terça-feira, 16 de junho de 2015

Crítica: "007 - QUANTUM OF SOLACE" (2008) - ★★★


Cada dia que passa, ficamos mais próximos do lançamento de 007 Contra Spectre. E, este ano, estou realizando a "promessa" de ver os três últimos filmes estrelados por Daniel Craig na franquia. Em março, revi 007 - Operação Skyfall. Futuramente, reverei 007 - Casino Royale, que tanto influenciou a trama deste filme, Quantum of Solace. Para quebrar o suspense e a fúria causadas pelo título não-traduzido, Quantum of Solace, aqui facilito suas vidas: o título, se viesse a ser traduzido para o português, funcionaria mais ou menos como 007 - Quântica do Consolo, o que, no final das contas, faz um baita sentido.

E, até que o filme não é tão ruim quanto eu pensei que seria. Lógico, não é como 007 - Casino Royale, mas, sob nenhum aspecto, chega a ser um filme desapontador, digamos. Recomendo: no caso de algum de vocês quererem ver este filme, vejam primeiramente 007 - Casino Royale, justamente para não deixar de compreender este além de evitar um astronômico spoiler do final de Casino Royale. Nesta missão, Bond é monitorado para seguir os passos de uma corporação criminosa, algo que o leva a vários pontos de sua última tenebrosa missão, e o faz mais ainda revoltado e cheio de vingança. 

007 - Quantum of Solace poderia ter melhorado muito. Não sei se é só impressão minha ou se Marc Foster exagerou e errou feio na receita. Talvez, por conta da inexperiência com filmes de ação, este projeto não tenha se saído tão ótimo. Seria aceitável. Só que, ainda por cima, Foster decidiu esconder sua inexperiência debaixo do tapete e usou a mal-feita edição do filme para encobrir todo o caos de seu "não-talento" com filmes de ação nas cenas de grande porte, incluindo a abertura meia-boca, que, se percebermos bem de perto, é totalmente dependente da edição, novamente, mal-feita.

Marc Foster é um sujeito cuja "ficha" possui muitos trabalhos "prós" e muitos trabalhos "contra". Recentemente, vi aquele que considero "seu melhor filme": Mais Estranho que a Ficção. E isso por que até hoje não tive a oportunidade de ver um de seus longas mais aclamados, A Última Ceia, que deu o Oscar a Halle Berry. Vi Em Busca da Terra do Nunca mas fiquei tremendamente dividido. Enquanto, em partes, o achei muito interessante e bem construído, por outro lado fiquei decepcionado com a falta de seriedade e compromisso da equipe que o fez. O Caçador de Pipas, melhor não dizer nada. Quanto à 007 - Quantum of Solace, digo muito alto: "nada mal!".

Daniel Craig está tão bom aqui quanto esteve no bombástico e altamente talentoso 007 - Cassino Royale. O melhor do ator é que ele se encaixa brilhantemente em James Bond. É incrível. Sei que pode ser cedo demais para afirmar, mas é preciso qualificá-lo à altura das grandes performances dos lendários Roger Moore e Sean Connery como Bond. Craig é espetacular. Acho que nem mesmo o último James Bond, Pierce Brosnan, foi tão competente como esse aqui. Parece mesmo que Daniel se entregou de corpo e alma - parece não, é! - à Bond no fim de transformá-lo em seu personagem mais reconhecido.

Elogios à parte, volto a debater Foster com a falsidade com a qual ele comprometeu as criativas cenas de ação desse longa. Posso estar errado, mas é muito artificial. E estúpido, aposto. Não dá pra sentir gosto, adrenalina, em cenas tão ausentes de alma e poder. A fúria do personagem Bond quase nunca se é percebida, ao não ser especialmente no complexo final. O roteiro de Paul Haggis chantageia emoções por um punhado de tiro, porrada e bomba, o que, aqui, não pegou bem. A tensão acentuada da trama é desculpa pelos dramas internos ocasionados pelos diversos problemas que acometem o olfato (des)apurado do filme. Além disso, quase não vi as bond girls. A belíssima Olga Kurylenko entra no início, sai de campo no meio, e retorna (invisivelmente) no final. E nem rola uns "amassos" (sim, estou excedendo beijos). Só com a tal Mrs. Fields (Gemma Arteton), assistente britânica do MI6 e que trabalha na embaixada boliviana, que se deita com Bond durante a estadia dele em La Paz, só que é tão rápido, mesmo que uma boa referência à 007 Contra Goldfinger esteja metida nesse meio. Nem parece que é (e, pra mim, coisa que não pode faltar em filme de 007 é bond girl, senão perde a graça, "risos"). 

007 - Quantum of Solace (Quantum of Solace)
dir. Marc Forster - 

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