quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Crítica: "A HORA MAIS ESCURA" (2012) - ★★★★


Em duas horas e meia, A Hora Mais Escura lidera uma capacidade comovente de conduzir-nos ao extremo. Repleto de uma significativa simbolismo que o torna mais eficiente entre as produções do cinema americano atual. A Hora Mais Escura é um filme belíssimo. Nunca um filme mostrou tanto impacto ao abordar de forma tão avassaladora o pós 11 de setembro, um dos episódios mais fatídicos da nossa história. Acho que nesse quesito, A Hora Mais Escura perde apenas para United 93, de Paul Greengrass. 

É necessários lembrar-los que este filme é cheio de pontos fictícios, ou seja, sua história, embora narrada em ordem cronológica, não é totalmente fiel aos acontecimentos que sucederam a Guerra ao Terror. Esta é a segunda vez em que Bigelow impõe a moralidade do terrorismo e do patriotismo americano em uma película. Muitos a conhecem por Guerra ao Terror, sua magnum opus. É óbvio, A Hora Mais Escura não é como Guerra ao Terror, todavia que seja um filme com uma história muito semelhante ao drama vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2010. 

A narrativa tem como foco uma agente americana que encontra-se no Paquistão realizando investigações acerca de Osama Bin Laden e o Al-Qaeda, enquanto ao mesmo tempo, também sente que está envolvida sentimentalmente com essa operação, que tanto a afeta. Mas em sua inteligente visão, as consequências são apenas são o reflexo da intensidade de seu esforço. Aqui, a história analisa de forma mais precisa e metódica a guerra entre o terrorismo e o governo americano em capítulos bem-divididos. A Hora Mais Escura é naturalmente envolvente por esse clima que ele cria. 

Há algumas performances que ganham destaque ao longo do filme. A revelação de Jessica Chaisten é maravilhosa. Apesar de ter dado uma atuação bem cativante em Histórias Cruzadas, Chaisten colocou-se á toda força ao atuar como a agente americana Maya em A Hora Mais Escura. É uma performance tão grande que palavras são independentes ao fazer um retrato mais preciso de Chaisten nesse filme. Talvez, apenas um único substantivo a defina neste filme: talento. E para quem atuou nesse filme, o trabalho não foi lá tão fácil. Quando o filme interpreta elementos mais internos do que externos, utilizando artifícios da realidade e da ficção ao mesmo tempo, há alguns aspectos que refletem o quão difícil foi fazê-la. Por ser um trabalho bem desenvolvido do que outras produções, A Hora Mais Escura foi um trabalho que necessitou acima de tudo coragem e dedicação, e isso é visto constantemente no filme a todo tempo. O elenco, a direção, o roteiro. Tudo se fecha num ciclo cujo resultado é seu sucesso astronômico. 

Katheryn Bigelow repete uma fórmula ao dirigi-lo, é inevitável, mas aqui, Bigelow não utiliza os mesmos ângulos. É isso o que principalmente a torna mais consistente: Bigelow recicla um gênero para inventar novas formas de cinema. E com certeza, Bigelow tem muito mais a nos mostrar, e já conseguiu provar muitas vezes o que é capaz. Dela, eu não tenho medo. Confiei totalmente nela ao assistir este filme. Ela também me introduziu a confiança que criei por Chaisten, e Mark Boal ao longo deste triunfal jornada. Não, talvez mais do que isso. Um épico inventivo. Um clássico instantâneo!

A Hora Mais Escura (Zero Dark Thirty)
dir. Katheryn Bigelow - 

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