quarta-feira, 13 de maio de 2020

PETERLOO (2018)

Peterloo - Filme 2018 - AdoroCinema

PETERLOO é muito bem-feito: fiel aos fatos, um pouco didático (principalmente nos diálogos), mas sobretudo dilacerante, que parece ter sido feito com a revolta e a fúria no sangue (assim como foi na História). É pra não esquecer do derramamento de sangue brutal como resposta à indignação popular pelas explorações e injustiças sociais da época (leis abusivas e um governo cada vez mais opressor na Inglaterra industrial). Chega a ser doloroso na sua explosão de revolta, estremecedor, mas também consciente (historicamente) com muitos momentos bem construídos (inclusive a sequência do massacre). E é também o filme de época mais bem dirigido do Mike Leigh em anos. Curioso como foi tão pouco falado, com essa qualidade toda, e sendo um filme que mostra um ponto de vista da classe trabalhadora, e toca na ferida do governo opressor. PETERLOO é um excelente filme de História, e de grande importância política.

segunda-feira, 4 de maio de 2020


Aos leitores do blog que anda meio desatualizado, gostaria de transmitir algumas palavras. Eu não posto com tanta regularidade aqui, mas sempre que assisto um filme tô postando comentários lá na minha conta no Letterboxd (que pra quem não conhece é tipo um Facebook de cinema, onde você loga filmes, escreve sobre eles, praticamente um Filmow só que em inglês). Claro que vou continuar atualizando esse blog com listas, e também com impressões e observações, esse espaço é muito especial pra mim.

O link das minhas resenhas no Letter é esse aqui: https://letterboxd.com/lucasrosebud/films/reviews/

Eu tenho outros dois blogs. Num deles eu comento um pouco sobre música, e no outro eu posto alguns textos mais pessoais, autorais mesmo, como se fosse quase um diário de textos.

Não sou nenhum profissional, posto lá apenas para me expressar, e pra que talvez alguém se depare com as palavras e isso desperte algo nessa pessoa, um pensamento, um sentimento.

É algo bem mais pessoal do que faço aqui. Não ganho nenhum tipo de renda com nenhum dos blogs que eu tenho, é mais um hobbie mesmo, eu faço por gostar. 

O blog é uma ferramenta que me fez descobrir muito, e me acompanhou enquanto eu aprendia a me expressar. Era pra cá que eu corria pra escrever. Eu ainda sou amador, mas isso não importa tanto assim né?

Se interessar, aqui estão esses blogs. É apenas para meios de divulgação, e para não deixar o blog parado. E sim, de vez em quando vou continuar postando aqui.

AQUELA CANÇÃO, blog sobre música
link: https://aquelacancao2.blogspot.com/

LUCAS CAMPOS, blog com textos mais pessoais

terça-feira, 7 de abril de 2020

O CASO RICHARD JEWELL (2019)

Richard Jewell' Review: The Wrong Man - The New York Times

A vida de um americano comum revirada de cabeça para baixo depois que ele ganha status de herói ao evitar uma tragédia durante as Olimpíadas de Atlanta em 96, mas se torna suspeito de ter ele próprio causado o atentado. A "midialização" do homem comum é uma faca de dois gumes: o eleva ao heroísmo, mas puxa-se o tapete e sua vida se torna um caos graças a cobertura da imprensa e a fama que ele ganhou. O personagem se pergunta se ele vai ter sua vida de volta.

RICHARD JEWELL medita sobre como um herói se torna vilão com uma facilidade e rapidez imensas. A inversão de papéis parece dizer muito sobre não apenas o espetáculo da mídia, mas também a própria América. É interessante ver como filme coloca o personagem dentro da tempestade e a maneira quase silenciosa como ele é defendido. Precisamos entender como o personagem é encurralado, e para isso há o tempo certo de exercitar essa defesa. Por isso que é um dos filmes mais plurais de Clint. Aliás: performances ótimas e honestas, em especial a de Paul Hauser.

O Caso Richard Jewell, Richard Jewell
dir. Clint Eastwood (E.U.A., 2019)

domingo, 5 de abril de 2020

O PREÇO DA VERDADE (2019)

Dark Waters”: a impressionante história real do novo filme de Mark ...

O mal-estar ambiental já tinha sido pivô de uma grande obra do Haynes (MAL DO SÉCULO). O tom de preocupação não está distante em DARK WATERS, e um intervalo de 24 anos separam os dois filmes, mas agora Haynes está interessado em abordar a especulação corporativa e a natureza assassina de uma indústria responsável por envenenar a população com um químico fatal, ao longo de anos e décadas. Além do demorado processo legal para responsabilizar os culpados, DARK WATERS trata da negligência e do descuidado em nome do dinheiro, em como a vida humana passou a valer muito menos do que o lucro e o poder aos olhos da corporação.

Não é o filme mais tranquilizante pra se assistir na quarentena, mas está ligado de alguma forma com o que estamos vivendo agora. Chega a ser quase profético na sua urgência. As grandes corporações e o governo (que é capacho delas) preferem deixar o povo morrer diante de uma tragédia de saúde do que perder seu capital e sua influência.

DARK WATERS tem a sobriedade e a seriedade necessárias para a urgência do que trata. E uma condução limpa e firme, mostrando a primazia de Haynes em manusear uma direção sólida e transparente, sem medo de soar muito formal. Não vejo motivos para ter passado em branco, mas é um filme ótimo sim.

O Preço da Verdade, Dark Waters
dir. Todd Haynes (E.U.A., 2019)

domingo, 1 de março de 2020

Berlim 2020

Trailer: There Is No Evil

Não vou a festivais, muito menos aos grandes festivais que acontecem no exterior, esses repletos de estrelas e diretores famosos, conceituados. Claro, quem me dera eu pudesse ir. Mas isso não me impede de conferir as listas, e ver quais são os filmes que vão estrear nesses grandes festivais, pra ter uma noção do que vamos ver por aí, inclusive na questão do cinema internacional, o world cinema. E o Festival de Berlim (com o de Sundance) dá o pontapé inicial. 

O grande vencedor de 2020 foi o iraniano There Is No Evil, do Mohammad Rasoulof. Também foram premiados os aguardados Never Rarely Sometimes Always (Eliza Hittman), The Woman Who Ran (Hong Sang-Soo) e Undine (Christian Petzold).

Segue minha lista dos "filmes pra ficar de olho", que passaram em Berlim 2020. 

There Is No Evil (Mohammad Rasoulof) Urso de Ouro
Undine (Christian Petzold)
The Woman Who Ran (Hong Sang-Soo)
Never Rarely Sometimes Always (Eliza Hittman)
Siberia (Abel Ferrara)
First Cow (Kelly Reichardt)
Todos os Mortos (Caetano Gotardo & Marco Dutra)
Days (Tsai Ming-Liang)
The Salt of Tears (Philippe Garrel)
Malmkrog (Cristi Puiu)
Swimming Out Till The Sea Turns Blue (Jia Zhangke)
Berlin Alexanderplatz (Burhan Qurbani)
Nardjes A. (Karim Aïnouz)
Isabella (Matías Piñero)
No Hard Feelings (Faraz Shariat)
Mogul Mowgli (Bassam Tariq)
The Twentieth Century (Matthew Rankin)
O reflexo do lago (Fernando Segtowick)
Un crimen común (Francisco Márquez)

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

REINO ANIMAL (2010)


É curioso como esse filme vai deixando rastros. Em REINO ANIMAL, a violência tem um peso extremamente determinante nas relações familiares. Elas são delineadas pela presença da violência, explícita ou não. A forma como essa família, tão ligada ao crime, é configurada exponencialmente pelas suas próprias marcas de transgressão e destruição, até nos gestos mais simples, como um momento de troca de afeto, ou quando as coisas são resolvidas, um acerto de contas, diz muito sobre como a violência se tornou a sombra da manutenção desses laços familiares.

Essas relações vão se confrontando à medida que a tensão cresce, e os gestos tornam-se imprevisíveis. Há toda uma linguagem por trás dessa complexa teia de relações no seio familiar, que contribui para a construção de uma hierarquia particular, onde a violência pontua a afinidade e a ligação entre os personagens. 

Há um discurso sobre fracos e fortes, que tem a ver com a descendência familiar/criminal. É algo que vai definir qual é o papel que o personagem principal desempenha nessa hierarquia, como quem passeia por todo aquele cenário do crime, mas absorve uma resistência, estando inserido em relações tão maleáveis, mistas. REINO ANIMAL observa como essa família disfuncional vai ruindo a partir das suas próprias configurações. E como ela senta na mesa para acertar as contas. 

O elenco: show de bola. Dá gosto de assistir um elenco que se destaca pela qualidade coletiva. E me dá vontade de conhecer mais do cinema australiano. 

Reino Animal
Animal Kingdom
dir. David Michôd (Austrália, 2010)
★★½

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

OSCAR 2020 (92nd Academy Awards)

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Acho que nunca assisti uma edição do Oscar assim. O Oscar 2020 conseguiu ser o melhor Oscar em muito, muito tempo. Foi uma noite histórica para o cinema mundial. Pela primeira vez na história, um filme não-americano e não-falado em inglês ganhou o maior prêmio da noite, Melhor Filme. Parasita ainda levou mais 3 prêmios pra casa, fechando o círculo de uma temporada em que ele foi um dos filmes mais badalados, respeitados e queridos. Ano passado o mexicano Roma teve um favoritismo parecido, e até chegou a ganhar três prêmios, mas não levou o principal. Parasita fez história na noite de ontem. Nenhum filme não-americano antes havia levado tantos prêmios principais numa única noite (filme, direção, roteiro). É especial pois é uma celebração mais que necessária do cinema mundial.

Quando o cinema de fora dos EUA consegue ter um espaço assim no Oscar, é uma vitória gigante para o cinema do mundo todo. É uma questão de visibilidade. O cinema mundial está sendo festejado na festa mais importante do cinema. Isso não é pouco. Em 92 anos de Oscar, é a primeira vez que isso acontece. E nesses 92 anos, apenas 10 filmes completamente internacionais tiveram a chance de competir pelo Oscar de Melhor Filme. O que infelizmente é pouco. Que a vitória estrondosa de Parasita possa representar uma mudança, e que nos próximos anos a Academia passe a reservar cada vez mais espaço para o cinema mundial, do jeito que é necessário, pra não apenas quebrar o paradigma de que apenas o cinema dos EUA merece atenção numa festa que, apesar de americana, é vista todos os anos no resto do mundo por milhões de pessoas, quando tem tanta coisa boa vindo de todos os cantos do mundo, mas para simbolizar que os filmes estrangeiros estão saindo dos limites que são reservados a ele (a categoria de Filme Internacional), ou seja, que o cinema do mundo importa e merece ser visto, reconhecido e celebrado. É uma vitória sem tamanho. 

E se as vitórias de Parasita deixaram a gente emocionado, mas não muito surpresos porque ele merecia ganhar, se trata de um filme importantíssimo e que reflete os sintomas sociais e políticos mais latentes da atualidade, no que diz respeito à desigualdade social e ao sistema capitalista, não só lá na Coreia do Sul, mas em todos os cinco continentes. A premiação de um filme que percorre esses temas parecia ser surreal demais para os gostos da Academia, mas o Oscar 2020 provou o contrário. E que bom que isso aconteceu.

A edição foi uma das mais tranquilas. Quem sabe deixar a cerimônia sem um host não deixou as coisas fluírem mais? Se bem que esse ano a Academia não resistiu a tentação de colocar Steve Martin e Chris Rock (dois ex-hosts) pra abrir a cerimônia, depois de uma performance da Janelle Monaé. A cerimônia estava num ritmo tão  Eu até estava achando os comerciais menos demorados. 

Em termos de diversidade, o prêmio foi criticado e até se falou em #oscarssowhite. Houve apenas uma atriz negra indicada esse ano (Cynthia Erivo) em meio a tantas outras performances ignoradas pela Academia (Lupita, Awkwafina, etc.). É esquisito porque as últimas listas do Oscar, desde 2017, trouxeram uma diversidade jamais vista antes no Oscar. 

E se em alguns anos vemos o Oscar estando mais político, era justamente num ano de reeleição que a gente esperava discursos mais preocupados, afinal, o Oscar também é um evento político, inclusive ao falar de cinema. Mas isso não aconteceu muito. É claro, tivemos Joaquin Phoenix dando um discurso daqueles, penetrante e forte, parecido com os que ele já deu na temporada. Boa parte dos discursos foram tomados pela emoção, com as pessoas surpresas, tremendo, agradecidas. Como eu disse, foi uma das edições mais tranquilas em muito, muito tempo. Acho que nunca vi uma edição do Oscar que fosse tão tranquila assim tanto na condução quanto nos premiados. 

Agora vamos falar dos momentos da noite. A performance tocante de "Yesterday" dos Beatles por Billie Eilish, no segmento In Memoriam. A belíssima canção, interpretada na voz dessa cantora fenomenal, me deixou em torpor, hipnotizado. A melhor e mais bonita apresentação da noite, até melhor que a maioria das performances das músicas indicadas. E, dessas, eu destaco duas: Cynthia Erivo (e sua voz poderosíssima), e o agitado e funky Elton John. Muita gente ficou sem entender porque Eminem estava lá em cima do palco cantando "Lose Yourself" (melhor canção de 2003) depois de um segmento voltado para as canções. E a plateia até estava cantando junto. Será que ele foi pagar a dívida de não ter cantado a música no Oscar 2003?

No time dos vencedores, senti falta de O Irlandês, que saiu de mãos abanando. É um dos meus favoritos, do time dos indicados. Ainda não conferi 1917, Adoráveis Mulheres, Jojo Rabbit, por isso a cerimônia desse ano já engrossou minha watchlist. Inclusive os curtas, que também me deixaram interessados. Tínhamos Brasil concorrendo esse ano pela 1ª vez desde 2016, mas infelizmente não foi dessa vez que o Oscar veio pra nós. Mas o que importa é que entramos na lista. E inclusive num ano em que o cinema nacional estava sob ataque e correndo risco de ser ceifado pelo governo. 2019 foi um dos anos mais frutíferos pro nosso cinema em anos e a gente até pôde ver um doc nosso no Oscar. Não foi pouco. Quem sabe daqui a um tempo a gente não veja um filme nacional fazendo bonito na premiação mais importante do cinema? Vai, Brasil!

Enfim, esse foi o Oscar 2020, provavelmente a edição mais especial e importante que eu já assisti enquanto acompanho o prêmio. Uma edição mais que histórica. Mudanças aconteceram e tivemos os maiores acertos que esse prêmio já fez, acertos únicos, entre eles o de escolher e comemorar uma obra-prima sul-coreana (e que foi o maior vencedor da noite, com 4 prêmios). Pra quem tinha dado 4 Oscars pra Bohemian Rhapsody em 2019, a Academia até que tomou vergonha na cara né? Gosto assim. Vai, cinema mundial! Mostra pros americanos que existe todo um mundo a ser descoberto por trás dos filmes legendados.

OBS.: Das apostas que eu fiz aqui no blog, acertei 21 das 24 categorias. Coisa histórica pra mim (kkkk). E eu nunca tinha acertado a categoria de Melhor Filme antes. Parasita também era o meu voto pro prêmio.

Muito obrigado, Oscar, por essa noite histórica. 

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MELHOR FILME
Parasita

MELHOR DIREÇÃO
Bong Joon-ho — Parasita

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix — Coringa

MELHOR ATRIZ
Renee Zellweger — Judy

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Brad Pitt — Era Uma Vez em... Hollywood

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern — História de um Casamento

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Parasita — Bong Joon-ho, Han Jin-won

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Jojo Rabbit — Taika Waititi

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Parasita, Coreia do Sul — Bong Joon-ho

MELHOR ANIMAÇÃO
Toy Story 4

MELHOR DOCUMENTÁRIO
American Factory — Steven Bognar, Julia Reichert, Jeff Reichert

MELHOR TRILHA SONORA
Coringa — Hildur Guðnadóttir

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"(I'm Gonna) Love Me Again" — Rocketman
Elton John, Bernie Taupin

MELHOR FOTOGRAFIA
1917 — Roger Deakins

MELHOR EDIÇÃO
Ford vs. Ferrari — Andrew Buckland & Michael McCusker

MELHOR FIGURINO
Adoráveis Mulheres — Jacqueline Durran

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Era Uma Vez em... Hollywood — Barbara Ling & Nancy Haigh

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
O Escândalo — Kazu Hiro, Anne Morgan, Vivian Baker

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Ford vs. Ferrari — Donald Sylvester

MELHOR MIXAGEM DE SOM
1917 — Mark Taylor, Stuart Wilson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
1917 — Guillaume Rocheron, Greg Butler, Dominic Tuohy

MELHOR CURTA — LIVE-ACTION
The Neighbors' Window — Marshall Curry

MELHOR CURTA — DOCUMENTÁRIO
Learning to Skateboard in a Warzone (If You're a Girl) — Carol Dysinger, Elena Andreicheva

MELHOR CURTA — ANIMAÇÃO
Hair Love — Matthew A. Cherry, Karen Rupert Toliver