao ser lembrado no segmento "In Memoriam", que foi seguido por um longo barulho da plateia, ao que ele fechou: vai soar desse jeito), produtor renomado que perdeu todo o seu crédito assim que as absurdas acusações de assédio a respeito dele começaram a sair na 2ª metade do ano passado, e em menos de um mês ele já estava praticamente banido da indústria, e isso foi só o começo. Pelo que eu sei, as revelações ainda não cessaram, e mês passado a atriz Salma Hayek, em uma publicação do The NY Times, denunciou os episódios loucos de abuso e desrespeito que sofreu do produtor. Kevin Spacey, outra figura que foi praticamente banida depois que revelou-se (e ele próprio confirmou) um episódio de assédio sexual a um menor na década de 80, não faltou nas piadas. Até porque tocar no nome de um ator com uma acusação grave e fazer piadinhas das quais a plateia ri, mas que quase não se compara ao histórico predador de um chefão milionário cujo nome é dito cautelosamente mesmo diante de acusações já confirmadas, uma piada o envolvendo sendo capaz de gerar um enorme estardalhaço e controvérsia, vê-se que essas diferenças com que a indústria lida com suas personagens e o poder que elas ainda geram nesse meio, por mais destituídas que possam estar, é assombroso. 


E não foi só nos discursos que o tom político se concentrou não. Na maioria dos vencedores (e a disposição de prêmios), isso foi visto de forma mais forte também. Nos prêmios de cinema, quase que como por surpresa mas não completamente, o drama Três Anúncios para um Crime levou em quatro categorias principais: filme, atriz, ator coadjuvante e roteiro. O filme fala sobre uma mulher lutando para se vingar da morte da filha. O prêmio de atriz foi apresentado pela nossa querida Isabelle Huppert e a Angelina Jolie, que estavam radiantes. Isso parece mudar os rumos da corrida, e é um indicador de que o filme do inglês Martin McDonagh pode fazer bonito nos prêmios da TV, o que talvez possa prejudicar outros candidatos que foram queridinhos da crítica, como Corra! e Me Chame pelo seu Nome

Lady Bird conquistou 2 prêmios: filme e atriz (comédia), este último entregue para a nossa graciosa Saoirse Ronan, a protagonista do coming-of-age mais aclamado do ano. E Greta Gerwig, mesmo ausente em direção, conseguiu fazer um belo discurso quando o filme levou em outra categoria. É muito legal ver ela, agora como diretora, recebendo prêmios por um trabalho com um hype tão honesto. O fato de termos 2 produções indies ganhando os prêmios de filme é um sinalizador de que a HPFA está abrindo portas e quebrando barreiras, no que parece ser uma lenta modificação desse sistema que privilegiava big shots e está dando lugar para os "pequenos" (que são gigantes).


A Forma da Água, que, apesar de também pertencer a uma distribuidora indie, teve um número menor de vitórias (duas) caso a gente for comparar com o número recorde de indicações dessa edição (sete) que o longa recebeu. Del Toro estava visivelmente emocionado aceitando o prêmio que ele super merece e Desplat, o compositor, caminha rumo a um segundo Oscar.

Na categoria já atribulada de melhor ator, levou o Gary Oldman (que há alguns anos até fez um pronunciamento baixo a respeito da HPFA, que entrega os globos, e para a nossa surpresa parece ter "feito as pazes" com esse prêmio) na frente de Timothée Chalamet, dono do hype todo, e Day-Lewis e seu papinho de "último filme" que poderia ser uma boa desculpa para prêmios.

Entre surpresas e vitórias merecidas, tivemos a extraordinária Allison Janney que ganhou um prêmio por Eu, Tonya, apenas o começo do reconhecimento dessa ótima atuação de uma das maiores intérpretes americanas. Sam Rockwell ganhou na frente de Willem Dafoe (que foi um dos favoritos disparados da crítica) em ator coadjuvante, embora ele mesmo tenha aparecido, mesmo que mais contido, em alguns prêmios críticos sim.

Outro momento alto da noite foi quando James Franco ganhou melhor ator e levou ao palco do Globo de Ouro Tommy Wiseau, o homem por trás da história real de O Artista do Desastre. Foi um momento divertido e bastante inusual, até pelo fato de Wiseau ser um rejeitado pela indústria e ter o filme sobre a sua vida e seu trabalho finalmente reconhecido, mesmo que nas mãos de outro diretor e ator.


Em Pedaços, do alemão Fatih Akin e estrelado por Diane Kruger, foi a surpresa da noite (pelo menos pra mim) ao levar filme estrangeiro. Produção da Pixar, Viva! é favorito supremo e levou prêmio de animação, mais um pra coleção da produtora. 

Nos prêmios de TV, houve um enorme destaque para Big Little Lies (vencedor de quatro estatuetas) e também The Handmaid's Tale (com 2, melhor série e atriz para Elisabeth Moss, após 4 anos desde que ela ganhou por Top of the Lake). The Marvelous Mrs. Maisel foi vencedor das categorias de comédia. 

Bem, como eu não vi muita coisa nem da lista de cinema e muito menos da de TV, não posso opinar sobre muita coisa a respeito da qualidade de fulano de tal em não-sei-qual filme, ou se aquela vitória foi justa, isso eu só poderei dizer após conferir os trabalhos, mas de longe, a noite consumou algumas decepções que foram sentidas para a minha pessoa, que é o caso da esnobação de Kyle MacLachlan, que estava representando Twin Peaks, a maior realização do ano de 2017, numa única categoria (melhor ator, minissérie/telefilme) e perdeu para Ewan McGregor. Muito decepcionante. Nas categorias de cinema, minha torcida em filme estrangeiro era para Uma Mulher Fantástica, e infelizmente o filme não recebeu. Em canção, "Mighty River", de Mary J. Blige, era meu favorito. Mas "This Is Me" levou ao invés. Apesar de não ter sido indicada esse ano a nenhum prêmio, a deusa Isabelle Huppert brilhou no tapete vermelho como ninguém. E pra mim isso já foi o suficiente pra chamar a noite de "A NOITE". 


E eu sei que muita justiça foi feita nas outras categorias, de filmes que ainda não vi mas que só vejo gente elogiando. Então, de certa forma, mesmo que essas ausências acabem deixando a gente um pouco mais pra baixo, o prêmio sempre consegue balancear e fazer uma justiça ou outra, ainda que permaneça bastante fiel às convicções das quais eles não fazem o menor esforço de disfarçar o cheiro do lobby. Mas, é verdade, há muita coisa boa que aconteceu na edição desse ano, e que com certeza ficará marcadíssima. É tempo de abrir os olhos. Há muita coisa acontecendo e o Globo de Ouro segue o passo dessa modificação. Foi uma cerimônia agradável, emocionante, e repleta de coisas boas. Uma ótima forma de começar os prêmios de TV. 

Cinema

MELHOR FILME – DRAMA
Três Anúncios para um Crime

MELHOR FILME – COMÉDIA OU MUSICAL
Lady Bird

MELHOR DIRETOR
Guillermo del Toro – A Forma da Água

MELHOR ATRIZ – DRAMA
Frances McDormand – Três Anúncios para um Crime

MELHOR ATOR – DRAMA
Gary Oldman – O Destino de uma Nação

MELHOR ATRIZ – COMÉDIA OU MUSICAL
Saoirse Ronan – Lady Bird

MELHOR ATOR – COMÉDIA OU MUSICAL
James Franco – O Artista do Desastre

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Allison Janney – Eu, Tonya

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Sam Rockwell – Três Anúncios para um Crime

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Em Pedaços (Alemanha – dir. Fatih Akin)

MELHOR ROTEIRO
Três Anúncios para um Crime – Martin McDonagh

MELHOR ANIMAÇÃO
Viva! – A Vida é uma Festa

MELHOR TRILHA SONORA
A Forma da Água – Alexandre Desplat

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"This Is Me" – O Rei do Show

Televisão

MELHOR SÉRIE DRAMÁTICA
The Handmaid's Tale

MELHOR SÉRIE – COMÉDIA OU MUSICAL
The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR MINISSÉRIE OU TELEFILME
Big Little Lies

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DRAMÁTICA
Elisabeth Moss – The Handmaid's Tale

MELHOR ATOR – SÉRIE DRAMÁTICA
Sterling K. Brown – This Is Us

MELHOR ATRIZ – SÉRIE COMÉDIA OU MUSICAL
Rachel Brosnahan – The Marvelous Mrs. Maisel

MELHOR ATOR – SÉRIE COMÉDIA OU MUSICAL
Aziz Ansari – Master of None

MELHOR ATOR – MINISSÉRIE OU TELEFILME
Ewan McGregor – Fargo

MELHOR ATRIZ – MINISSÉRIE OU TELEFILME
Nicole Kidman – Big Little Lies

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern – Big Little Lies

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Alexander Skarsgård – Big Little Lies