sexta-feira, 25 de março de 2016

Crítica: "AMOR PARA A ETERNIDADE" (2014) - ★★★


Amor para a Eternidade, o mais novo projeto do cineasta chinês Zhang Yimou, que sequer chegou aos cinemas nacionais (o filme foi lançado em DVD há pouco), marca mais um trabalho vigoroso na filmografia exemplar de um dos maiores diretores orientais de todos os tempos. O filme é excelente. Me pergunto porque não foi lançado. É cada uma que as distribuidoras brasileiras aprontam, viu? Zhang, outrora diretor dos ótimos Lanternas Vermelhas, Tempo de Viver, Operação Xangai, Amor e Sedução e também recentes como Herói, O Clã das Adagas Voadoras e A Maldição da Flor Dourada, instiga e maravilha o espectador com uma tocante história de amor, família e desencontros. 

No filme, um homem, detido durante a Revolução Cultural Chinesa, é afastado da família. Após fugir, ele tenta reencontrar a mulher, mas é preso numa estação de trem. Quase duas décadas mais tarde, ele é solto. No entanto, a esposa já não mais o reconhece por um problema de memória (a tal doença é retratada no filme como uma forma de amnésia, mas talvez tenha sido desenhada como Alzheimer). Junto da filha, uma ex-bailarina, que abandonou o sonho, o homem tenta diversas vezes convencer a esposa de quem ele realmente é, ainda que sempre que ele se aproxima ela fica horrorizada, pensando que ele é uma outra pessoa, um tal de Fang, que perto do final é revelado.

Melodrama sem ser espalhafatoso, Amor para a Eternidade carrega uma narrativa competente e sem muitos luxos, simples mesmo que monótona, às vezes. O problema desse filme é que ele não é engajado. E muitas vezes há um certo incômodo no desenrolar da trama, desenrolar esse sem vida. Não me levem a mal, o elenco é primoroso e tecnicamente falando Amor para a Eternidade é super potente. Mas trata-se de um filme sem vida, que poderia ser algo maior do que é se não fosse tão encharcado, dramaticamente miúdo.

E, mesmo com tanta coisa boa aqui, como o elenco já mencionado (as performances são sublimes, exatamente no ponto), a direção sempre irreparável do Zhang Yimou, a trilha sonora impactante, reluto em me restringir à fotografia excepcionalmente bela de Zhao Xiaoding (o mesmo de O Clã das Adagas Voadoras, que foi indicado ao Oscar em 2004 na categoria de Fotografia). O cara é fenomenal. Em mais uma parceria com Yimou, Zhao fabrica um trabalho de fotografia majestoso e inesquecível. Não à toa é a melhor coisa desse filme, que de força técnica tem de sobra.

Ah, Zhang Yimou, falando nisso, está prestes a lançar como diretor The Great Wall, filme sobre a construção da Grande Muralha, que leva no elenco Matt Damon e Willem Dafoe.

Amor para a Eternidade (Gui lai / Coming Home)
dir. Zhang Yimou - 

4 comentários:

  1. Assisti ontem ao filme. Muito bom. Uma pena que termine de maneira que não nos deixa satisfeitos, porém é a história da vida real e se tratando de realidade, desfechos costumam ser tristes em sua maioria.

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