segunda-feira, 29 de junho de 2015

Crítica: "MAD MAX" (1979) - ★★★★★


Como negar a euforia e a extensa qualidade de Mad Max? Como dizer não à sequências de ação tão bem-feitas e esplendidamente produzidas com um esforço astronômico? Dizer apenas que Mad Max é um clássico não basta. Tem que enfatizar que, na época de sua realização, foi uma obra extremamente revolucionária em todos os sentidos, tendo sim estado à frente do seu tempo não só na história mas também na extraordinária concepção. E ainda por cima foi feito com inacreditáveis 400 mil dólares australianos (isso contando com o cachê-extra do diretor George Miller)! 

Talvez hoje, Mad Max não seja tão fantástico assim no que se diz respeito à efeitos de ação e tudo mais, já que nossa visão ultimamente foi preenchida por sequências bem mais calorosas e triunfais no sentido adrenalina do que as vistas aqui (um bom exemplo a ser usado é o novo e espetacular longa da franquia, Mad Max - Estrada da Fúria). Mas é preciso pensar naquela época e nas condições nas quais a história foi filmada, o que automaticamente faz com que Mad Max seja uma das obras mais incríveis do gênero e com certeza uma das maiores também já lançadas.

Se observados os detalhes, é possível notar algumas falhas na filmagem do longa, devido aos baixíssimos custos no qual a obra foi submetida. No entanto, tais baixos custos, de um preço inimaginavelmente menor para a ampla experiência oferecida pelas cenas de explosões e batidas de carro do longa, foram extremamente bem utilizados com muita economia por Miller, pelo visto. Não é à toa que parece que cinquenta milhões de dólares foram colocados dentro de cada cena. Pra você ver o tamanho da genialidade e da criatividade do pessoal que constituiu a produção deste inevitável clássico, incluindo (e encabeçando a lista, lógico) George Miller, diretor e roteirista em seu longa de estreia, que, no futuro, viria a dirigir películas maiores como O Óleo de Lorenzo, As Bruxas de Eastwick, Happy Feet, além da importante colaboração no roteiro e na produção de Babe - O Porquinho Atrapalhado, e também da direção e do roteiro dos outros três filmes da franquia, que, com o passar do tempo, se aprimoraram nos quesitos de produção e orçamento.

A história por muitos é conhecida: em um futuro próximo, a população é colocada em risco com a falta de segurança causada por arruaceiros da estrada que roubam, estupram e cometem outros tipos de crime. Um policial, Max, tem sua patrulha destruída e sua família assassinada e, em busca de vingança contra todos àqueles próximos, ele planeja um ataque que corromperá a criminalidade e destruirá o mal que tanto o causou desconforto e perturbação. 

O ainda desconhecido Mel Gibson atua neste e nos outros dois longas sucessores da franquia na pele de Max, o policial vingativo e psicoticamente agressivo. Dizem que o próprio Gibson, aos 23 anos naquela época, apenas foi selecionado pelo agente do elenco por que tinha se envolvido em uma briga de bar antes do teste e os hematomas em seu rosto acabaram por surpreender o agente do elenco, que decidiu escalá-lo.

A sensação mais comum enquanto eu assistia este furioso longa era constantemente pânico. Talvez nostalgia também, mais causada pela icônica e inquietante trilha sonora do australiano Brian May, cujas notas excepcionais e embaralhadas me fizeram sutilmente recordar de algumas outras trilhas antigas, não do mesmo gênero, mas incrivelmente semelhantes devido ao uso instrumental e tudo mais. Acredito que pânico por que a injustiça também era muito grande. Este primeiro filme da franquia ainda não tinha dimensionado ao todo a distopia que nos acometeria tão intensamente quanto os outros filmes seguintes (em essencial o quarto, de tirar o fôlego), mas é algo muito comparável ao que acontece à nós hoje em dia. A paz não se encontra presente. Sempre estamos desconcertados com a violência e a atipicidade, por vezes até bizarra, dos crimes cometidos ao nosso redor. Pânico mesmo. Total. E o pior é que essa sede por vingança, característica de Max, já é algo do instinto, mas que, com o rápido passar do tempo, vai se tornando cada vez mais usual e comum para nós, a ponto de ter como objetivo não só a agressão e a opressão, mas também a satisfação e o equilíbrio, de forma totalmente reversa e instável.

Não sei como Mad Max surpreende mais: pelas suas cenas impactantes recheadas com explosões e imagens aterrorizadoras de um mundo destruído pelo caos, pela visão previsível da dimensão da violência no futuro, ou pela excelência épica de sua história inovadora e obscura. Só mesmo posso dizer que Mad Max é uma obra sensacionalmente importante, impetuosa e potencialmente cativante.

Mad Max
dir. George Miller - 

2 comentários:

  1. Sempre achei o filme de 1979, o melhor. Estrada da Fúria me deu sono no cinema. A película de 1981, outro clássico. Cúpula do Trovão? Só gostei da trilha sonora.

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    1. Ainda não vi o segundo, e nem o terceiro. Gostei bastante de Estrada da Fúria, até mais do que esse primeiro, que também é um filmaço.

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