quinta-feira, 2 de julho de 2015

Crítica: "CORAÇÕES FAMINTOS" (2014) - ★★★


Por um lado, até que Corações Famintos é um filme bom. No fim, senti que não estava satisfeito, mesmo que tivesse gostado muito da história apresentada. Acho que faltou alguma coisa em Corações Famintos. Mesmo com a reviravolta trágica final, achei tudo muito estranho, talvez incompleto ou até normal para o caso. É como se a própria história em seu contexto não fosse, ao final de tudo, tão emocionante pela falta de recursos no roteiro escrito. Ou seja, mesmo que conte com um elenco forte, intenso, talentoso, e uma história pra lá de provocadora, Corações Famintos meio que passa em branco, por que no fundo não soube usufruir corretamente de tais artifícios que tanto poderiam tornar sua trama um tanto quanto significante.

O que me interessou em Corações Famintos foi a participação notória de Adam Driver e Alba Rohrwacher, que venceram respectivamente os prêmios Volpi Cup de Melhor Ator e Atriz ano passado em Veneza. E, de fato, os dois estão ótimos aqui. O filme relata a jornada de Jude e Mina, que se conhecem no banheiro de um restaurante em Nova York e em pouco tempo iniciam um relacionamento. Ela trabalha na embaixada italiana na cidade e ele é arquiteto. Ao mesmo tempo em que sua transferência é anunciada, Mina descobre que está grávida - o episódio que desencadeia numa série de conflitos que acabam por se encerrar de uma maneira tortuosa. Mina, que é vegetariana, está afetando a saúde do bebê devido aos alimentos que ela dá à ele e à baixa quantidade de nutrientes e proteínas que o oferece, o que faz com que um distúrbio aflija ao menino, e ele tenha problemas com o desenvolvimento. Esse problema irrita severamente Jude, que passa a repreender Mina e a levar o bebê escondido à lugares públicos em Nova York para comer carne, à contragosto da mãe, mesmo que ela insista numa excessiva e estressante mania de limpeza que ainda sim não evolui em favor da melhora do bebê.

A cena inicial é apenas um falso cognato para o resto do filme. Mesmo que toda aquela alegria exposta no primeiro encontro do casal tenha certa graça e comédia, é nessa mesma cena onde podemos notar a "mania de nojo" da personagem Mina, que, tendo entrado no banheiro de um restaurante e pego Jude com uma intoxicação no local, já começou a ter uma sensibilidade ao cheiro. Talvez, esse seja o sinal escondido da mania mortal de Mina. Não se deixem enganar pela primeira cena, que aparentemente é bem confortável e leve. O resto do filme aguarda algo bem mais miraculoso e polêmico do que os detalhes infames, engraçados e constrangedores, segundo Jude, apresentados nas boas-vindas da cena de abertura, que, se comparada ao desfecho final não bate nem um fiasco.

De longe, Corações Famintos me lembra O Bebê de Rosemary, clássico de Polanski que também relata uma série de bizarrices que acometem uma grávida, feita por Mia Farrow. De perto, há certos traços que me remetem ao visto recentemente Precisamos Falar Sobre o Kevin, embora lá no filme da Lynne acredito que exista mais qualidade, talvez maturidade ou até mesmo aprofundamento desenvolvido na trama, algo que aqui existe, mas em quantidade menor. Se bem analisado, gostei de Corações Famintos pelo frenético Adam Driver, que até me deixou bem surpreso com sua atuação e a talentosa Alba Rohrwacher, que com seu jeitão "molenga" e melancólico, me deixou bem claro que seu personagem poderia ser muito bem interpretado por Charlotte Gainsbourg - exatamente da mesma forma (risos) -.

Corações Famintos (Hungry Hearts)
dir. Saverio Constanzo - 

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