quinta-feira, 1 de junho de 2017

JOHN WICK: UM NOVO DIA PARA MATAR (2017)


O melhor filme de 2017 até agora. A frenesi provocada pelas maravilhosas sequências de ação tão bem coordenadas e executadas que, aliadas à fotografia que esbanja beleza e um prazer visual imensurável, são capazes de levar o espectador ao extremo de seu deleite e entretenimento imagético. Não houve um filme, até agora, que bailasse com a câmera de forma tão inventiva, que seguisse seus personagens com uma admiração tão rica, e que abrigasse consigo simbolismos de uma arte que incansavelmente se reproduz ou melhor, imita a si própria e ao que a cerca numa reflexão multidimensional dos espaços, das naturezas e das sensações que evoca. 

Chad Stahelski, após ter co-dirigido John Wick em 2014, regressa na direção, agora sozinho, desta maravilhosa obra de arte que é John Wick: Um Novo Dia Para Matar, que não é apenas um filme mas sim uma coleção de cenas extraordinariamente bem conduzidas e que merecem o status – a honra – de serem apelidadas de icônicas. A câmera dança em torno dos atores, registra seus atos de fúria e de violência, com uma magnanimidade austera e perfeccionista, causando prazer e liberando qualidade cinematográfica. As cores preenchem os cenários, dão vida aos monumentos – e aos momentos, em si – costuram um clima de fascínio, beleza e agressividade, selam o majestoso coordenação quase inaudita de socos, pontapés, gritos, tiros, sangue e suor. 

Não é ironia que Stahelski fora um dublê em seus áureos anos de serviço à indústria cinematográfica, inclusive tendo sido comparado a Keanu Reeves, semelhança esta que uniu ele ao ator neste projeto. O espírito de vingança, seu passado tenebroso e seu legado – o ator redesenha seu personagem com a mesma plenitude em que lhe confere a textura precisa – Jonh Wick é um homem com feridas a cicatrizar, sem medo de, em sua jornada de revanche, conseguir mais um bocado delas. Ele usa a dor para reproduzi-la – uma metáfora quase metalinguística a respeito do propósito cinematográfico desta obra – seus braços não se cansam, suas mãos sentem a sede da vingança, e ele está pronto para a briga. Cabe ao espectador sentar na poltrona e observar essa linda obra de arte que é o cinema de ação.

O roteiro, competente e multifacetado, é por si só uma façanha de arte, é o que dá ao filme esse contexto de metalinguagem – no começo do filme, há uma brilhante cena-enigma em que um filme mudo é projetado à face de um edifício moderno na caótica Nova York, um retrato do contraste entre o passado e o futuro, o novo e o velho, o agora e o antes, a tecnologia a serviço de configurações antecessoras.

Por mais, é a primeira grande obra do ano de 2017. Um filme capaz de gerar os mais diversos sentimentos em quem o vê, e ainda mais, inevitavelmente, o prazer e a complexidade da arte e das camadas em que o cinema vai se desdobrando, seus temas e suas abordagens, seus mecanismos, seus simbolismos e – sobretudo – o poder da linguagem cinematográfica. 

John Wick: Um Novo Dia Para Matar (John Wick: Chapter 2)
dir. Chad Stahelski
★★★★

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