segunda-feira, 8 de junho de 2015

Crítica: "A ESPIÃ QUE SABIA DE MENOS" (2015) - ★★★★


Há muita coisa de Missão Madrinha de Casamento que revi aqui em A Espiã que Sabia de Menos. Não apenas a qualidade, mas também a forte característica feminina da história e o tresloucado humor, além do talentoso elenco. Novo longa de Paul Feig, que revelou-se em 2011 dirigindo o longa acima citado, que estrelava um ótimo cast feminino estrelado pela brilhante comediante Kristen Wiig, repete aqui uma experiência gloriosa e maravilhosa assumindo a direção, e desta vez o roteiro de A Espiã que Sabia de Menos, livremente "inspirado" nos clássicos filmes de espionagem, agora com um toque a mais de modernidade (vê-se no pôster a referência ao clássico de James Bond 007 Contra Goldfinger, um dos meus favoritos).

Muitos por aí dizem que o título em português do longa é uma referência ao longa de Hitchcock O Homem que Sabia Demais, apesar de que acredito que o título seja uma clara direta ao recente O Espião que Sabia Demais, já que seria muito fácil receber da distribuidora nacional um título referenciando o mestre do suspense. Porém, não criem expectativas anteriores quanto aos filmes citados. O longa é uma simples paródia, apesar de bem-feita e muito bem-humorada (e bota bem-humorada nisso...). A Espiã que Sabia de Menos é um longa pra lá de hilário. Mesmo que a boa maioria, pelo menos cinquenta por cento, das gargalhadas geradas pelo filme sejam de origem vulgarmente chamada "pastelona". Não vale muito ligar pra isso. O que vale é curtir o estilo do longa e a sua trama inteligente que nos deixam curiosos e tremendamente cativados, ainda mais pelo humor. 

Mas confesso que, apesar das mil e uma qualidades que tanto me lembram da obra Missão Madrinha de Casamento aqui presentes, quem mais surpreende e quem mais agrada dentre essas mil e uma qualidades sem dúvida alguma é a queridíssima Melissa McCarthy, que anteriormente já havia recebido uma mega aclamação por interpretar a desajeitadamente cômica Megan em Missão, que tinha um estilo "espionagem" devido à profissão que ela seguia, mas, embora ali a profissão só mais teria ajudado o personagem a ganhar a simpatia do público e causar um bom humor, aqui não só esses sãos os motivos, mas há maior dentro de tudo isso. Talvez o personagem contenha em si uma espécie de espírito de comprometimento e fidelidade ao serviço, o que tão vimos ultimamente. Certo de que aqui quem impera é o humor, mas vale enfatizar certas qualidades presentes na performance de McCarthy (ainda tenho que publicar aqui no blog a resenha da nova temporada de Mike & Molly, que terminou há pouco). 

O resto do elenco, à breve exceção de alguns, não será desconhecido ao espectador que assistiu à Missão. Rose Byrne (novamente como vilã - creio que exista certa semelhança entre seu personagem aqui e o que ela fez em Missão quanto à questão de personalidade), a própria McCarthy, Ben Falcone (marido da Melissa, que fez o marechal - super cômico - em Missão, aqui aparecendo bem curtamente). Dentro do novo elenco, temos Jude Law (que, acredito eu, daria um lendário Bond), Jason Statham (que, em Velozes e Furiosos 7 fez um vilão barra-pesada, aqui faz um agente boca-suja que, em sua completa seriedade, ganha o público pela comicidade e simpatia, particularmente nas cenas onde ele co-protagoniza com Melissa), Miranda Hart, Bobby Cannavale, Allison Janney, Peter Serafinowicz (famoso por ter atuado em Star Wars - Episódio I: A Ameaça Fantasma, aqui fazendo um agente italiano taradão que se apaixona pela Susan Cooper, e que, nas cenas feitas com esta personagem, me fez rir alto no cinema). 

E, apesar de não ser melhor, confesso, do que Missão Madrinha de Casamento, onda havia um certo sarcasmo e iconismo em seu conteúdo - em termos humorísticos -, A Espiã que Sabia de Menos é um filme bem mais maturo tecnicamente do que aquele. Missão tem um ar mais independente, mais particular. Já A Espiã trata-se de algo mais geral, mais aberto, mais "técnico", característica que nunca se encaixaria nos padrões de Missão. Em A Espiã, além da trama mais violenta, bizarra e cheia de ação, temos uma forte equipe técnica por trás dos cenários desconcertantes, figurinos detalhados, fotografia excelente e efeitos visuais de mão cheia. A trilha sonora de Theodore Shapiro surpreendeu. Geralmente, não venho me satisfazendo com as trilhas de Theodore, a quem muito já vangloriei e elogiei. A fotografia de Robert Yeoman (O Grande Hotel Budapeste), também me surpreendeu, por que é ótima (inicialmente, eu acharia que, devido aos badalos do longa de Wes Anderson, Robert não teria se adaptado ao clima espião deste filme - claro, eu estava enganado). Confiar, proximamente, neste grandioso excelente diretor de fotografia não será tão difícil, já que ele mostrou competência ultimamente em seus trabalhos, inclusive esse. 

Achei que me enjoaria da ação presente em A Espiã, algo que primeiramente me deixou irritado no trailer, mas aqui confesso que gostei. E volto a repetir: geralmente não sou tão bom com filmes deste gênero, apesar dele ter trago consigo de uns anos pra cá obras fascinantes. E, por que não A Espiã que Sabia de Menos? É um filme agradabilíssimo, que nos faz rir e chorar, além de ser um filme de espionagem praticamente plausível, em seu todo. Certamente, é uma grande obra fascinante. Além de quebrar ao todo esse preconceito contra as mulheres em filmes de ação, algo que vi em Mad Max: Estrada da Fúria, A Espiã que Sabia de Menos possui um humor próprio particularmente hilariante e simplesmente invencível. Um humor aconchegante, sujo, especial, sensível, insistente e brincalhão, que tem estreita ligação com o truque pastelão que tanto arrancou risos da minha pessoa. Esse truque "pastelão" vai demorar pra deixar de fazer efeito no público, apesar dele já ser bem velho, e até que não, não acredito que ele se perderá com o tempo, mesmo com a exigência e a instabilidade com a qual ele veio sendo recebido pelo público e pela crítica de uns tempos pra cá. É uma espécie de humor única, quão deliciosa. É a mais primária, também. Respeito à ela é totalmente preciso. Mudando de assunto, vejam esse filme, e pensem em Melissa McCarthy. Pensem nela aqui bem mais cômica do que ela foi em Missão Madrinha de Casamento. Raro não adorá-la aqui. A mulher é de um talento genial! 

A Espiã que Sabia de Menos (Spy)
dir. Paul Feig - 

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