domingo, 28 de maio de 2017

FESTIVAL DE CANNES 2017


PALMA DE OURO
The Square (dir. Ruben Östlund)

PRÊMIO DO ANIVERSÁRIO DE 70 ANOS
Nicole Kidman

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI
120 Beats Per Minute (dir. Robin Campillo)

PRÊMIO DO JÚRI
Loveless, dir. Andrey Zvyagintsev

PRÊMIO DA MISE-EN-SCÈNE
Sofia Coppola – The Beguiled

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO FEMININA
Diane Kruger, In the Fade

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO MASCULINA
Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here

PRÊMIO DE ROTEIRO
(empate)
The Killing of a Sacred Deer
You Were Never Really Here

CAMERA D'OR
Jeune Femme, de Léonor Sérraille

PALMA DE OURO, CURTA-METRAGEM
A Gentle Night, de Qiu Yang
menção honrosa: Katto, de Teppo Airaksinen

Em alguns pontos, os principais momentos da cerimônia deste ano.

– Palma de Ouro entregue para o filme sueco The Square, a escolha surpreendente do júri deste ano contra o favoritismo de 120 Beats Per Minute, longa francês que, por outro lado, ganhou o Grande Prêmio do Júri.

– Sofia Coppola ganha o Prêmio da Mise-en-Scène (Melhor Direção) tornando-se a segunda mulher a abocanhar tal reconhecimento (a primeira foi Yuliya Solntseva, em 1961, por The Chronicle of Flaming Years)

– Apesar de não ter ganhado o prêmio de interpretação feminina (entregue a Diane Kruger, já favorita para o prêmio) Nicole Kidman, que teve quatro produções lançadas na Croisette este ano, conquistou o Prêmio Comemorativo do 70º Aniversário.

– Joaquin Phoenix, sempre controverso, levou merecidamente o prêmio de melhor ator por sua performance em You Were Never Really Here – filme que também levou o prêmio de roteiro (entregue a Lynne Ramsay) empatado com The Killing of a Sacred Deer, de Yorgos Lanthimos (outrora favorito à Palma).

Crítica: "PIRATAS DO CARIBE: A VINGANÇA DE SALAZAR" (2017) – ★★


Demasiadamente longo, desesperadamente ambicioso e tecnicamente exuberante, o novo Piratas do Caribe é trilhado por um roteiro desnorteado e que não dá conta do recado – um desfecho com soluções preguiçosas e pouco convincentes –, a performance sempre caricata e exagerada de Johnny Depp da qual ele parece nunca se cansar de fazer e refazer. As piadas surtem efeito, e não por acaso os "menos piores" momentos do filme são os mais engraçados. Esta franquia, de tanto repetir os mesmos clichês piratas e com os mesmos propósitos grandiosos, está ficando cansada. Os filmes de aventura de Jack Sparrow ainda podem trazer alguma emoção a quem procure embarcar na viagem, mas são insuficientes, deliberados, inconclusivos.

Traz a direção dos noruegueses Joachim Ronning e Espen Sandberg que – não por acaso – já dirigiram um filme sobre aventuras no mar que foi Kon Tiki, talvez mais lembrado por ter sido indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2013. Certamente há muitos momentos que, graças à mise-en-scène dos dois, serão certamente lembrados como os mais audaciosos e bem elaborados momentos deste filme, como o uso inventivo da câmera em certas sequências de tirar o fôlego, como a estranhíssima cena do roubo do cofre, esquisita e totalmente insana porém muito bem conduzida, acreditem se quiser. E o vilão do Javier Bardem (sim, Bardem está fazendo papel de antagonista de novo...) é impagável. Mas sempre escolhem o cara para esses tipos de papéis de malvado, não? 

O filme, é claro, dispensa quaisquer críticas acerca sua comissão técnica – que é, de fato, fascinante –e por isso mesmo talvez seja interpretado como um dos filmes mais atrativos, no que diz respeito à fotografia estarrecedora e à direção de arte fantasticamente bem elaborada, desta franquia que promete levar muita gente aos cinemas nesta temporada. Elas vão se divertir? Com certeza. Mas o filme é bom? Ele pode ser até legal, como já foi esclarecido, mas certo é que há muitos erros e poucas qualidades que realmente importam. Ou seja, sim, esta é mais uma superprodução hollywoodiana maniqueísta com interesses meramente comerciais, entretanto com pouco investimento em seu conteúdo. 

Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar (Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales)
dir. Joachim Ronning & Espen Sandberg
★★

Cannes 2017 – Apostas


Quem serão os escolhidos do júri de Pedro Almodóvar? Quais foram os melhores filmes? Perguntas que surgem à nossa cabeça parecem apontar que as decisões do júri serão difíceis este ano, possivelmente ainda mais controversas que as decisões do júri do ano passado. Por isso, ainda que seja muito complicado acertar quando se faz apostas com um júri tão diversificado como este e com opiniões contraditórias a respeito dos que podem ganhar e dos que podem ser deixados de fora, lanço aqui as minhas singelas predicações dos prêmios que serão entregues na tarde de hoje em Cannes:

PALMA DE OURO


os favoritos

120 Beats Per Minute
The Killing of a Sacred Deer
L'amant double
The Day After

as surpresas

Loveless
The Beguiled
Radiance
Wonderstruck

PRIX DE LA MISE EN SCÈNE
(MELHOR DIRETOR)


os favoritos

Yorgos Lanthimos, The Killing of a Sacred Deer
Ruben Östlund, The Square
François Ozon, L'amant double
Sofia Coppola, The Beguiled

as surpresas

Lynne Ramsay, You Were Never Really Here
Robin Campillo, 120 Beats Per Minute
Michael Haneke, Happy End
Hong Sang-Soo, The Day After

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO FEMININA


as favoritas

Diane Kruger, In the Fade
Nicole Kidman, The Beguiled
Fantine Harduin, Happy End
Vasilina Makovtseva, A Gentle Creature

as surpresas

Kim Min-Hee, The Day After
Isabelle Huppert, Happy End
Ayame Misaki, Radiance
Stacy Martin, Redoubtable

PRÊMIO DE INTERPRETAÇÃO MASCULINA



os favoritos

Joaquin Phoenix, You Were Never Really Here
Jean-Louis Trintignant, Happy End
Nahuel Pérez Biscayart, 120 Beats Per Minute
Colin Farrell, The Killing of a Sacred Deer ou The Beguiled

as surpresas

Adam Sandler, The Meyerowitz Stories (New and Selected)
Kwon Hae-hyo, The Day After
Vincent Lindon, Rodin
Louis Garrel, Redoubtable

GRANDE PRÊMIO DO JÚRI


os favoritos

Happy End
The Beguiled
A Gentle Creature

as surpresas

Loveless
The Square
Wonderstruck

PRÊMIO DO JÚRI


os favoritos

The Day After
120 Beats Per Minute
Good Time

as surpresas

Radiance
Okja
In the Fade

PRÊMIO DE ROTEIRO


os favoritos

The Day After
The Killing of a Sacred Deer
The Meyerowitz Stories (New and Selected)
Redoubtable

as surpresas

120 Beats Per Minute
Good Time
L'amant double
You Were Never Really Here

Cannes 2017 – Décimo Dia


Eis que chega o penúltimo dia do Festival de Cannes antes da entrega dos prêmios, que acontece neste domingo. 

Último filme da linha competitiva exibido, You Were Never Really Here traz Joaquin Phoenix numa das performances mais aplaudidas de Cannes este ano – o que favorece a índole do ator na corrida pelo prêmio de melhor interpretação masculina – por outro lado o filme foi tanto vaiado quanto aplaudido em sua estreia, refletindo já a opinião do público e também dos críticos a favor ou contra ele. Alguns chamam o filme de "desastre", outros dizem "ótimo". 

Based on a True Story já era um projeto que crescera em nossas expectativas quando fora anunciada a direção de Roman Polanski e o roteiro de Olivier Assayas – e, por mais incrível que pareça, o filme foi detestado – críticas negativas denigrem o novo thriller erótico de um dos maiores diretores de todos os tempos e ainda em atividade. As performances de Eva Green e Emmanuelle Seigner foram elogiadas, entretanto.

E os prêmios da mostra UN CERTAIN REGARD já foram entregues ontem:

Prêmio Un Certain Regard
A Man of Integrity (dir. Mohammad Rasoulof)

Prêmio do Júri
Las Hijas de Abril (dir. Michel Franco)

Melhor Diretor
Taylor Sheridan – Wind River

Prêmio de Interpretação Feminina
Jasmine Trinca – Fortunata

Prêmio The Poetry of Cinema
Barbara (dir. Mathieu Amalric)

sábado, 27 de maio de 2017

Cannes 2017 – Nono Dia


Últimos dias de Cannes e, hoje mesmo, no sábado, alguns prêmios importantíssimos já foram anunciados no Festival de Cannes. 

Prêmio do Júri Ecumênico
Radiance de Naomi Kawase

Prêmio Œil d'or (Melhor Documentário)
Visages Villages de Agnès Varda & JR

Prêmio FIPRESCI – Em Competição
120 Beats per Minute de Robin Campillo

Prêmio FIPRESCI – Un Certain Regard
Closeness de Kantemir Balagov

Grande Prêmio – Semana Internacional da Crítica
Makala de Emmanuel Gras

Quizena dos Realizadores – Prêmio Art Cinema
The Rider de Chloé Zhao

Quinzena dos Realizadores – Prêmio SACD
Let the Sunshine In de Claire Denis
Lover for a Day de Philippe Garrel

Prêmio de Melhor Trilha Sonora
Good Time por Oneohtrix Point Never

Ainda hoje, devem ser anunciados os prêmios da mostra Un Certain Regard. 

Bem, voltando aos filmes exibidos no Festival.

Dia 9 foi dia de Sofia Coppola. Uma das diretoras mais renomadas do cinema americano atual, a filha de um dos "poderosos chefões" da cinematografia americana parece seguir os mesmos traços do pai com uma filmografia que a cada título se confirma sólida e corresponde às expectativas promissoras. The Beguiled foi aplaudido – e muito dos elogios recaem para o elenco, liderado por Nicole Kidman e Colin Farrell – talvez não seja o melhor filme de Sofia, mas é certamente um dos grandes destaques do festivais desse ano. As expectativas continuam lá em cima.

Também foi dia de filme polêmico – L'Amant Double foi comentadíssimo, e da mesma forma recebeu uma penca de elogios – e a então controvérsia sobre o novo filme de François Ozon, o Almodóvar da França, gira em torno da sequência que abre o filme e que exibe imagens que foram descritas como "difíceis de esquecer". O filme é um thriller erótico que traz no elenco atores de primeira classe, tais como Jacqueline Bisset, Marine Vacht e Jérémie Renier. Segue como um dos, até agora, mais conceituados filmes da seleção desse ano. 

In the Fade, do cineasta alemão Fatih Akin, traz a bela Diane Kruger em uma das performances mais queridas da Croisette este ano, e que possivelmente a trará o Prêmio de Interpretação Feminina amanhã, visto o favoritismo que gira em torno da escolha dela para tal honra. Dentre os méritos do longa, há um vislumbre para a atuação dela. E já é um motivo para colocar este filme na sua watchlist.

A Gentle Creature, de Sergei Loznitsa, também é um filme cuja atriz principal, a ucraniana Vasilina Makovtseva, está entre as forças maiores da produção. Loznitsa, um nome recorrente às seleções do festival mas que nunca é lembrado nos prêmios, retorna à riveira com mais um filme que dialoga com propostas críticas e anárquicas em torno de suas ambições ao retratar a política russa como um verdadeiro pesadelo. O filme é um título de destaque, a julgar pelas críticas positivas. 

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Cannes 2017 – Oitavo Dia


Um dia em que dois filmes da seleção Um Certo Olhar se sobressaem: Las hijas de Abril (dirigido pelo mexicano Michel Franco, um dos nomes mais promissores do cinema recente) e o elogiadíssimo La Novia del Desierto, estrelado pela intérprete chilena Paulina García, aplaudida por sua atuação neste filme. O filme tem a direção de Cecilia Atán e Valeria Pivato, e já é considerado um dos principais filmes da mostra esse ano, aposta certeira para os prêmios que serão entregues amanhã.

Enquanto isso, de volta à mostra competitiva, temos Good Time, dirigido pela dupla de irmãos Josh & Ben Safdie, destaques do cinema americano independente contemporâneo, sendo este o primeiro longa deles exibido em competição, uma surpresa na seleção deste ano. Alguns defendem o filme e seu propósito, e outros o consideram um filme mediano, uma "tentativa", talvez com um pouco de sucesso em sua abordagem, mas insuficiente. Não sei se o filme tem tanta garra assim para levar algum prêmio importante no domingo, mas é sempre bom estar de olho pois as escolhas do júri desse ano prometem ser ainda mais controversas do que as do ano passado.

12 jours, documentário de Raymond Depardon, é um destaque em hors concours. O filme conta com 80 minutos – conta a história de quatro juízes e uma relação inconvencional com os réus –. Bom ver que Depardon ainda está na ativa, com uma filmografia repleta de pérolas, inclusive seus documentários, muito famosos. E que bom ver que Cannes gostou de seu novo trabalho. 


Cannes 2017 – Sétimo Dia


Sétimo dia de Cannes – o festival chegando ao fim – e ainda não está muito claro o favoritismo e a negação conferidos a certos filmes. Pra mim, o festival está tendo um ano fraco, com uma parcela maior de filmes criticados e uma menor com poucos filmes realmente bem-falados e elogiados. 

Da cineasta japonesa Naomi Kawase, o elogiado Radiance debuta com críticas positivas. A diretora, que possui uma filmografia bastante irregular, decorada por filmes tanto aplaudidos quanto menosprezados, é uma forte aposta à Palma de Ouro com seu novo filme.

De Jacques Doillon, o cinebiográfico Rodin, que aborda a vida e a carreira do artista francês Auguste Rodin, com o ator Vincent Lindon (que em 2015 ganhou o prêmio de Melhor Interpretação Masculina pelo longa La loi du marché) que surge como um possível preferido ao mesmo prêmio este ano, embora o filme tenha sido tachado de "irregular" por muitos veículos da imprensa.

E, neste dia, também tivemos a sessão de 24 Frames, o último filme do iraniano Abbas Kiarostami, que faleceu em 2016 pouco após finaliza-lo (e muitos até então pensavam que o filme não tinha sido terminado) que completa o ciclo de exibições comemorativas de 70 anos do festival de Cannes, com direito a muitas fotos luxuosas com várias estrelas e diretores também no tapete vermelho mais suntuoso da Croisette.