sexta-feira, 17 de julho de 2015

Crítica: "LONGE DESTE INSENSATO MUNDO" (2015) - ★★★


Longe Deste Insensato Mundo, novo longa do cineasta dinamarquês Thomas Vinterberg, autor de obras incríveis como A Caça e Festa de Família, é um filme muito interessante e profundamente belíssimo. Terceiro longa-metragem em língua inglesa de Vinterberg, Longe Deste Insensato Mundo se por um lado não é tudo aquilo que poderíamos esperar dele à primeira vista, é sim um filme sublime e encantador, cujas cenas lindíssimas são produto da beleza e da eficaz qualidade. A quarta e talvez melhor adaptação cinematográfica do romance homônimo de 1874 de Thomas Hardy vem atraindo bastante a crítica, emocionada com o filme. Não os culpo. Longe Deste Insensato Mundo é um bom filme. Procuro pela versão cinematográfica mais famosa do romance, a de 1967, dirigida por John Schlesinger, e estrelada por Julie Christie. Bem, disseram numa crítica que Carey Mulligan está melhor do que a lendária Julie no papel de Bathsheba. Não é de se duvidar. Carey, como não é de se estranhar, está brilhante e extremamente bela nesta adaptação. 

Longe Deste Insensato Mundo me deixou só um pouquinho irritado. Não é nada por conta dele. Puxa mais para a performance, sensível e arrebatadora, de Matthias Schoenaerts, que, embora não seja ruim, ainda me lembra muito de Um Pouco de Caos, visto muito recentemente e que me desagradou demais, pra não dizer outra coisa. E posso dizer sem medo que, Longe Deste Insensato Mundo ao lado do fracasso estrelado por Kate Winslet é um filme bem melhor. Incomparável, por se dizer. Enquanto lá vi um épico frouxo, sem muita eficiência para ser titulado de obra-prima, ou até mesmo bom filme, aqui vi não só um fervoroso épico, mas uma maravilhosa história recontada com um primor glorioso por Thomas, ao lado de um elenco esforçado e talentosíssimo, que não só inclui Carey e Matthias, mas também Michael Sheen, Tom Sturridge, Juno Temple e outros mais. É um baita filme. Certo que possui algumas falhas, mas quem as encobre são as qualidades. Sei que é um pouco feio dizer isso, mas é necessário, ainda mais num filme tão belo como este aqui. 

Há boatos de que Longe Deste Insensato Mundo estreará aqui em nosso circuito em setembro (segundo o Imdb), apesar das distribuidoras nacionais nada terem confirmado ainda. Não aguentei a ansiedade e logo vi. E, como romance e drama, é um filme que principalmente sensibiliza, antes de tudo o mais. Antes de nos deixar estonteados sem palavras, é um filme que sensibiliza. É muito afetivo. Muitos poderão ver tal característica do longa como um defeito, enquanto eu, do meu jeito, mais prefiro vê-la como uma autêntica qualidade. Ainda que seja um filme maior na carreira de Thomas, é improvável subestimar Longe Deste Insensato Mundo ao nível de, por exemplo, A Caça ou, quem dera, Festa de Família, até o momento os melhores filmes de Thomas. Como eu disse, mesmo que seja um filme agradável de se ver, além da construção narrativa épica impagável que apresenta, Longe Deste Insensato Mundo apresenta certos defeitos.

Um deles é o tempo. Ô filme demorado. Não que eu esteja reclamando que o tempo demorado é demais cansativo pra mim - quem pensaria em algo assim? -, apenas estou dizendo que Thomas errou justo nesse ponto. Não li o livro, um grande clássico, o que pode muito bem dificultar a minha avaliação do filme como adaptação e a influência do tempo em tal realização. Se bem a outra versão com a Julie Christie tinha duas horas e quarenta minutos, enquanto aqui só temos duas horas, o que pode muito bem ser visto como uma mera evolução. Mesmo assim, enquanto filme, Longe Deste Insensato Mundo é um filme por demais demorado. Não me cansou nada, mas há quem diga que este filme possa ser um tanto quanto maçante e enjoativo, levando em conta o exagero da duração? Se bem que a narrativa ficou bem legal, e não sei se, caso a duração fosse encurtada, tal narrativa teria um espaço mais amplo de coerência ou até mesmo interpretação. Em Longe Deste Insensato Mundo, só pra ter uma noção básica do ótimo conteúdo que vos apresento, conta a história de Bathsheba, uma jovem camponesa cujos pais morreram e ela trabalha no campo realizando diversas atividades. Após conhecer um jovem fazendeiro, Gabriel Oak, logo é surpreendida repentinamente por ele com uma proposta de casamento, que ela prematuramente nega. Após subir na vida depois de uma descoberta significativa, Bathsheba se muda para uma região mais urbana, ainda que camponesa, onde conquista mais dois homens além do fazendeiro Gabriel: um rico fazendeiro, Boldwood, e um soldado, Frank, iludido com o repentino sumiço de sua amada. Nisso, uma série de conflitos se gera, pouco a pouco degenerando a situação e aproximando os três homens cada vez mais de um destino implacável.

Como visto, boa história, bom filme. Assim é Longe Deste Insensato Mundo. Rende mais pela boa história que conta, pelo elenco sensacional, pela adaptação verídica de David Nicholls, pela direção que ainda guarda alguns vestígios amadores, como o close-up "zoom", de Thomas, mas que é uma dádiva da perfeição, e, é claro, a trilha sonora de Craig Armstrong. E o visual bem-feito dessa trama apaixonante, que vale tudo.

Longe Deste Insensato Mundo (Far from the Madding Crowd)
dir. Thomas Vinterberg - 

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