sábado, 15 de julho de 2017

Z: A CIDADE PERDIDA (2016)


James Gray voltou às tela, em plena forma. Se Z: A Cidade Perdida, o seu mais novo aguardadíssimo filme, não se trata de seu melhor trabalho, e fica bem longe de ser até comparável aos últimos filmes do diretor, uma safra de trabalhos especialíssimos, tais como Os Donos da Noite, Amantes e Era Uma Vez en Nova York, nos revelaram um dos mais prolíficos diretores do cinema americano contemporâneo. Mas a espera valeu a pena, mesmo depois de tantas expectativas frustradas em relação ao seu lançamento, se Z: A Cidade Perdida custou a chegar nos cinemas, pelo menos depois de vê-lo podemos ter a certeza de ter testemunhado um grande trabalho, mesmo que não esteja à altura do que Gray sabe fazer de melhor.

Estão presentes o classicismo, uma das características principais do estilo de Gray, o foco nas relações de pai e filho e nos círculos familiares, o que não está presente neste trabalho, e apenas, é Joaquin Phoenix, o ator que melhor se encaixa nos filmes do Gray e que fez trabalhos tão dignos nos três longas anteriores do cineasta, mas aqui está ausente. Temos em tela Charlie Hunnam, vivendo um explorador que enfrenta diversas dificuldades em sua jornada pela floresta amazônica à procura da "cidade perdida", "Z", que perdura toda uma vida, nessa busca incessante e incerta por uma civilização escondida no meio das matas profundas da Amazônia.

É um filme bastante interessante, consegue extrair momentos de grandeza dessa jornada de aventura e redescoberta entre dois mundos completamente distintos, duas civilizações, duas culturas. É justamente nessa questão da dualidade, de estar dividido entre esses dois mundos, o trabalho e a família, a Amazônia e a Inglaterra, que o protagonista é posto à prova por diversas vezes durante o filme, inclusive por sua esposa e seus filhos, que cobram presença paternal e na família inclusive.

O desfecho é um pouco intrigante, duro, talvez um pouco triste, melancólico, embora não intencionalmente. Gray e a arte de transformar imagens em monumentos, frames em quadros, a maneira meticulosa como ele filme cada movimento, cada gesto, cada jogada de seus personagens, é realmente a maior prova da força das imagens que compõem seu filme como um todo.

Assim como Era Uma Vez em Nova York remete a Coppola, Amantes remete a Allen e Os Donos da Noite remete a Scorsese, Z: A Cidade Perdida remete a David Lean. A estruturação épica de uma narrativa cinematográfica, a cultura desse subgênero captada em todos os seus máximos e mínimos luxos, remetem ao vigor do cinema de Lean, completando mais uma vez essa linda filmografia classicista de James Gray, que cada vez mais nos surpreende, cada vez mais trazendo cinema do bom e do melhor.

Z: A Cidade Perdida (The Lost City of Z)
dir. James Gray
★★★★

2 comentários:

  1. É mais um filme que está na minha lista para conferir.

    Abraço

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  2. Assista, Hugo. Gray de volta em grande estilo, só acho está um pouco aquém das três obras anteriores dele mas de qualquer forma tem o melhor de seu cinema.

    Abraço!!!

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