terça-feira, 8 de setembro de 2015

Crítica: "HACKER" (2015) - ★


Não só confesso que cochilei durante a sessão toda como também fiquei desapontadíssimo com o mais novo filme de Michael Mann, Hacker. Provável candidato a pior filme do cineasta, Hacker é tedioso, insatisfatório, clicherizado demais, fútil e nem sequer parece que é um filme dirigido pelo bom e invencível Mann, uma vez que é bem raro encontrar fracassos na carreira deste que é um dos mais talentosos e privilegiados diretores do cinema americano e o filme não tem o mesmo ritmo dos outros longas dele. Se não fosse pela típica câmera digital dos filmes dele, nem desconfiaria que era de sua autoria. Daria mesmo pra ver de longe que Hacker é do mesmo diretor de Miami ViceInimigos Públicos, O Informante e Fogo Contra Fogo? Impossível. As bem-gravadas sequências de ação aqui apresentadas - talvez duas delas na lista das melhores cenas já dirigidas por Michael Mann - enfraquecem, e ficam invisíveis de forma com a qual a falta de qualidade do filme fale mais alto do que a qualidade dessas cenas. Muito deplorável. 

Há quem diga que estava confiante com o anúncio de Hacker, ainda no ano passado, com a premissa de que seria um trabalho melhor que o anterior, razoável, porém belíssimo, Inimigos Públicos. Eu mesmo tinha apostado muito em Hacker. Até hoje quando o vi, mesmo depois de ter lido uma porrada de críticas ruins sobre ele. Se não for o único fracasso da carreira de Michael, Hacker é o pior deles. Inicialmente o filme é bem interessante, com sequências dotadas de um ótimo clima suspenso que movimenta a trama, além de passagens que em certos aspectos levam a gente direto para Inimigos Públicos. Mas a história fica confusa, os planos pouco definidos e a trama, de uma hora para outra amarga. Um apagão do nada. O suspense cai e nas cenas seguintes o clima desaparece, tanto que a única reação em seguida é sono. Uma ou duas vezes cochilei vendo Hacker na tela da TV (entende-se por que o filme não chegou ao circuito nacional), isso por que mesmo vendo filme em casa não tenho o hábito de cochilar. 

Justamente na cena que prometia ser a mais envolvente do longa, a mistura de uma porção de emoções num só lugar resulta na incompreensão. A câmera nervosa de Michael ajuda muito na adrenalina, se não fosse pela mistureba que a cena vira, e aí perde a graça. Naquele instante dá vontade de apertar a opção "abrir" do aparelho reprodutor, tirar o DVD lá de dentro e quebrar o disco ao meio. Dá raiva demais. E eu só conseguia pensar: "Essa porcaria é do Michael Mann?". E o pior é que no cinema seria bem mais econômico do que o DVD, e talvez não sairia tão irado da sessão por isso, quem sabe? 

Chris Hemsworth não brilha em nada aqui e só está de enfeite mesmo (não diga?). Queria mesmo ver a Viola Davis dando um show aqui, mas ela infelizmente não convence nada no papel de uma detetive sangue bom que entra na operação e pretende ajudar o hacker. Para um intervalo de seis anos desde o último filme, Hacker vem como uma bomba e explode avassaladoramente em nossas mãos, destruindo por completo a esperança de ver mais uma grande obra de Mann, como sempre foi. 

Hacker (Blackhat)
dir. Michael Mann - 

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