sábado, 3 de junho de 2017

WAR MACHINE (2017)


O filme que estava tão cotado para entrar na awards season acabou arredando e ficou para a Netflix mesmo, talvez poderia até trazer, quem sabe, uma indicação ao Oscar para Brad Pitt, que está ótimo, até melhor que alguns dos candidatos desse ano, mas infelizmente seu personagem é bem fraco e o filme não ajuda muito. Aliás, a aposta da Netflix em War Machine foi tamanha que não faz um pingo de jus ao que a produção de fato é: uma comédia mediana que desperdiça a maior parte de seu tempo com uma narrativa lenta, inconsequente e falha que vislumbra a trajetória de uma tropa no Afeganistão.

A história é completamente desinteressante, a maneira como os eventos são descritos acaba transformando a intenção em se tornar um filme de guerra "leve", "cômico" em uma completa bagunça. Duas horas pra quê? Duas cansativas e intermináveis horas para descrever uma série de fatos que não se conciliam e ainda mais fazer uma abordagem política totalmente rasa. Talvez, penso eu, War Machine funcionaria mais como uma série, afinal, os propósitos deste estão certos e, se melhor dispostos e construídos, deixariam o filme mil vezes melhor do que ele não é, mas talvez a fórmula televisiva se encaixaria mais nesse viés de esquematizar cada cena do filme, com uma trilha sonora que nunca parece combinar com a cena, criando um efeito indesejado e exacerbado. 

O papo todo do patriotismo americano, da invasão, das justificativas da entrada no Afeganistão, tudo aqui está descrito de forma tão óbvia e unilateral. A tentativa de humorizar algumas cenas de teor mais sério e contido acaba funcionando perfeitamente, pena que o resto do filme acaba caindo no esquecimento, na mesmice, no desinteresse.

War Machine
dir. David Michôd
★★

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