domingo, 1 de março de 2020

Berlim 2020

Trailer: There Is No Evil

Não vou a festivais, muito menos aos grandes festivais que acontecem no exterior, esses repletos de estrelas e diretores famosos, conceituados. Claro, quem me dera eu pudesse ir. Mas isso não me impede de conferir as listas, e ver quais são os filmes que vão estrear nesses grandes festivais, pra ter uma noção do que vamos ver por aí, inclusive na questão do cinema internacional, o world cinema. E o Festival de Berlim (com o de Sundance) dá o pontapé inicial. 

O grande vencedor de 2020 foi o iraniano There Is No Evil, do Mohammad Rasoulof. Também foram premiados os aguardados Never Rarely Sometimes Always (Eliza Hittman), The Woman Who Ran (Hong Sang-Soo) e Undine (Christian Petzold).

Segue minha lista dos "filmes pra ficar de olho", que passaram em Berlim 2020. 

There Is No Evil (Mohammad Rasoulof) Urso de Ouro
Undine (Christian Petzold)
The Woman Who Ran (Hong Sang-Soo)
Never Rarely Sometimes Always (Eliza Hittman)
Siberia (Abel Ferrara)
First Cow (Kelly Reichardt)
Todos os Mortos (Caetano Gotardo & Marco Dutra)
Days (Tsai Ming-Liang)
The Salt of Tears (Philippe Garrel)
Malmkrog (Cristi Puiu)
Swimming Out Till The Sea Turns Blue (Jia Zhangke)
Berlin Alexanderplatz (Burhan Qurbani)
Nardjes A. (Karim Aïnouz)
Isabella (Matías Piñero)
No Hard Feelings (Faraz Shariat)
Mogul Mowgli (Bassam Tariq)
The Twentieth Century (Matthew Rankin)
O reflexo do lago (Fernando Segtowick)
Un crimen común (Francisco Márquez)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

REINO ANIMAL (2010)


É curioso como esse filme vai deixando rastros. Em REINO ANIMAL, a violência tem um peso extremamente determinante nas relações familiares. Elas são delineadas pela presença da violência, explícita ou não. A forma como essa família, tão ligada ao crime, é configurada exponencialmente pelas suas próprias marcas de transgressão e destruição, até nos gestos mais simples, como um momento de troca de afeto, ou quando as coisas são resolvidas, um acerto de contas, diz muito sobre como a violência se tornou a sombra da manutenção desses laços familiares.

Essas relações vão se confrontando à medida que a tensão cresce, e os gestos tornam-se imprevisíveis. Há toda uma linguagem por trás dessa complexa teia de relações no seio familiar, que contribui para a construção de uma hierarquia particular, onde a violência pontua a afinidade e a ligação entre os personagens. 

Há um discurso sobre fracos e fortes, que tem a ver com a descendência familiar/criminal. É algo que vai definir qual é o papel que o personagem principal desempenha nessa hierarquia, como quem passeia por todo aquele cenário do crime, mas absorve uma resistência, estando inserido em relações tão maleáveis, mistas. REINO ANIMAL observa como essa família disfuncional vai ruindo a partir das suas próprias configurações. E como ela senta na mesa para acertar as contas. 

O elenco: show de bola. Dá gosto de assistir um elenco que se destaca pela qualidade coletiva. E me dá vontade de conhecer mais do cinema australiano. 

Reino Animal
Animal Kingdom
dir. David Michôd (Austrália, 2010)
★★½

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

OSCAR 2020 (92nd Academy Awards)

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Acho que nunca assisti uma edição do Oscar assim. O Oscar 2020 conseguiu ser o melhor Oscar em muito, muito tempo. Foi uma noite histórica para o cinema mundial. Pela primeira vez na história, um filme não-americano e não-falado em inglês ganhou o maior prêmio da noite, Melhor Filme. Parasita ainda levou mais 3 prêmios pra casa, fechando o círculo de uma temporada em que ele foi um dos filmes mais badalados, respeitados e queridos. Ano passado o mexicano Roma teve um favoritismo parecido, e até chegou a ganhar três prêmios, mas não levou o principal. Parasita fez história na noite de ontem. Nenhum filme não-americano antes havia levado tantos prêmios principais numa única noite (filme, direção, roteiro). É especial pois é uma celebração mais que necessária do cinema mundial.

Quando o cinema de fora dos EUA consegue ter um espaço assim no Oscar, é uma vitória gigante para o cinema do mundo todo. É uma questão de visibilidade. O cinema mundial está sendo festejado na festa mais importante do cinema. Isso não é pouco. Em 92 anos de Oscar, é a primeira vez que isso acontece. E nesses 92 anos, apenas 10 filmes completamente internacionais tiveram a chance de competir pelo Oscar de Melhor Filme. O que infelizmente é pouco. Que a vitória estrondosa de Parasita possa representar uma mudança, e que nos próximos anos a Academia passe a reservar cada vez mais espaço para o cinema mundial, do jeito que é necessário, pra não apenas quebrar o paradigma de que apenas o cinema dos EUA merece atenção numa festa que, apesar de americana, é vista todos os anos no resto do mundo por milhões de pessoas, quando tem tanta coisa boa vindo de todos os cantos do mundo, mas para simbolizar que os filmes estrangeiros estão saindo dos limites que são reservados a ele (a categoria de Filme Internacional), ou seja, que o cinema do mundo importa e merece ser visto, reconhecido e celebrado. É uma vitória sem tamanho. 

E se as vitórias de Parasita deixaram a gente emocionado, mas não muito surpresos porque ele merecia ganhar, se trata de um filme importantíssimo e que reflete os sintomas sociais e políticos mais latentes da atualidade, no que diz respeito à desigualdade social e ao sistema capitalista, não só lá na Coreia do Sul, mas em todos os cinco continentes. A premiação de um filme que percorre esses temas parecia ser surreal demais para os gostos da Academia, mas o Oscar 2020 provou o contrário. E que bom que isso aconteceu.

A edição foi uma das mais tranquilas. Quem sabe deixar a cerimônia sem um host não deixou as coisas fluírem mais? Se bem que esse ano a Academia não resistiu a tentação de colocar Steve Martin e Chris Rock (dois ex-hosts) pra abrir a cerimônia, depois de uma performance da Janelle Monaé. A cerimônia estava num ritmo tão  Eu até estava achando os comerciais menos demorados. 

Em termos de diversidade, o prêmio foi criticado e até se falou em #oscarssowhite. Houve apenas uma atriz negra indicada esse ano (Cynthia Erivo) em meio a tantas outras performances ignoradas pela Academia (Lupita, Awkwafina, etc.). É esquisito porque as últimas listas do Oscar, desde 2017, trouxeram uma diversidade jamais vista antes no Oscar. 

E se em alguns anos vemos o Oscar estando mais político, era justamente num ano de reeleição que a gente esperava discursos mais preocupados, afinal, o Oscar também é um evento político, inclusive ao falar de cinema. Mas isso não aconteceu muito. É claro, tivemos Joaquin Phoenix dando um discurso daqueles, penetrante e forte, parecido com os que ele já deu na temporada. Boa parte dos discursos foram tomados pela emoção, com as pessoas surpresas, tremendo, agradecidas. Como eu disse, foi uma das edições mais tranquilas em muito, muito tempo. Acho que nunca vi uma edição do Oscar que fosse tão tranquila assim tanto na condução quanto nos premiados. 

Agora vamos falar dos momentos da noite. A performance tocante de "Yesterday" dos Beatles por Billie Eilish, no segmento In Memoriam. A belíssima canção, interpretada na voz dessa cantora fenomenal, me deixou em torpor, hipnotizado. A melhor e mais bonita apresentação da noite, até melhor que a maioria das performances das músicas indicadas. E, dessas, eu destaco duas: Cynthia Erivo (e sua voz poderosíssima), e o agitado e funky Elton John. Muita gente ficou sem entender porque Eminem estava lá em cima do palco cantando "Lose Yourself" (melhor canção de 2003) depois de um segmento voltado para as canções. E a plateia até estava cantando junto. Será que ele foi pagar a dívida de não ter cantado a música no Oscar 2003?

No time dos vencedores, senti falta de O Irlandês, que saiu de mãos abanando. É um dos meus favoritos, do time dos indicados. Ainda não conferi 1917, Adoráveis Mulheres, Jojo Rabbit, por isso a cerimônia desse ano já engrossou minha watchlist. Inclusive os curtas, que também me deixaram interessados. Tínhamos Brasil concorrendo esse ano pela 1ª vez desde 2016, mas infelizmente não foi dessa vez que o Oscar veio pra nós. Mas o que importa é que entramos na lista. E inclusive num ano em que o cinema nacional estava sob ataque e correndo risco de ser ceifado pelo governo. 2019 foi um dos anos mais frutíferos pro nosso cinema em anos e a gente até pôde ver um doc nosso no Oscar. Não foi pouco. Quem sabe daqui a um tempo a gente não veja um filme nacional fazendo bonito na premiação mais importante do cinema? Vai, Brasil!

Enfim, esse foi o Oscar 2020, provavelmente a edição mais especial e importante que eu já assisti enquanto acompanho o prêmio. Uma edição mais que histórica. Mudanças aconteceram e tivemos os maiores acertos que esse prêmio já fez, acertos únicos, entre eles o de escolher e comemorar uma obra-prima sul-coreana (e que foi o maior vencedor da noite, com 4 prêmios). Pra quem tinha dado 4 Oscars pra Bohemian Rhapsody em 2019, a Academia até que tomou vergonha na cara né? Gosto assim. Vai, cinema mundial! Mostra pros americanos que existe todo um mundo a ser descoberto por trás dos filmes legendados.

OBS.: Das apostas que eu fiz aqui no blog, acertei 21 das 24 categorias. Coisa histórica pra mim (kkkk). E eu nunca tinha acertado a categoria de Melhor Filme antes. Parasita também era o meu voto pro prêmio.

Muito obrigado, Oscar, por essa noite histórica. 

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MELHOR FILME
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho — Parasita

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix — Coringa

MELHOR ATRIZ
Renee Zellweger — Judy

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Brad Pitt — Era Uma Vez em... Hollywood

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern — História de um Casamento

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Parasita — Bong Joon-ho, Han Jin-won

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Jojo Rabbit — Taika Waititi

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Parasita, Coreia do Sul — Bong Joon-ho

MELHOR ANIMAÇÃO
Toy Story 4

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory — Steven Bognar, Julia Reichert, Jeff Reichert

MELHOR TRILHA SONORA
Coringa — Hildur Guðnadóttir

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"(I'm Gonna) Love Me Again" — Rocketman
Elton John, Bernie Taupin

MELHOR FOTOGRAFIA
1917 — Roger Deakins

MELHOR EDIÇÃO
Ford vs. Ferrari — Andrew Buckland & Michael McCusker

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres — Jacqueline Durran

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Era Uma Vez em... Hollywood — Barbara Ling & Nancy Haigh

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
O Escândalo — Kazu Hiro, Anne Morgan, Vivian Baker

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Ford vs. Ferrari — Donald Sylvester

MELHOR MIXAGEM DE SOM
1917 — Mark Taylor, Stuart Wilson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917 — Guillaume Rocheron, Greg Butler, Dominic Tuohy

MELHOR CURTA — LIVE-ACTION
The Neighbors' Window — Marshall Curry

MELHOR CURTA — DOCUMENTÁRIO
Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl) — Carol Dysinger, Elena Andreicheva

MELHOR CURTA — ANIMAÇÃO
Hair Love — Matthew A. Cherry, Karen Rupert Toliver

domingo, 9 de fevereiro de 2020

FILM INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2020

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Acho que ninguém tem mais dúvidas que o INDIE SPIRIT é a melhor alternativa das premiações da temporada. O prêmio mais importante do cinema independente americano continua fazendo justiça premiando os filmes que não ganham espaço na lista do Oscar e nem nas outras grandes premiações televisionadas. Os elogiados The Farewell e Joias Brutas (esnobados do Oscar) foram reconhecidos em peso nessa premiação menor, mas que cada vez mais deixa a gente mais feliz com os reconhecimentos do melhor do cinema. Com certeza é a melhor alternativa se a gente levar em consideração que os outros prêmios parecem cada vez mais valorizar menos a qualidade dos filmes premiados. 

A maioria dos indicados ao Indie Spirit desse ano sequer teve espaço em outras premiações maiores. Pelo segundo ano consecutivo, os vencedores do prêmio foram na contramão das tendências da temporada. O que é uma coisa muito boa. Sandler, Dafoe e Zhao Shuzhen, os atores esnobados, acabam ganhando prêmios aqui. E no rol dos indicados tantos outros filmes que não tiveram a devida atenção se fizeram presentes. Indie Spirit fazendo justiça.

MELHOR FILME
The Farewell

MELHOR DIREÇÃO
Josh & Benny Safdie, Joias Brutas

MELHOR ATOR
Adam Sandler, Joias Brutas

MELHOR ATRIZ
Renée Zellweger, Judy

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Willem Dafoe, O Farol

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Zhao Shuzhen, The Farewell

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Parasita

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory

MELHOR FILME DE ESTREIA
Fora de Série

MELHOR ROTEIRO
História de um Casamento

MELHOR EDIÇÃO
Joias Brutas

MELHOR FOTOGRAFIA
O Farol

MELHOR PRIMEIRO ROTEIRO
See You Yesterday

PRÊMIO JOHN CASSAVETES
Give Me Liberty

PRÊMIO ROBERT ALTMAN
História de um Casamento

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2020

Apostas Oscar 2020

Bem, aqui estão elas. O Oscar já é no domingo, e aqui estão minhas apostas pro prêmio. Pode ser a primeira vez que a gente vai ver um filme não-americano ganhar Melhor Filme (Parasita). Mas ano passado a gente também tinha essa expectativa com Roma, e o prêmio pra Green Book foi motivo de revolta com o prêmio. A lista de 2020 tem alguns filmes fenomenais, outros típicos de Oscar, e sempre algum título ou outro desconhecido pra descobrir. Enfim, é Oscar. Vamos manter a tradição de lançar as apostas e acompanhar os vencedores. 


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O sul-coreano Parasita é um dos grandes favoritos a Melhor Filme e pode se tornar a 1º filme não-ameircano e falado em língua que não seja o inglês a ganhar Melhor Filme, o que seria histórico.

FILME

quem ganha: Parasita
quem pode ganhar: 1917
quem pode surpreender: Era Uma Vez em... Hollywood (alguns falam em Jojo Rabbit)

meu voto: Parasita (mas também acho O Irlandês merecedor)

DIREÇÃO

quem ganha: Sam Mendes — 1917
quem pode ganhar: Bong Joon-ho — Parasita
quem pode surpreender: Todd Phillips — Coringa

meu voto: Martin Scorsese — O Irlandês

ATOR

quem ganha: Joaquin Phoenix — Coringa
quem pode ganhar: Adam Driver — História de um Casamento
quem pode surpreender: Antonio Banderas — Dor e Glória

meu voto: Antonio Banderas — Dor e Glória

ATRIZ

quem ganha: Renee Zellweger — Judy
quem pode ganhar: Scarlett Johansson — História de um Casamento
quem pode surpreender: Cynthia Erivo — Harriet

meu voto: Scarlett Johansson — História de um Casamento

ATOR COADJUVANTE

quem ganha: Brad Pitt — Era Uma Vez em... Hollywood
quem pode ganhar: Tom Hanks — Um Lindo Dia na Vizinhança
quem pode surpreender: Joe Pesci ou Al Pacino — O Irlandês

meu voto: Al Pacino — O Irlandês

ATRIZ COADJUVANTE

quem ganha: Laura Dern — História de um Casamento
quem pode ganhar: Scarlett Johansson — Jojo Rabbit
quem pode surpreender: Margot Robbie — O Escândalo

meu voto: Laura Dern — História de um Casamento

ROTEIRO ORIGINAL

quem ganha: Parasita — Bong Joon-ho, Han Jin-won
quem pode ganhar: Era Uma Vez em... Hollywood — Quentin Tarantino
quem pode surpreender: História de um Casamento — Noah Baumbach

meu voto: Parasita — Bong Joon-ho, Han Jin-won

ROTEIRO ADAPTADO

quem ganha: Jojo Rabbit — Taika Waititi
quem pode ganhar: Adoráveis Mulheres — Greta Gerwig
quem pode surpreender: Dois Papas — Anthony McCarten

meu voto: O Irlandês — Steven Zaillian

FILME INTERNACIONAL

quem ganha: Parasita
quem pode ganhar: Dor e Glória
quem pode surpreender: Les Misérables

meu voto: Parasita

DOCUMENTÁRIO

quem ganha: American Factory
quem pode ganhar: For Sama
quem pode surpreender: Democracia em Vertigem

meu voto: Democracia em Vertigem (vai Brasil!)

ANIMAÇÃO

quem ganha: Toy Story 4
quem pode ganhar: Link Perdido
quem pode surpreender: Como Treinar O Seu Dragão 3

meu voto: Toy Story 4

TRILHA SONORA


quem ganha: Coringa
quem pode ganhar: 1917
quem pode surpreender: História de um Casamento

meu voto: História de um Casamento

CANÇÃO ORIGINAL


quem ganha: "(I'm Gonna) Love Me Again" — Rocketman
quem pode ganhar: "Stand Up" — Harriet
quem pode surpreender: "I Can't Let You Throw Yourself Away" — Toy Story 4

meu voto: "Stand Up" — Harriet

EDIÇÃO


quem ganha: Ford vs. Ferrari — Andrew Buckland & Michael McCusker
quem pode ganhar: O Irlandês — Thelma Schoonmaker
quem pode surpreender: Parasita — Yang Jin-mo

meu voto: O Irlandês — Thelma Schoonmaker

FOTOGRAFIA


quem ganha: 1917 — Roger Deakins
quem pode ganhar: Era Uma Vez em... Hollywood — Robert Richardson
quem pode surpreender: O Irlandês — Rodrigo Prieto

meu voto: Era Uma Vez em... Hollywood — Robert Richardson

FIGURINO


quem ganha: Adoráveis Mulheres
quem pode ganhar: Era Uma Vez em... Hollywood
quem pode surpreender: O Irlandês

meu voto: Era Uma Vez em... Hollywood

EDIÇÃO DE SOM


quem ganha: 1917
quem pode ganhar: Ford vs. Ferrari
quem pode surpreender: Star Wars: A Ascenção Skywalker

meu voto: Ford vs. Ferrari

MIXAGEM DE SOM


quem ganha: 1917
quem pode ganhar: Ford vs. Ferrari
quem pode surpreender: Ad Astra

meu voto: Ad Astra

DESIGN DE PRODUÇÃO


quem ganha: Era Uma Vez em... Hollywood
quem pode ganhar: Parasita
quem pode surpreender: O Irlandês

meu voto: Era Uma Vez em... Hollywood

MAQUIAGEM/PENTEADOS


quem ganha: O Escândalo
quem pode ganhar: Judy
quem pode surpreender: Coringa

meu voto: O Escândalo

EFEITOS VISUAIS


quem ganha: Vingadores: Ultimato
quem pode ganhar: O Rei Leão
quem pode surpreender: O Irlandês

meu voto: O Irlandês

CURTA: The Neighbors Window
CURTA DOCUMENTÁRIO: Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl)
CURTA ANIMAÇÃO: Hair Love

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

HISTÓRIA DE UM CASAMENTO (2019)

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Noah Baumbach nunca fez um filme que fosse tão pessoal e ao mesmo tempo tão profundo em suas camadas, tão alheio ao que ele está acostumado a fazer, como se ele se desligasse um pouco do seu modus operandi de "comédia inteligente" para abraçar uma dolorosa situação de separação que, no começo pacífico, começa a se complicar quando envereda pelo tortuoso processo do divórcio (embora o diretor negue, há uma conexão com sua vida pessoal). O olhar tenro e carinhoso para os dois personagens principais, diante dos erros e desentendimentos provocados, humaniza o caos, mas também vai demonstrando, aos poucos, a dificuldade de conciliação diante daquele processo, e os sentimentos contraditórios que vão minando a já difícil relação entre os dois personagens, que, ainda que separados, continuam sentindo alguma coisa um pelo outro. História de um Casamento é um registro da dificuldade dessa conciliação, das palavras não ditas, das mágoas causadas, dos sentimentos que resistem a separação. A sensação é que fica é de que estamos assistindo uma história de amor ser fragmentada em vários pedacinhos com a tensão das discussões e a angústia dos personagens. É sentimentalmente honesto ao tratar das tempestades dentro do seio familiar. Acho que nenhum outro filme teve essa delicadeza em retratar relações se partindo ao meio. Gosto mais ou na mesma medida que o The Meyerowitz Stories, seu filme-irmão.

E dificilmente o filme seria tão bom sem esse elenco caprichado. Melhores atuações da Scarlett e do Adam (belíssimos) ou muito perto de serem as melhores. O Adam deveria ganhar um Oscar só por causa de "Being Alive" (me arrepiou). Destaque também para Laura (que vai ganhar o Oscar!!!), Alan, Ray e Merritt, todos muito bons. 

História de um Casamento
Marriage Story
dir. Noah Baumbach (E.U.A., 2019)
★★★★

quarta-feira, 22 de janeiro de 2020

PARASITA (2019)


À medida que a gente vai pensando nele, Parasita cresce. O filme que para muitos é o filme do ano veio com tudo, com todas as suas cenas marcantes, com seus personagens, com a riqueza da sua construção cinematográfica e com o seu significado para a nossa sociedade cada vez mais segregada pelas diferenças econômicas e pela desigualdade social. Parasita gira em torno dos sintomas de uma sociedade em ruptura, dividida pelas diferenças latentes que acentuam a luta de classes. Ele vem da Coreia do Sul, mas é universal em muitas camadas, de uma forma que ele tem refletido o momento político não só de um lugar ou de outro, mas profundamente característico do momento que muitas nações atravessam agora, com governos catalisadores das desigualdades e das tensões entre as classes, quando o privilégio e a riqueza ficam concentrados nas mãos de poucos.

Parasita é atual, refletor dos nossos tempos e das suas tensões sociais e políticas mais agudas, mas também é incisivo, ácido, quase corrosivo, seja ao sobrepor humor e drama, ou desenhando situações perto do absurdo, mas que são tão reais. As nuances são decoradas com risadas, estranhamento e sensibilidade. O resultado é uma obra de cinema incomparável e máxima. Parasita coleciona cenas gigantes e tem um dos trabalhos de mise-en-scène dos mais competentes e detalhistas. A cada passo que dá, a cada desenrolar, a impressão é a de que estamos assistindo aquelas duas famílias colidirem, ruírem, enquanto são consumidas pelas diferenças que compartilham. Essa colisão ganha proporções que, segundo o próprio protagonista, parecem ter saído de um sonho bizarro. Algo que fica suspenso entre uma realidade e outra. Parasita fala exatamente dessa lacuna entre os pobres e os ricos. O que está em xeque é a dimensão sistêmica e pandêmica dessa lacuna. O que explica a universalidade de Parasita é a sua precisão. É, sem dúvida alguma, o melhor do cinema sul-coreano em 2019. 

Parasita
Gisaengchung
dir. Bong Joon-ho (Coreia do Sul, 2019)